Foto: Ismael Miquidade
O Presidente moçambicano cancelou a sua participação na XX Cimeira da União Africana, que decorre na Etiópia, para acompanhar de perto as operações de apoio as vítimas das fortes chuvas que atingem o sul do país. Será a atitude de Armando Guebuza uma tentativa de se redimir, entretanto sem se pronunciar publicamente, pela sua aparente falta de sensibilidade em relação as vítimas das enchentes que afectam o sul do país? Recorde-se que Guebuza celebrou em grande o seu aniversário, o que está no seu direito, enquanto a população morria afogada por causa das cheias, o que já é questionável.
Acho-me no direito de questionar porque a boca do Presidente mal se abre nos momentos em que o seu povo passa por aflições. Provavelmente se tivesse adiado a festa para um momento oportuno, e participasse na Cimeira da União Africana as críticas seriam poucas, ou até inexistentes. Se bem que em encontros desta natureza geralmente mais se gasta do que se resolve... Se o que ia ser gasto na sua viagem e da sua comitiva for canalizado para os afectados já seria de louvar, não? E um anúncio televisivo para todo o país já seria legitimo neste caso...
Bem, também reconheço que é caso para dizer: "preso por ter cão, preso por não ter..."
Avante Moçambique!
"Filho, vai para a escola aprender a vencer sem ter razão", disse a mãe de um famoso escritor africano no tempo colonial. O conselho continua atual.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
domingo, 27 de janeiro de 2013
Vai ai uma cerveja virtual para fechar?
Conclui que o sonho de muitos homens está a prestes a tornar-se realidade, mas para tal falta só a cerveja! Atualmente os sites de desporto são também uma espécie de resista Playboy online. Neles podemos nos atualizar sobre os resultados de uma partida de futebol entre o FCPorto e Benfica, enquanto esperamos pela actualização do próximo minuto, conhecemos a Miss ginástica de Cuba, com os seios bem bombados de cilicone, ou a top model perdida de amores por Messi com as mãos sobre os seios e olhar para o céu, todas com pouca roupa e em posições que fazem tremelicar até um homem de batina.
Espero poder estar viva para ver ser vendida na internet uma cerveja virtual para concretizar as fantasias masculinas. Porque não duvido que a pornografia seja o próximo passo...
Disparar contra crianças
"Ich mag kein Kinder!", em Português, não gosto de crianças, disse um alemão ontem aos seus amigos quando uma criança, acompanhada da sua mãe, sentou-se ao seu lado no autocarro. A criança, que ouviu, murchou logo e não mais abriu a boca de tanta tristeza, a mãe acariciou o filho e em silêncio disse: "eu gosto de crianças, eu amo-te". Minutos depois mãe e filho saíram do autocarro, e para o azar do alemão, mais uma criança sentou-se ao seu lado. E pensei cá com os meus botões: "É melhor mudares de planeta..."
Quando chegaram ao destino o filho disse a mãe: "estou muito triste..." A mãe não podia apenas pedir ao filho que ignorasse a facada, tinha de tentar curar um coração destroçado, apesar de estar também com o seu em frangalho. Quem acalenta o coração de uma mãe?
Ao longo do dia a criança comentava o o sucedido e perguntava: "mãe, ele é louco, não é?", e já no fim do dia finalizou: "Vou pedir a Deus para não sonhar com aquele senhor..."
Nascer adulto
Provavelmente o senhor que não gosta de crianças julga que nasceu adulto, ou então talvez preferisse ter nascido adulto. Isso penso eu com revolta, claro. Mas os motivos para ele não gostar de crianças podem ser muitos, e os dele só ele conhece. Uma prima minha dizia-me sempre: "Nádia, não gosto de crianças.", mas nunca o disse em frente a uma. Hoje é mãe de dois meninos, e eles são os mais que tudo da vida dela. O destino assim quis que aprendesse a gramar de crianças .
Liberdade de opinião vs Agressão
Cada um tem o direito de sentir, fazer e dizer o que pensa. Entretanto, a sensibilidade é um dos requisitos indispensáveis para se gozar correctamente da liberdade. É algo que ajuda a impor limites. Sim, limites, porque a liberdade também tem limites, embora muitos pensem que não, para o mal da humanidade...
Caso contrário, ela pode se tornar uma arma perigosa. Diz uma amiga, "o teu limite acaba onde começa o meu."
Acho que liberdade é algo nato, mas que deve ser trabalhado ao longo da vida. É algo também resultante de uma conquista. Hoje se defende tanto a liberdade, que muitos não trabalham para a legitimar. Muitos tem-na apenas como dado adquirido e disparam-na para qualquer um. Outras vezes até sem um alvo concreto, só descobrem a vítima depois de a ferirem, outros nem se preocupam com isso. Só espero que os fomentadores acérrimos desta faca de dois gumes, também comecem a pensar num antídoto. Não vão ser eles também ser vitimas do seu próprio doce veneno...
Quando chegaram ao destino o filho disse a mãe: "estou muito triste..." A mãe não podia apenas pedir ao filho que ignorasse a facada, tinha de tentar curar um coração destroçado, apesar de estar também com o seu em frangalho. Quem acalenta o coração de uma mãe?
Ao longo do dia a criança comentava o o sucedido e perguntava: "mãe, ele é louco, não é?", e já no fim do dia finalizou: "Vou pedir a Deus para não sonhar com aquele senhor..."
Nascer adulto
Provavelmente o senhor que não gosta de crianças julga que nasceu adulto, ou então talvez preferisse ter nascido adulto. Isso penso eu com revolta, claro. Mas os motivos para ele não gostar de crianças podem ser muitos, e os dele só ele conhece. Uma prima minha dizia-me sempre: "Nádia, não gosto de crianças.", mas nunca o disse em frente a uma. Hoje é mãe de dois meninos, e eles são os mais que tudo da vida dela. O destino assim quis que aprendesse a gramar de crianças .
Liberdade de opinião vs Agressão
Cada um tem o direito de sentir, fazer e dizer o que pensa. Entretanto, a sensibilidade é um dos requisitos indispensáveis para se gozar correctamente da liberdade. É algo que ajuda a impor limites. Sim, limites, porque a liberdade também tem limites, embora muitos pensem que não, para o mal da humanidade...
Caso contrário, ela pode se tornar uma arma perigosa. Diz uma amiga, "o teu limite acaba onde começa o meu."
Acho que liberdade é algo nato, mas que deve ser trabalhado ao longo da vida. É algo também resultante de uma conquista. Hoje se defende tanto a liberdade, que muitos não trabalham para a legitimar. Muitos tem-na apenas como dado adquirido e disparam-na para qualquer um. Outras vezes até sem um alvo concreto, só descobrem a vítima depois de a ferirem, outros nem se preocupam com isso. Só espero que os fomentadores acérrimos desta faca de dois gumes, também comecem a pensar num antídoto. Não vão ser eles também ser vitimas do seu próprio doce veneno...
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
A prenda dos moçambicanos a Guebuza pelos 70 anos
"Enquanto
as chuvas semeiam luto e vão deixando famílias, com crianças, sem
abrigo, com mosquitos, fome e luto, a insensível elite predadora deste
País encontrou rubrica no Orçamento do Estado para ir comer e beber à
fartura e em directo na TVM pública. Mil bocas naquela tenda e zero
tendas para vítimas do temporal” – Salomão Muchanga, presidente do Parlamento Juvenil
O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, fez 70 anos no dia 20 de Janeiro que foram celebrados com mesa farta, brilho, música e sorrisos, quase tudo transmitido pela TVM.
Diz-se que a vida não para por causa de uma desgraça. Mas também se diz que não se conta dinheiro em frente aos pobres. Na pratica foi o que o que aconteceu no passado domingo, com o patrocínio da televisão pública local, TVM. Ou melhor, com o patrocínio do pacato cidadão, afinal este canal é sustentado pelo dinheiro dos contribuentes. É caso para dizer que os moçambicanos apesar de desgraçados pelas chuvas deram um presente ao Presidente, mesmo sem o seu consentimento.
Mas surge-me uma dúvida, aniversários de um Presidente são considerados de interesse público para serem alvo de uma transmissão em directo?
Não gosto de hipocrisia, visitas de dirigentes aos afectados, discursos e promessas, que não são acompanhados de ações. Ouvi muitos criticarem o primeiro-ministro Alberto Vaquina por estar a visitar os órgãos de comunicação social em vez de visitar os afectados. Se tem uma agenda séria que a cumpra, afinal como sabemos a sua visita não ia mesmo melhorar em nada a situação. Chega de teatro. Agora o que o Presidente Armando Guebuza e seus próximos mostraram é que os seus umbigos e acompanhantes são maiores que tudo. O pior de tudo é saber que quando o Presidente fizer 71 anos a situação penosa se repetirá mais uma vez, como acontece há anos, sem que precauções sejam tomadas. Mas eu prefiro ser optimista e acreditar que a festa dele será mais discreta. A menos que queira demonstrar por A mais B que individualmente é mesmo bem sucedido na luta contra a pobreza absoluta...
O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, fez 70 anos no dia 20 de Janeiro que foram celebrados com mesa farta, brilho, música e sorrisos, quase tudo transmitido pela TVM.
Diz-se que a vida não para por causa de uma desgraça. Mas também se diz que não se conta dinheiro em frente aos pobres. Na pratica foi o que o que aconteceu no passado domingo, com o patrocínio da televisão pública local, TVM. Ou melhor, com o patrocínio do pacato cidadão, afinal este canal é sustentado pelo dinheiro dos contribuentes. É caso para dizer que os moçambicanos apesar de desgraçados pelas chuvas deram um presente ao Presidente, mesmo sem o seu consentimento.
Mas surge-me uma dúvida, aniversários de um Presidente são considerados de interesse público para serem alvo de uma transmissão em directo?
Não gosto de hipocrisia, visitas de dirigentes aos afectados, discursos e promessas, que não são acompanhados de ações. Ouvi muitos criticarem o primeiro-ministro Alberto Vaquina por estar a visitar os órgãos de comunicação social em vez de visitar os afectados. Se tem uma agenda séria que a cumpra, afinal como sabemos a sua visita não ia mesmo melhorar em nada a situação. Chega de teatro. Agora o que o Presidente Armando Guebuza e seus próximos mostraram é que os seus umbigos e acompanhantes são maiores que tudo. O pior de tudo é saber que quando o Presidente fizer 71 anos a situação penosa se repetirá mais uma vez, como acontece há anos, sem que precauções sejam tomadas. Mas eu prefiro ser optimista e acreditar que a festa dele será mais discreta. A menos que queira demonstrar por A mais B que individualmente é mesmo bem sucedido na luta contra a pobreza absoluta...
Finalmente a renegociação de megaprojectos em Moçambique
O governo moçambicano cedeu e disse em Dezembro passado que vai renegociar os benefícios fiscais com algumas multinacionais. Esta decisão acontece depois de uma longo finca pé do executivo, que alegava não querer por em causa a sua credibilidade. De lembrar que vários projectos de grande envergadura deixam muito pouco para os cofres do Estado, como por exemplo a Mozal. Face a isso a sociedade civil moçambicana fez grande pressão, tal como a comunidade internacional. Sobre o recuo do governo a DW África ouviu o economista Hélder Chambisse:
Hélder Chambisse: Julgo que poderá parecer uma cedência, mas a cima de tudo é na minha opinião uma resposta do governo a própria dimanica das economia. Se antes falávamos de megaprojectos de forma isolada, hoje falamos de megaprojetos que surgem de forma significativa. É uma resposta do governo a esta dinâmica e adequação do grau de atractividade, já não precisamos de benefícios fiscais para atrais investimentos, mas há outros incentivos que devem ser oferecidos ao capital estrangeiro.
Nádia Issufo: Mas o governo cedeu depois de um longo finca pé. Na sua opinião a que se deveu este recuo? A pressões internas, ou a pressões externas, nomeadamente a dos doadores?
HC: Julgo que pressões sempre existirão mesmo neste quadro em que o governo está aberto a rever os incentivos outras pressões surgirão, porque acima de tudo é preciso balançar os interesses nacionais com o capital estrangeiro e o governo está no meio e deve providenciar um balanço por forma a criar atractividade por um lado, criar incentivos para que o capital estrangeiro continue a vir. Há que ter um ganho porque o capital vem cá para isso, mas acima de tudo o interesse nacional, não só termos de emprego, mas fundamentalmente em termos de impacto sobre a produção nacional, sobre o emprego e recitas do Estado. Portanto, houve pressão de ambas as partes, e o governo naturalmente teve de fazer este ajustamento.
NI: Com este recuo do governo quais são os benefícios concretos que o país pode ter?
HC: Acima de tudo mais receitas, e com isso canalizar mais recursos para a a economia, projectos sociais, maior equidade em termos de carga fiscal sobre o capital nacional e estrangeiro, porque a carga fiscal é pesada para o investidor, mas havia mais abertura para incentiv0os fiscais para o capital estrangeiro, há mais equidade.
NI: O Parlamento aprovou em 2012 uma lei complementar sobre parcerias público privadas, projectos de grandes dimensões que permitirão a renegociação de clausulas de contratos com megaprojectos por acordo mutuo, cujo conteúdo será parcialmente tornado público. A aprovação de instrumento legal depois de uma grande batalha pode-se considerar um grande passo ou nem por isso?
HC: Na minha opinião é um passo da direcção certa. As parcerias público-privadas são uma forma muito importante de assegurar que investimentos em infraestruturas e noutros projectos onde sejam necessários grandes recursos. por exemplo, o sector privado ou não se sentia em condições, ou atarido a investir. Então ele tem capacidade limitada de investir. Existindo uma plataforma legal confere-se mais transparência e benefícios claros a eventuais investidores.
Hélder Chambisse: Julgo que poderá parecer uma cedência, mas a cima de tudo é na minha opinião uma resposta do governo a própria dimanica das economia. Se antes falávamos de megaprojectos de forma isolada, hoje falamos de megaprojetos que surgem de forma significativa. É uma resposta do governo a esta dinâmica e adequação do grau de atractividade, já não precisamos de benefícios fiscais para atrais investimentos, mas há outros incentivos que devem ser oferecidos ao capital estrangeiro.
Nádia Issufo: Mas o governo cedeu depois de um longo finca pé. Na sua opinião a que se deveu este recuo? A pressões internas, ou a pressões externas, nomeadamente a dos doadores?
HC: Julgo que pressões sempre existirão mesmo neste quadro em que o governo está aberto a rever os incentivos outras pressões surgirão, porque acima de tudo é preciso balançar os interesses nacionais com o capital estrangeiro e o governo está no meio e deve providenciar um balanço por forma a criar atractividade por um lado, criar incentivos para que o capital estrangeiro continue a vir. Há que ter um ganho porque o capital vem cá para isso, mas acima de tudo o interesse nacional, não só termos de emprego, mas fundamentalmente em termos de impacto sobre a produção nacional, sobre o emprego e recitas do Estado. Portanto, houve pressão de ambas as partes, e o governo naturalmente teve de fazer este ajustamento.
NI: Com este recuo do governo quais são os benefícios concretos que o país pode ter?
HC: Acima de tudo mais receitas, e com isso canalizar mais recursos para a a economia, projectos sociais, maior equidade em termos de carga fiscal sobre o capital nacional e estrangeiro, porque a carga fiscal é pesada para o investidor, mas havia mais abertura para incentiv0os fiscais para o capital estrangeiro, há mais equidade.
NI: O Parlamento aprovou em 2012 uma lei complementar sobre parcerias público privadas, projectos de grandes dimensões que permitirão a renegociação de clausulas de contratos com megaprojectos por acordo mutuo, cujo conteúdo será parcialmente tornado público. A aprovação de instrumento legal depois de uma grande batalha pode-se considerar um grande passo ou nem por isso?
HC: Na minha opinião é um passo da direcção certa. As parcerias público-privadas são uma forma muito importante de assegurar que investimentos em infraestruturas e noutros projectos onde sejam necessários grandes recursos. por exemplo, o sector privado ou não se sentia em condições, ou atarido a investir. Então ele tem capacidade limitada de investir. Existindo uma plataforma legal confere-se mais transparência e benefícios claros a eventuais investidores.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Rússia em África
O anunciado empréstimo de dois mil milhões de dólares a Luanda em Novembro passado por parte do segundo maior banco russo, VTB, e a atribuição da Ordem de Honra ao Presidente angolano, José Eduardo dos Santos por Moscovo, a quando da sua vitória na eleições de 2012, são apenas algumas das evidências de um retorno, novamente com força da Rússia, a Angola. Porque afinal dizer que os interesses russos estiveram fora de Angola na totalidade não constitui verdade. Alias, alguns angolanos costumam lembrar-me sempre que a filha do Presidente angolano, Isabel dos Santos, uma das mulheres mais ricas de África segundo a revista Forbes, é filha também de uma russa...
No caso de Moçambique e Zimbabué a Rússia poderá matar dois coelhos numa cajadada só. A maior empresa russa de exploração de petróleo, Rosneft, disse recentemente que pretende construir um oleoduto entre Moçambique e o Zimbabué, avaliado em 500 milhões de euros. Ora vejamos, o Zimbabué em termos energéticos sobreviveu até a pouco graças ao petróleo líbio. Com o fim do governo de Muammar Kadhafi, e a entrada da mão ocidental nas petrolíferas líbias, pouco ou nada deve estar a jorrar para os tanques do Zimbabué. Quererá Moscovo aproveitar esta brecha para dominar este mercado, já que a União Europeia impôs sanções a Harare?
Outra questão: o Zimbábue depende dos portos moçambicanos para a sua sobrevivência, principalmente o da Beira. Mesmo que o petróleo não seja russo, já que alguns consideram que o país não capacidade de fornecer o combustível a ninguém, este não deixa de ser um bom negócio para os russos. Que contra partidas pode a Rússia obter? Não nos esqueçamos que a economia zimbabweana é tão débil que dificilmente consegue créditos. Também os seus "irmãos" não tem tanta capacidade para ajuda-lo, para além de que quem tem dinheiro, o sancionou. O que significa que Harare pode ficar nas mãos de Moscovo, e Moscovo não é(ra) a Líbia.
No que se refere a Moçambique, já sabemos que é agora a nova menina dos olhos lindos em África. As recentes descobertas de gás, carvão mineral, e provavelmente petróleo, atraiem interesses. E a Rússia começa a mostrar o seu. Por outro lado, Moscovo pode também se posicionar como "facilitador" entre dois irmãos.
Outra questão, a vontade e luta destes países africanos para se verem livres da dependência ocidental, está a catapulta-los para outros "parceiros". A China é o número um, o Irão já dá os primeiros passos. A Rússia apenas reassume. No caso de Moçambique, os chamados doadores, G-19, anunciam a cada dia a diminuição de apoio ao Orçamento de Estado.
É verdade que há espaço para "todos", mas também é verdade que as brechas criadas pelo ocidente, devido também as suas exigências duvidosas de origem grega, para além da sua excessiva intromissão em governações alheias.
A Rússia, ao que tudo indica, prepara-se para re-assumir um papel de destaque em termos geopolíticos e economicos em África.
No caso de Moçambique e Zimbabué a Rússia poderá matar dois coelhos numa cajadada só. A maior empresa russa de exploração de petróleo, Rosneft, disse recentemente que pretende construir um oleoduto entre Moçambique e o Zimbabué, avaliado em 500 milhões de euros. Ora vejamos, o Zimbabué em termos energéticos sobreviveu até a pouco graças ao petróleo líbio. Com o fim do governo de Muammar Kadhafi, e a entrada da mão ocidental nas petrolíferas líbias, pouco ou nada deve estar a jorrar para os tanques do Zimbabué. Quererá Moscovo aproveitar esta brecha para dominar este mercado, já que a União Europeia impôs sanções a Harare?
Outra questão: o Zimbábue depende dos portos moçambicanos para a sua sobrevivência, principalmente o da Beira. Mesmo que o petróleo não seja russo, já que alguns consideram que o país não capacidade de fornecer o combustível a ninguém, este não deixa de ser um bom negócio para os russos. Que contra partidas pode a Rússia obter? Não nos esqueçamos que a economia zimbabweana é tão débil que dificilmente consegue créditos. Também os seus "irmãos" não tem tanta capacidade para ajuda-lo, para além de que quem tem dinheiro, o sancionou. O que significa que Harare pode ficar nas mãos de Moscovo, e Moscovo não é(ra) a Líbia.
No que se refere a Moçambique, já sabemos que é agora a nova menina dos olhos lindos em África. As recentes descobertas de gás, carvão mineral, e provavelmente petróleo, atraiem interesses. E a Rússia começa a mostrar o seu. Por outro lado, Moscovo pode também se posicionar como "facilitador" entre dois irmãos.
Outra questão, a vontade e luta destes países africanos para se verem livres da dependência ocidental, está a catapulta-los para outros "parceiros". A China é o número um, o Irão já dá os primeiros passos. A Rússia apenas reassume. No caso de Moçambique, os chamados doadores, G-19, anunciam a cada dia a diminuição de apoio ao Orçamento de Estado.
É verdade que há espaço para "todos", mas também é verdade que as brechas criadas pelo ocidente, devido também as suas exigências duvidosas de origem grega, para além da sua excessiva intromissão em governações alheias.
A Rússia, ao que tudo indica, prepara-se para re-assumir um papel de destaque em termos geopolíticos e economicos em África.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
O Autocarro da meia noite
O motorista ao volante vai soltando umas baforadas de cigarro pela janela, ignorando tranquilamente o letreiro que proíbe fumar e, pior, os passageiros, tal como os seus amigos ignoram o letreiro que proíbe passageiros de permanecerem ao lado do motorista com o seu consentimento. O condutor também se torna mágico e transforma o passageiro que o cumprimenta e obrigatoriamente exibe o passe em algo invisível, se entra dinheiro ou não para a SWB não parece ser sua preocupação. Na estação central cada motorista liberta o seu lado adolescente e não respeita os códigos, e para que encarnem na perfeição o "dezoitão" fica só a faltar a música aos altos berros. Eles empatam-se uns aos outros conversando no meio da estrada, e de vez em quando um e outro se atrasa, deixando os passageiros dependentes (depois da meia noite não muitos meios de transportes públicos) apreensivos. Entretanto, o autocarro já está lá estacionado há muito tempo.
Acreditem, é o seu momento de liberdade ou pior, "casa da mãe Joana". Curiosamente, há uns tempos controladores da SWB, alemães, passaram a trabalhar a "meia-noite". Garanto-vos, quase não se dirigiam aos seus colegas motoristas. Vezes vi em que se confrontavam, embora que discretamente. Os controladores as vezes repetiam o trabalho do motorista; verificar mesmo se o passageiro tinha bilhete, entre outras coisas.
É dos poucos momentos em que me confundo e penso que estou na minha terra e não em Bona. Geralmente os africanos, ou não ocidentais, são considerados indisciplinados ou desregrados. Coincidência ou não, a maioria dos motoristas da "meia-noite" nesta cidade são estrangeiros. Uma vez uma amiga em Bona esperava pelo autocarro ou metro que estava atrasado e ouviu de um velho alemão: "os motoristas são estrangeiros por isso o autocarro está atrasado..." A minha amiga que não é alemã ficou boquiaberta.
Entretanto os atrasos dos meios de transporte nesta cidade são o pão de cada dia, embora os preços subam desavergonhadamente. Uma vez queixei-me, e o funcionário, estrangeiro, disse que era devido ao tráfego.
Paradoxalmente, neste país onde predomina o gelo, humano e no meio ambiente, o motorista mais simpático que encontrei não era alemão. Também já vi motoristas estrangeiros a fazerem respeitar os letreiros do autocarro, como por exemplo a impedir que um passageiro terminasse o seu pedaço de pizza ou algo do género.
Enfim, situações contraditórias que não podem servir para generalizar comportamentos, mas que mexem muito com um estrangeiro.Acreditem, é como ter um tsunami dentro de cérebro...
Acreditem, é o seu momento de liberdade ou pior, "casa da mãe Joana". Curiosamente, há uns tempos controladores da SWB, alemães, passaram a trabalhar a "meia-noite". Garanto-vos, quase não se dirigiam aos seus colegas motoristas. Vezes vi em que se confrontavam, embora que discretamente. Os controladores as vezes repetiam o trabalho do motorista; verificar mesmo se o passageiro tinha bilhete, entre outras coisas.
É dos poucos momentos em que me confundo e penso que estou na minha terra e não em Bona. Geralmente os africanos, ou não ocidentais, são considerados indisciplinados ou desregrados. Coincidência ou não, a maioria dos motoristas da "meia-noite" nesta cidade são estrangeiros. Uma vez uma amiga em Bona esperava pelo autocarro ou metro que estava atrasado e ouviu de um velho alemão: "os motoristas são estrangeiros por isso o autocarro está atrasado..." A minha amiga que não é alemã ficou boquiaberta.
Entretanto os atrasos dos meios de transporte nesta cidade são o pão de cada dia, embora os preços subam desavergonhadamente. Uma vez queixei-me, e o funcionário, estrangeiro, disse que era devido ao tráfego.
Paradoxalmente, neste país onde predomina o gelo, humano e no meio ambiente, o motorista mais simpático que encontrei não era alemão. Também já vi motoristas estrangeiros a fazerem respeitar os letreiros do autocarro, como por exemplo a impedir que um passageiro terminasse o seu pedaço de pizza ou algo do género.
Enfim, situações contraditórias que não podem servir para generalizar comportamentos, mas que mexem muito com um estrangeiro.Acreditem, é como ter um tsunami dentro de cérebro...
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