Os destinos da Guiné Conacry parece que já estão a ser desenhados. Primeiro o presidente interino do país, Sekouba Konaté, viajou para Marrocos, onde esteve hospitalizado o presidente do país, Moussa Dadis Camara, depois de um atentado perpetrado pelo seu ajudante de campo. A França e os Estados Unidos da América fizeram saber depois disso que não querem ver o presidente do país regressar a casa. Sekouba Konaté tem se movimentado para que a oposição e os ministros demissionários sintam que tem espaço no país, a prova disso foi o apelo ao regresso de algumas figuras a Guiné. Hoje a oposição e sociedade civil já escolheram nomes que poderão liderar um governo de transição, mas querem a aprovação de Konaté, enquanto as eleições não acontecem. E finalmente, Dadis Camara não regressa ao país, ele vai para Burkina Faso repousar, onde tudo se cose não sabemos com que linhas...
De acordo coma Lusa “Um acordo para pôr fim à crise na Guiné-Conacri foi hoje assinado em Ouagadougou, prevendo a "convalescença" no estrangeirodo chefe da junta militar, Moussa Dadis Camara, e eleições dentro de seis
meses.”
A União Africana está satisfeita com o rumo que a situação está tomar. Recorde-se que este organismo suspendeu a Guiné-Conakry das suas actividades depois da tomada do poder pelos militares em finais de Dezembro de 2008, na sequência da morte do então chefe do Estado, o general Lansana Conté, e dando-lhe um prazo de três meses para voltar a um governo civil.
Quem também está satisfeita com o desenrolar dos factos é a França que através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner, disse, num comunicado, que o país se encontra numa verdadeira rota rumo a um Estado de direito. Kouchner disse que vai apoiar estes esforços por parte da actual liderança da Junta Militar e, nesta nova abordagem, pode retomar a sua cooperação”. Recorde-se que depois do atentado contra Dadis Camara, houve uma certa crispação entre a Junta Militar e a França. A Junta Militar acusou a França de tentativa de interferência nos assuntos internos da Guiné.
Que peça de xadrez é o general Sekouba Konaté?
Militar profissional aparece como o salvador da arruinada Guiné trazendo o sopro da esperança depois de um período tumultuoso. Diz-se que não tem ambições políticas. Desde que assumiu os comandos do país, interinamente, tem mostrado querer seguir o caminho da estabilidade e paz. Começando pelos seus discursos, passando pelo apelo ao regresso de figuras políticas ao país, entre outras coisas. Também terá sido ele a levar a mensagem ao presidente Dadis Camara, no Marrocos, de que ele era persona non grata na Guiné Conacry. Mensagem dos Guineenses ou da comunidade internacional?
Posições divididas
Enquanto uns festejam o facto do presidente Camara não regressar ao país, outros organizam manifestações exigindo o seu regresso e recuperação no país. Mesmo que o país venha a viver uma situação de estabilidade algo nefasto está latente. Viverão então eles em situação de pseudo-estabilidade, que provavelmente terá um prazo de validade curto, (uma vez que a sua natureza assim o dita...) suspeitando que a médio prazo a tensão falsamente controlada atinja o píncaro e o país volte a viver situações de crise.
Recorrência
Esse apoio que Dadis tem no país pode vir a ser usado para que se erga novamente amanhã? (Ou então para o surgimento de uma "versão dadisiana melhorada"?) Apoio de alguns militares ele tem, a prova disso é manifestação de uma certa ala pró-Dadis no país, e pode jogar com o apelo étnico, provavelmente uma das armas mais perigosas de que o país dispõe. Mesmo que na memória dos guineenses esteja viva a ferida das recentes violações...
Quem pode resolver a questão do poder militar intimamente ligado a questão étnica na Guiné?
De certeza que não é a França e nem os Estados Unidos da América que vão conseguir resolver isso. O máximo que provavelmente lhes interessa é ver restituido o Estado de Direito, respeito pela Constituição, Democracia, etc...
Um passo muito importante, sem sombra de dúvidas, mas que neste caso não singnifica tudo...
Esta fraqueza da Guiné Conacry precisa de ser sanada, caso contrário continuará a ser usada internamente e externamente para a sua auto-destruição em nome de muitos interesses.
"Filho, vai para a escola aprender a vencer sem ter razão", disse a mãe de um famoso escritor africano no tempo colonial. O conselho continua atual.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Guiné Conacry: Anciãos já não desempenham o seu papel?
As Nações Unidas publicaram nesta segunda-feira o seu Relatório sobre o massacre de 28 de Setembro na Guiné Conacry e chegaram a conclusão óbvia e já conhecida, que o mesmo foi um crime contra a humanidade...
A ONU tinha enviado uma equipa para o país para investigar o sucedido e os resultados foram dados a conhecer no seu Conselho de Segurança.
“A comissão considera que há provas suficientes para supor a responsabilidade criminal directa do presidente Moussa Dadis Camara”, diz o relatório. Segundo o diário francês "Le Monde", para além do capitão Camara, a comissão de inquérito considerou ainda responsáveis o seu antigo ajudante de campo Aboubacar "Toumba" Diakite e um outro seu aliado, ClaudePivi. " Lê-se no site da SIC: http://sic.sapo.pt/online/noticias/mundo/Massacre+de+28+de+Setembro+na+Guine+e+crime+contra+a+Humanidade.htm
"Segunda-feira Negra" é o titulo do Relatório da "Human Rights Watch" sobre o sucedido. Chocada com a dimensão da brutalidade foi como esta organização de defesa dos direitos do Homem, já habituada a lidar com violações, disse ter ficado.
Pode ouvir a peça sobre o pronunciamento da "HRW" em: http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html, selecionando a emissão da manhã do dia 22 de Dezembro.
Muito bem! A primeira fase, depois da desgraça, está concluida. Confirmações das barbaridades no terreno. E depois? Virá alguma acção concreta de algum lugar para evitar o descalabro, se é que ainda não está, deste país? Parece que sim...
Depois do leite derramado...
O primeiro passo a ONU já deu: a embaixadora deste organismo disse que o Tribunal Penal Internacional pode investigar os responsáveis pelo massacre. Susan Rice lembrou que a Guiné ratificou o Tratado de Roma que estabelece o primeiro tribunal permanente para julgar casos de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade. E o Tratado dá ao tribunal autoridade para determinar quando iniciar as investigações.
Enquanto isso a mediação da crise deste país ao nível da região mostrou-se um fracasso depois que a Junta se baldou para ela.
A Guiné Conacry caiu no saco do esquecimento do mundo?
Não sei dizer... Mas que a situação deste país foi tratada de forma marginal me atrevo a dizer... E quem acompanha a situação do país irá concordar, pelo menos um pouco.
Conversando com um cidadão guineense colhi algumas opiniões. Uma delas é de que o continente nada faz para que o seu país saia deste marasmo. O cidadão apelou para "uma mão lava a outra e as duas lavam a cara" lembrando da ajuda que a Guiné Conacry deu a Moçambique, Angola e outros e esperando, por isso, por um retorno também. Respeito o desejo de ver materializada a frase sobejamente conhecida, "Uma mão lava a outra", afinal só assim o mundo segue. Mas, antes de ver as coisas como transações "comerciais", ou sendo menos dura, troca de favores, sou um ser humano e pequeno! Por isso considero e acredito que a situação tem de ser vista e resolvida primeiro considerando o ponto de vista humanitário, sem chamar as dividas a mesa! Senti neste individuo o desespero pelo sentimento de abandono.
O apelo do emocional colectivo
O nosso diálogo tinha emperrado na questão dos "pagamentos". Mas depois inteligentemente o cidadão veio com uma justificação no mínimo plausível: é preciso que os lideres africanos, considerados respeitados, intervenham com o apelo e a recuperação dos ideiais de grandes nomes da política africana, como é o caso do ex-presidente da Guiné Conacry, Ahmed Sékou Touré. O cidadão não espera ajuda financeira, envios militares, mas sim um elemento, senão histórico pelo menos de enquadramento, que catalize a coesão do colectivo guineense catapultando-os para dentro dos carris.
África é um continente que tem as suas sarnas para se coçar e acredito que por isso, também, os seus lideres estejam ocupados a cuidar das suas feridas e também dos seus umbigos. Mas isso não nos impede de olharmos para o vizinho. E eu que olhava para o meu continente com mais respeito e orgulho nos últimos dois anos por ver os nosso lideres mediarem com algum sucesso os casos mais cabeludos do continente sem precisarem de "intervenção" ocidental, fui obrigada a frear os travões...
Esta não é a primera vez este mês que oiço uma opinião do género. O Ruanda pediu aos seus irmaõs africanos que extraditem os supostos envolvidos no genocídio de 1994 e até bem pouco tempo, não teve resposta. O procurador geral deste país assim o disse e de uma forma bem contundente, dando até exemplos de paises europeus e dos EUA que se tem empenhado para que seja feita a justiça. Parece que só reagindo assim se consegue frutos, pois pelo menos Moçambique decidiu, depois de dois anos de apelos ruandeses, enviar a sua ministra da justiça com a mensagem de que vai colaborar com as autoridades do Ruanda e que vai assinar um acordo de extradição com o Ruanda. Vergonha na cara...
Génese ...
Quem sou, de onde venho, para onde vou e como quero fazer isso. E os que nos rodeiam tem um papel fundamental na construção deste percurso. Ignorar o próximo também é um contributo para a sua auto-destruição... mesmo que esse individuo tenha mais de 50 anos, como é o caso da Guiné Conacry...
Está na hora dos guineenses se reencontrarem primeiro e seguir depois, com ajuda claro, (re)construindo o seu destino.
Parece que a tradicional forma de resolução de conflictos da "família africana" deve ser resgatada...
Entendi sem muito esforço os argumentos de quem conhece o seu país e o seu povo. Não como jornalista e cidadã do mundo, mas como ser humano...
A ONU tinha enviado uma equipa para o país para investigar o sucedido e os resultados foram dados a conhecer no seu Conselho de Segurança.
“A comissão considera que há provas suficientes para supor a responsabilidade criminal directa do presidente Moussa Dadis Camara”, diz o relatório. Segundo o diário francês "Le Monde", para além do capitão Camara, a comissão de inquérito considerou ainda responsáveis o seu antigo ajudante de campo Aboubacar "Toumba" Diakite e um outro seu aliado, ClaudePivi. " Lê-se no site da SIC: http://sic.sapo.pt/online/noticias/mundo/Massacre+de+28+de+Setembro+na+Guine+e+crime+contra+a+Humanidade.htm
"Segunda-feira Negra" é o titulo do Relatório da "Human Rights Watch" sobre o sucedido. Chocada com a dimensão da brutalidade foi como esta organização de defesa dos direitos do Homem, já habituada a lidar com violações, disse ter ficado.
Pode ouvir a peça sobre o pronunciamento da "HRW" em: http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html, selecionando a emissão da manhã do dia 22 de Dezembro.
Muito bem! A primeira fase, depois da desgraça, está concluida. Confirmações das barbaridades no terreno. E depois? Virá alguma acção concreta de algum lugar para evitar o descalabro, se é que ainda não está, deste país? Parece que sim...
Depois do leite derramado...
O primeiro passo a ONU já deu: a embaixadora deste organismo disse que o Tribunal Penal Internacional pode investigar os responsáveis pelo massacre. Susan Rice lembrou que a Guiné ratificou o Tratado de Roma que estabelece o primeiro tribunal permanente para julgar casos de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade. E o Tratado dá ao tribunal autoridade para determinar quando iniciar as investigações.
Enquanto isso a mediação da crise deste país ao nível da região mostrou-se um fracasso depois que a Junta se baldou para ela.
A Guiné Conacry caiu no saco do esquecimento do mundo?
Não sei dizer... Mas que a situação deste país foi tratada de forma marginal me atrevo a dizer... E quem acompanha a situação do país irá concordar, pelo menos um pouco.
Conversando com um cidadão guineense colhi algumas opiniões. Uma delas é de que o continente nada faz para que o seu país saia deste marasmo. O cidadão apelou para "uma mão lava a outra e as duas lavam a cara" lembrando da ajuda que a Guiné Conacry deu a Moçambique, Angola e outros e esperando, por isso, por um retorno também. Respeito o desejo de ver materializada a frase sobejamente conhecida, "Uma mão lava a outra", afinal só assim o mundo segue. Mas, antes de ver as coisas como transações "comerciais", ou sendo menos dura, troca de favores, sou um ser humano e pequeno! Por isso considero e acredito que a situação tem de ser vista e resolvida primeiro considerando o ponto de vista humanitário, sem chamar as dividas a mesa! Senti neste individuo o desespero pelo sentimento de abandono.
O apelo do emocional colectivo
O nosso diálogo tinha emperrado na questão dos "pagamentos". Mas depois inteligentemente o cidadão veio com uma justificação no mínimo plausível: é preciso que os lideres africanos, considerados respeitados, intervenham com o apelo e a recuperação dos ideiais de grandes nomes da política africana, como é o caso do ex-presidente da Guiné Conacry, Ahmed Sékou Touré. O cidadão não espera ajuda financeira, envios militares, mas sim um elemento, senão histórico pelo menos de enquadramento, que catalize a coesão do colectivo guineense catapultando-os para dentro dos carris.
África é um continente que tem as suas sarnas para se coçar e acredito que por isso, também, os seus lideres estejam ocupados a cuidar das suas feridas e também dos seus umbigos. Mas isso não nos impede de olharmos para o vizinho. E eu que olhava para o meu continente com mais respeito e orgulho nos últimos dois anos por ver os nosso lideres mediarem com algum sucesso os casos mais cabeludos do continente sem precisarem de "intervenção" ocidental, fui obrigada a frear os travões...
Esta não é a primera vez este mês que oiço uma opinião do género. O Ruanda pediu aos seus irmaõs africanos que extraditem os supostos envolvidos no genocídio de 1994 e até bem pouco tempo, não teve resposta. O procurador geral deste país assim o disse e de uma forma bem contundente, dando até exemplos de paises europeus e dos EUA que se tem empenhado para que seja feita a justiça. Parece que só reagindo assim se consegue frutos, pois pelo menos Moçambique decidiu, depois de dois anos de apelos ruandeses, enviar a sua ministra da justiça com a mensagem de que vai colaborar com as autoridades do Ruanda e que vai assinar um acordo de extradição com o Ruanda. Vergonha na cara...
Génese ...
Quem sou, de onde venho, para onde vou e como quero fazer isso. E os que nos rodeiam tem um papel fundamental na construção deste percurso. Ignorar o próximo também é um contributo para a sua auto-destruição... mesmo que esse individuo tenha mais de 50 anos, como é o caso da Guiné Conacry...
Está na hora dos guineenses se reencontrarem primeiro e seguir depois, com ajuda claro, (re)construindo o seu destino.
Parece que a tradicional forma de resolução de conflictos da "família africana" deve ser resgatada...
Entendi sem muito esforço os argumentos de quem conhece o seu país e o seu povo. Não como jornalista e cidadã do mundo, mas como ser humano...
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Bola de Neve e bauxita, ouro, diamante, e mais e mais...
Há quase um ano atrás, a 24 de Dezembro, o capitão Dadis Camara desfilava vitorioso pela cidade de Conacry num belicista cortejo, que integrava os seus militares de arma em punho e aplaudido por alguns por ter feito o que se chama de golpe de Estado branco. Ontem um desfile, embora que menos vistosos e mais individual, também aconteceu, mas desta vez levou-o ao hospital da cidade...
Um intervalo negro, entre um cortejo e outro, controverso e regado de muito sangue e lágrimas num país que está em queda livre.
Uma autêntica “salada russa” como se chama na minha terra a um conjunto de problemas, com ingredientes que uns consideram “chineses”, a mistura com outros ocidentais. Riquezas naturais que atiçam a cobiça de muitos, tanto dentro como fora do país, uma sociedade onde a questão étnica ainda é o motor que movimenta tudo, incluindo o que não deve: a política.
A agudizar tudo isto, o temperamento dos guineenses parece, se não de inconformados, no mínimo explosivo. E podemos ainda acrescentar mais, a Guiné Conacry é considerada a plataforma giratória da droga que vem da América Latina e que continua viagem até ao velho continente. E de fora não fica o facto dos militares terem um poder desmesurado neste país.
Afinal a quem interessa a instabilidade na Guiné Conacry?
No dia 15 de Outubro lia-se no site BBC Brasil “Fundo chinês está negociando exploração de minérios com governo militar da Guiné, que é acusado de abusos. A organização não-governamental Human Rights Watch afirmou que um possível acordo de US$ 7 bilhões de um fundo de investimento chinês com o governo da Guiné pode fortalecer o regime militar que assumiu o país há dez meses.”
Num país fragilizado, ou frágil, facilmente se consegue tudo desde que se tenha dinheiro ou o que dele advém. E ponto fraco chama-se ganância, aquela doença que atinge muitos lideres africanos e que conduz os países que dirigem a falência. Mas outros também assinaram acordos que lesam o desenvolvimento do país e da sua população.
Senso de Oportunidade ou Porquice?
Diz-se que o mundo dos negócios é cão e para se atingir fins não se olham os meios. Tal como supostamente os chineses os outros também o fazem. A minha questão é: como se empenham em fechar grandes negócios com um Governo que sob o ponto de vista democrático constitui uma aberração? Que é provisório? Quando se aproveita deste tipo de fraquezas, muito há por se dizer...
Democracia: sinónimo apenas de eleições?
Quando o capitão Dadis Camará tomou o poder de forma inconstitucional “os pais” da democracia e dos Direitos Humanos fizeram os habituais apelos e discursos. A União Européia, a União Africana, os Estados Unidos e a Federação Internacional das Ligas dos Direitos Humanos condenaram a tentativa de golpe de Estado na Guiné, e defenderam o respeito da Constituição para organizar eleições livres. A ONU, por sua vez, pediu "moderação" a todas as partes envolvidas. Foram feitas as pressões habituais para a realização das eleições e o retorno a legalidade. Mas nada interrempeu a intimidação, clima de terror, e quase ditadura que o país viveu. Esperaram para que a merda fedesse para que se instaurassem “comichões de inquérito”. Lê-se no site da Panapress:
“O presidente da Comissão de Inquérito das Nações Unidas sobre o massacre perpetrado na Guiné-Conakry, a 28 de Setembro passado, Mohamed Bedjaoui, começou sábado a ouvir várias testemunhas para apurar a verdade sobre estes trágicos eventos, soube a PANA junto dos inquiridos” Mais pode ser lido em: http://www.panapress.com/freenewspor.asp?code=por007957&dte=28/11/2009
Também o Tribunal Penal Internacional já está a pensar em bater o seu pesado martelo na mesa...
Mostrar trabalho?Enquanto o capitão liderou os destinos dos guineenses, os parentes do ex-Presidente Lansana Conté, considerados corruptos, foram presos, acusados de envolvimento no negócio da droga e outras coisas duvidosas. Também durante o regime do capitão, algumas redes de droga foram desmanteladas. Ou seja, tentou limpar a casa, ou mostrou que na sua casa a ordem devia ser reposta. A intenção era só de legitimar o seu cargo de Presidente?
O mau da fita?Difícil saber. Se não o era, então meteu os pés pelas mãos e está visto! Se era, também meteu os pés pelo mesmo sitio...
A Cobra morde a mão do tocador?
O capitão conseguiu ascender à presidência porque reuniu o apoio militar. O extremo que esta Junta conseguiu, pelo menos não se provou o contrário até ao momento, foi o massacre do dia 28 de Setembro que matou mais de 150 pessoas e a violação de dezenas de mulheres cujas as imagens chocantes podem ser vistas no youtube.
O capitão aceita que a “Comichão de Inquérito” funcione abertamente no país. Ainda na mesma notícia da Panapress lê-se: "O chefe da junta e o seu primeiro-ministro comprometeram-se por escrito a assegurar a independência da Comissão de Inquérito, criada pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, após os eventos trágicos que se seguiram a um comício popular liderado pela oposição para denunciar a candidatura do chefe da junta às eleições presidenciais de Janeiro próximo."
Alguém tem de assumir as culpas.
A Panapress noticia: "Segundo as fontes, tiros teriam sido disparados contra o cortejo do chefe da Junta guineense pelo seu ajudante de campo, Aboubacar "Toumba" Diakité, cujo nome teria sido dado pelas autoridades militares à comissão de inquérito das Nações Unidas sobre os massacres de manifestações a 28 de Setembro último como o principal mandantante das matanças ocorridas no maior estádio de Conakry. Várias testemunhas ouvidas pela comissão de inquérito da ONU, que termina a sua missão esta sexta-feira, teriam igualmente citado o nome de Aboubacar "Toumba" Diakité como sendo o ordenador dos disparos contra a multidão durante a manifestação da oposição para denunciar a candidatura do capitão Dadis Camara e dos outros membros da Junta às presidenciais de Janeiro próximo."
Procure mais em: http://www.panapress.com/freenewspor.asp?code=por008063&dte=04/12/2009
Ainda nao terminei, de verdade...
Um intervalo negro, entre um cortejo e outro, controverso e regado de muito sangue e lágrimas num país que está em queda livre.
Uma autêntica “salada russa” como se chama na minha terra a um conjunto de problemas, com ingredientes que uns consideram “chineses”, a mistura com outros ocidentais. Riquezas naturais que atiçam a cobiça de muitos, tanto dentro como fora do país, uma sociedade onde a questão étnica ainda é o motor que movimenta tudo, incluindo o que não deve: a política.
A agudizar tudo isto, o temperamento dos guineenses parece, se não de inconformados, no mínimo explosivo. E podemos ainda acrescentar mais, a Guiné Conacry é considerada a plataforma giratória da droga que vem da América Latina e que continua viagem até ao velho continente. E de fora não fica o facto dos militares terem um poder desmesurado neste país.
Afinal a quem interessa a instabilidade na Guiné Conacry?
No dia 15 de Outubro lia-se no site BBC Brasil “Fundo chinês está negociando exploração de minérios com governo militar da Guiné, que é acusado de abusos. A organização não-governamental Human Rights Watch afirmou que um possível acordo de US$ 7 bilhões de um fundo de investimento chinês com o governo da Guiné pode fortalecer o regime militar que assumiu o país há dez meses.”
Num país fragilizado, ou frágil, facilmente se consegue tudo desde que se tenha dinheiro ou o que dele advém. E ponto fraco chama-se ganância, aquela doença que atinge muitos lideres africanos e que conduz os países que dirigem a falência. Mas outros também assinaram acordos que lesam o desenvolvimento do país e da sua população.
Senso de Oportunidade ou Porquice?
Diz-se que o mundo dos negócios é cão e para se atingir fins não se olham os meios. Tal como supostamente os chineses os outros também o fazem. A minha questão é: como se empenham em fechar grandes negócios com um Governo que sob o ponto de vista democrático constitui uma aberração? Que é provisório? Quando se aproveita deste tipo de fraquezas, muito há por se dizer...
Democracia: sinónimo apenas de eleições?
Quando o capitão Dadis Camará tomou o poder de forma inconstitucional “os pais” da democracia e dos Direitos Humanos fizeram os habituais apelos e discursos. A União Européia, a União Africana, os Estados Unidos e a Federação Internacional das Ligas dos Direitos Humanos condenaram a tentativa de golpe de Estado na Guiné, e defenderam o respeito da Constituição para organizar eleições livres. A ONU, por sua vez, pediu "moderação" a todas as partes envolvidas. Foram feitas as pressões habituais para a realização das eleições e o retorno a legalidade. Mas nada interrempeu a intimidação, clima de terror, e quase ditadura que o país viveu. Esperaram para que a merda fedesse para que se instaurassem “comichões de inquérito”. Lê-se no site da Panapress:
“O presidente da Comissão de Inquérito das Nações Unidas sobre o massacre perpetrado na Guiné-Conakry, a 28 de Setembro passado, Mohamed Bedjaoui, começou sábado a ouvir várias testemunhas para apurar a verdade sobre estes trágicos eventos, soube a PANA junto dos inquiridos” Mais pode ser lido em: http://www.panapress.com/freenewspor.asp?code=por007957&dte=28/11/2009
Também o Tribunal Penal Internacional já está a pensar em bater o seu pesado martelo na mesa...
Mostrar trabalho?Enquanto o capitão liderou os destinos dos guineenses, os parentes do ex-Presidente Lansana Conté, considerados corruptos, foram presos, acusados de envolvimento no negócio da droga e outras coisas duvidosas. Também durante o regime do capitão, algumas redes de droga foram desmanteladas. Ou seja, tentou limpar a casa, ou mostrou que na sua casa a ordem devia ser reposta. A intenção era só de legitimar o seu cargo de Presidente?
O mau da fita?Difícil saber. Se não o era, então meteu os pés pelas mãos e está visto! Se era, também meteu os pés pelo mesmo sitio...
A Cobra morde a mão do tocador?
O capitão conseguiu ascender à presidência porque reuniu o apoio militar. O extremo que esta Junta conseguiu, pelo menos não se provou o contrário até ao momento, foi o massacre do dia 28 de Setembro que matou mais de 150 pessoas e a violação de dezenas de mulheres cujas as imagens chocantes podem ser vistas no youtube.
O capitão aceita que a “Comichão de Inquérito” funcione abertamente no país. Ainda na mesma notícia da Panapress lê-se: "O chefe da junta e o seu primeiro-ministro comprometeram-se por escrito a assegurar a independência da Comissão de Inquérito, criada pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, após os eventos trágicos que se seguiram a um comício popular liderado pela oposição para denunciar a candidatura do chefe da junta às eleições presidenciais de Janeiro próximo."
Alguém tem de assumir as culpas.
A Panapress noticia: "Segundo as fontes, tiros teriam sido disparados contra o cortejo do chefe da Junta guineense pelo seu ajudante de campo, Aboubacar "Toumba" Diakité, cujo nome teria sido dado pelas autoridades militares à comissão de inquérito das Nações Unidas sobre os massacres de manifestações a 28 de Setembro último como o principal mandantante das matanças ocorridas no maior estádio de Conakry. Várias testemunhas ouvidas pela comissão de inquérito da ONU, que termina a sua missão esta sexta-feira, teriam igualmente citado o nome de Aboubacar "Toumba" Diakité como sendo o ordenador dos disparos contra a multidão durante a manifestação da oposição para denunciar a candidatura do capitão Dadis Camara e dos outros membros da Junta às presidenciais de Janeiro próximo."
Procure mais em: http://www.panapress.com/freenewspor.asp?code=por008063&dte=04/12/2009
Ainda nao terminei, de verdade...
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