terça-feira, 13 de julho de 2010

Planos dos governos distritais e muncipais em Moçambique concretizados parcialmente



Em Moçambique o desempenho dos governos distritais continua aquém do palnificado. Esta foi a conclusão alcançada pelas organizações da sociedade civil do país depois de um trabalho de monitoria de governação local em seis governos distratais. Paulo Gentil, que coordena o grupo composto pela Associação Moçambicana para o Desenvolvimento de Democracia, AMODE, Centro de Integridade Pública-CIP, Grupo Moçambicano da divida e Lida dos Direitos Humanos, falou mais osbre este trabalho a Deutsche Welle...

NI: O que na vossa óptica dificultou o desempenho do governo?
PG: Embora os governos tenham melhorado o seu desempenho eles continuam a não realizar cerca de metade das actividades planificadas. A nível dos distritos temos um instrumento que se chama PESOD, Plano Económico-Social e Orçamento do Distrito. São dois documentos que se devem casar, mas a lógica da planificação, é uma lógica que não encaixa o plano e o orçamento porque primeiro é feito plano sem as autoridades locais saberem na verdade de quanto irão dispor, então uma vez aprovados esse plano económico-social que reflecte as necessidades do distrito e, que devem ser apontadas não só pelos membros do governo mas também pelos órgãos de participação e consulta comunitária. Então, eles planificam o mais urgente para distrito, mas até o Orçamento de Estado ser aprovado em Maputo há uma data de cortes nas actividades. Por um lado o PESOD é apresentado no inicio do ano e quando vem o orçamento já é um outro documento. Então, esta lógica de planificação dificulta em muito o desempenho dos governos locais. Por outro lado há os parceiro externos ao Orçamento de Estado, mas depois há os projectos por sector. Há doadores que dizem que vão financiar e por vezes eles também se atrasam a fazer os desembolsos e isto tudo tem impacto no desempenho dos governos distritais.

NI: Estamos então a falar de uma lógica flutuante, na medida em que ela é uma lógica dependente...
PG: Tu chamas flutuante, ok, podemos dizer que é flutuante porque os governos planificam sem saber na realidade qual o montante que será alocado ao distrito.

NI: Na vossa óptica vale apena continuar a envolver os doadores na planificação dos distritos e municípios?
PG: Em muitos distritos já estão preocupados com isso, o próprio ministério das finanças, o sentimento que tenho dos administradores com quem temos estado a trabalhar é que mesmo que sejam poucas as actividades a realizar, eles vão se concentrar num número pequeno de actividade de alto impacto na diminuição da pobreza e no melhoramento da vida da população e depois então ter uma lista secundária, uma lista que se houver fundos avançam para ai. Portanto, há já muita atenção para este ponto.

NI: Relativamente ao que o governo tem anunciado quanto ao seu próprio desempenho nessa área, e o que constataram no terreno há uma coincidência no cumprimento de planos?
PG: Primeiro estamos muitos conscientes da limitação do nosso trabalho, estamos a falar de trabalho que foi feito em seis distritos dos cento e vinte oito existentes, estamos a falar de três municípios dos trinta e três existentes, agora são quarenta e três. Então, nesses locais não tínhamos a capacidade de acompanhar todo o plano econômico-social. Há ilações que se pode tirar, fazer-se projecções para outros distritos, achar-se que as situações são semelhantes, mas essa é uma fraqueza do nosso relatório e seria mais custoso, que era fazer o cruzamento dos dados, mas no que diz respeito ao nosso Relatório, sim há um cruzamento de dados porque consultamos o balanço anual do governo distrital, mas penso que o governo por vezes dá uns níveis mais altos do que os que constatamos. Ma isso é discutível, e não era por ai que queríamos entrar, até porque essa auditória não é contra o governo, não pretendemos substituir o governo ou hostilizá-lo. O que pretendemos é uma melhoria do desempenho autárquico e municipal, da qualidade dos serviços prestados aos cidadãos. Nos locais onde trabalhamos criamos confiança com os nossos parceiros e as nossas conclusões são bem aceites e finalmente e temos uma maior consciencialização da população nos processos governativos. Esses são os objectivos que nos propunhamos a tingir, e estamos a conseguir.

NI: Relativamente ao nível de descentralização, há ainda há uma grande dependência?
PG: podemos dizer que está a andar devagar, mas a descentralização é um processo irreversível. Agora, tem constrangimentos, não segue a velocidade desejada é outro assunto, mas a descentralização está em marcha.

NI: Todos os municípios onde estiveram registam os mesmo problemas? Ou as dificuldades variam de lugar para lugar consoante as especificidades locais?
PG: As dificuldades são similares, mas depois acontece que, a Nádia sabe que na Alemanha existe uma frase que é “Der subjective role der ” depois o papel subjectivo do dirigente, se é mais dinámico ou não, pode fazer as coisa correm melhor, se ele envolve as comunidades, se é cuidadoso na gestão financeira, se sabe procurar oportunidades de parcerias, então isso faz a diferença. Mas em geral as dificuldades são semelhantes e comuns ou Standards aos diferentes municípios.


quarta-feira, 7 de julho de 2010

A terra prometida tem carrascos a porta...


A Itália e a Líbia assinaram, a 29 de Dezembro de 2007, um acordo para controlo da emigração clandestina do continente africano para Itália.
Enquanto o país europeu fornece equipamento de fiscalização e constitui um elo de ligação entre a Líbia e a União Européia, o país de Muammar Kadafi faz os seus lobbies com os países da sua União Africana para diminuir o emigração clandestina.
De lá até aqui a vida dos clandestinos tornou-se mais dura, os centros de detenção na Libia são desumanos e os detidos são executados em circunstâncias meio nubladas, como se pode ler num artigo do seguinte endereço: http://www.mwglobal.org/ipsbrasil.net/nota.php?idnews=6033
E para dar maior campo a estes actos não claros outras medidas foram tomadas. Por exemplo, o governo do pai da Unidade Africana mandou, no último dia 8 de Junho, encerrar o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), alegando que não assinou o documento de Genebra subjacente a este tema.
Estou a falar de atrocidades e violação de direitos humanos. Também de impunidade e com o aval de vinte sete países (que tem a Itália como elo de ligação???) Esses mesmos países que acusam Kadafi de dar guarida e apoio a terroristas, aos quais combatem energicamente. Esses mesmos países que se consideram e são também considerados exemplos de democracia e respeito pelos direitos humanos, que chamam o pai da Unidade Africana de ditador, e que investem na lavagem de cérebros do colectivo africano e na posterior introdução de novos conceitos detonam todo o seu próprio esforço sorrateiramente com acordos mais aniquiladores com esses “ditadores”.
Quem é o maior sacana?
Ontem a oposição italiana acusou o governo de não se importar com os 245 refugiados eritreus devolvidos pelas autoridades do país sob condições desumanas. Defensores de direitos humanos também reagiram e pedem ao governo italiano que lhes conceda asilo político justificando que os mesmos foram muito maltratados durante a sua detenção. De recordar que está em vigor desde o ano passado um acordo entre a Itália e a Líbia sobre a deportação de imigrantes interceptados no mar para o país africano.
Agora o governo italiano deve dar explicações sobre o caso no Parlamento depois de pressões da oposição. Mais para ler em:  http://www1.folha.uol.com.br/mundo/762995-oposicao-acusa-governo-da-italia-de-deixar-libia-maltratar-refugiados.shtml

quinta-feira, 24 de junho de 2010

World Cup in South Afrika: Helloooo......Surprise!

Quem diria que um estreante da maior festa de futebol do globo iria mandar para a casa a grande "squadra azurra"?
A Itália, que é o actual campeão do mundo, teve o seu passaporte carimbado pela Eslováquia nesta quinta-feira... Como se diz o mundo dá mesmo muitas voltas....
Igual situação viveu a França que já está em casa depois de receber o adeus definitivo da selecção anfitriã do mundial no último dia 22. A África do Sul é associada facilmente ao rugby... O futebol neste país não é ainda muito tradicional, mas conseguiu fazer com que os "azuis" arrumassem as botas muito cedo...
realmente a bola é redonda... E gira por vários pés!!!
Os conceitos "clássico" e "tradicional" cairam por terra neste evento, ou começam a cair...
Além disso, este mundial está a ser marcado também um pouco por escandalos... A França atirou toda a merde
para a ventoinha e agora o presidente Nicolas Sarkozy pede contas a Thierry Henry. A inglaterra conseguiu se "evidenciar" menos, mas a media informa que a tensão se abateu sobre aquela selecção. Ouvi dizer que a situação da França se assemelha um pouco a dos sul-africanos, parece que os jogadores e o povo lá preferem o anterior selecionador... Mas souberam "partir a loiça" em privado...  Eles sabem fazer "barulho" sim, mas é de outra maneira... Com as vuvuzelas! Este instrumento que constituem para alguns um escandalo, leva a milhas de algumas equipas do velho continente...

sábado, 19 de junho de 2010

Quando a coisa nem sempre é a coisa...


12 de Junho é o aniversário de Adelina Eurídice de Vasconcelos. Este ano ele fez 20 anos. Por sorte ou azar nasceu num dia importante, o dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. Festejou o aniversário como quis, com os amigos e ganhou muitos presentes (incluindo o meu) contou-me a mãe dela. 
Depois de ler as habituais notícias sobre a data com números assustadores na última semana viajei no tempo e lembrei-me que ela não foi devidamente "explorada" pelos pais quanto as pessoas da idade dela que vivem em Moçambique.
Não teve de ir comprar pão diariamente, de ajudar nas limpezas de casa,
cozinhar e nem de ajudar os pais nos negócios extras para ajudar no sustento da família. Como se diz na minha terra “teve sorte”... E eu diria nalguns momentos “teve azar”...
Organizações de defesa da criança e OIT esforçadamente lutam para por termo a exploração de mão de obra infantil e em paralelo consciencializam o mundo com os seus relatórios e estudos sem fim sobre a situação. Li informações como estas: “...ao nível mundial, mais de 200 milhões de crianças, com idades compreendidas entre cinco e dezassete anos, estão envolvidas no trabalho infantil, sendo aproximadamente 26 por cento desse número no continente africano.”
Essas organizações reconhecem que o trabalho infantil está associado, para além do lado económico, a razões culturais e sociais.
Ora, havendo o RECONHECIMENTO da existência desses factores até onde o assunto é relativizado? Há exagero ou não? De quem é a criação do conceito? Há alguma tentaiva de alcance de um meio termo sobre o conceito entre quem define os padrões de exploração infantil e as sociedades que “enfermam” desse mal? São questões que tomam de assalto a minha cabeça sempre que tenho de falar sobre o assunto. Pergunto-me ainda o que é afinal trabalho infantil? Quando se considera que uma criança está a ser explorada? Quem deve definir o que é trabalho infantil? 
Como moçambicana considero “normal” e “justo” que todos os membros de uma família contribuam para o seu próprio bem estar. E quando ela é pobre as obrigações dos seus membros se tornam maiores. Os mais velhos com maiores responsabilidades, claro. 
Mas qual é o mal de uma criança de 12 anos vender água a porta de casa a tarde depois de ter ido a escola de manhã? Ou de ir buscar água a fontenária ou de cuidar dos seus irmãos mais novos? 
E me pergunto mais uma vez: fará este grupo parte dos 200 milhões de crianças exploradas que constam de mais um relatório?
Se sim, então solidariedade, inter-ajuda e humanismo são exploração considerando este modelo. Mas no modelo da sociedade onde nasci a isto se chama sobrevivência e também AMOR...
E aposto que alguns dos que escrevem estes relatórios calçam sapatilhas de uma grande marca internacional produzidas por uma empresa asiática que se aproveita da mão de obra infantil...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Deixa-me txopelar...


...senão atraso-me ao serviço só de tentar procurar lugar para estacionar o meu carro... Pensam e fazem assim muitos condutores da capital moçambicana, principalmente na baixa da cidade. E não são só estes os utentes deste “novo” meio de transporte, que num passado não muito distante era também conhecido por badjadje. Para quem faz saídas “rapidinhas” um txopela é a melhor solução. Portanto, esta é a sensação em Maputo e a grande solução, pelo menos no momento, para o trânsito que está cada vez mais abarrotado de viaturas. Em Setembro de 2009 via eu no interior dos “txopelas” turistas. Hoje os nacionais descobriram que este carrito (ou mota...) serve não só para ter um bom ângulo para fotografias e sentir desmesuradamente os agradáveis ares do hemisfério sul, eles facilitam mesmo a vida!
Em Abril, o assunto do dia a dia era a solução para as “rapidinhas”! Um pouco por toda a cidade os amarelos e verdes e azuis e brancos dominavam as ruas. E para fotografá-los era necessário pagar... É esse o problema, ficaram espertos demais e vem lucro em tudo... Como se não bastasse tirar vantagem das “necessidades” dos maputenses...



Se o parque automóvel continuar a aumentar e o tráfico caminhar para o caos, ou melhor, estagnar no caos, não sei que solução os moçambicanos encontrarão. Porque se ficarem a espera que alguma solução apresentada pelas autoridades se imponha, nem as motorizadas terão espaço nas estradas de Maputo em breve. Aliás, o negócio de futuro na capital será o taxi motorizado. Tal como acontece na Tanzânia e noutros lugares do mundo. Penso eu já em abrir o meu stand de motorizadas... E nessa altura os maputenses deixarão de “txopelar” para serem “manhiçados” entre os “durbanzinhos”...
O conceito do “se não fosse eu” é realmente evolutivo... Ontem o repolho e o carapau, e depois o durbanzinho, agora o txopela, amanha o ...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Caso Bashir Selemane e a chamada de atenção ao governo moçambicano

O caso Momed Bashir Selemane, tal como o caso dos prováveis treinos a terroristas em Moçambique, é um aviso sério do governo de Barack Obama ao governo de Armando Guebuza. O que nos faz perceber que anteriormente chamadas de atenção foram feitas a nível das "quatro paredes" mas sem resposta... Esta é a opinião do jornalista e proprietário do semanário moçambicano Savana, Fernando Lima. O homem disse mais coisas em relação ao tema que é assunto em Moçambique aos microfones da Deutsche Welle... 





Nádia Issufo: Caso se confirme que Bashir Selemane é um “barão das drogas” como diz o governo norte-americano, o que isto pode significar para a imagem do partido no poder que foi muitas vezes financiado pelo visado?
Fernando Lima: Se essa possibilidade se confirmar é um grande embaraço para o partido Frelimo.  De qualquer forma temos que começar pelo início, ou seja, é preciso que haja provas em relação a todas estas questões. Não obstante já ser um posicionamento político muito forte o facto de a ordem de colocar o senhor Bashir como barão de droga por parte do presidente da administração norte-americana ser um sinal político muito, muito forte.


NI: Pode se considerar a Frelimo uma força credível se se confirmar que o senhor Bashir está envolvido no tráfico de droga?
FL: A Frelimo tem muitos outros pontos sensíveis e muitas outras realizações que não apenas o facto de ter um militante chamado Mohamed Bashir Selemane. Claro que isso tem implicações graves, mas a vida não acaba e nomeadamente para um partido com referências como é o partido Frelimo pelo facto de ter um dos seus militantes nomeado como barão de droga

NI: Como pode ser interpretado este gesto do governo norte-americano de distribuir o comunicado de imprensa sobre este assunto directamente as empresas de media moçambicanas sem que houvesse uma informação ou comparticipação das autoridades moçambicanas?
FL: Isso é o que aparece como imagem publica. O que é facto é que as autoridades americanas nos últimos anos tem passado muitos avisos as autoridades moçambicanas sobre o tráfico de drogas em Moçambique, sobre o envolvimento de grandes figuras da polítca moçambicana, pessoas muito bem colocadas no exercito, nomeadamente generais na reserva que estão envolvidos no tráfico de drogas. Aparentemente o governo moçambicano ou não actuou, ou não pareceu dar ouvidos as chamadas de atenção da administração americana e das suas agências especializdas. Álias, não é só a admnistração americana que tem feito esses avisos, agências especializadas das Nações Unidas tem feito idênticos avisos e tem produzido relatórios sobre o tráfico de drogas em Moçambique, nomeadamente a utilização de Moçambique como corredor, sitio de trânsito de droga entre a Asia e a Europa, entre a América Latina e a Europa. Pelo canais formais, nomeadamente diplomáticos, o governo está mais que avisado desta situação, não especificamente ao senhor Mohamed Bashir Selemane, mas em relação ao tráfico de drogas em geral. 

NI: Acha normal que até a esta altura a Frelimo não se tenha pronunciado sobre esta informação?
FL: Num governo normal eu acho que a esta hora um governo democrático e transparente já se teria pronunciado. No entanto, não é esta a pratica do governo moçambicano, ele tem uma atitude tradicionalmente arrogante em relação aos media. Neste caso eu diria que está a tomar uma atitude muito cautelosa, nomeadamente a equacionar uma série de elementos em relação a esta situação e só depois tomará posição. Mas estou certo que o fará, uma vez que em 48 horas o próprio presidente da República ragiu a uma sugestão de que haveria campos de treino para elementos da Al-Qaeda em Moçambique. Este é também um sério aviso da admnistração americana ao governo moçambicano, neste caso por interposta entidade, ou seja, foi através de uma entidade privada que se dedica a assuntos de segurança que foi feita a referência da existência de campos de treinos.  De qualquer forma o presidente da República reagiu a essa questão e estou certo que o governo de Moçambique reagirá a esta situação uma vez que isso tem um tremendo impacto em Moçambique. E certamente que os media moçambicanos vão dedicar uma larga atenção ea esta situação.

NI: Acredita que estes dois assuntos estão relacionados de alguma maneira?
FL: Estão relacionados em termos de estratégia norte-americana a Moçambique. O governo norte-americano mostrou um grande descontentamento e inconformismo em relação a forma como o governo tratou as últimas eleições em Moçambique. Portanto, questões que normalmente são tratadas por canais diplomáticos quando existe um mal estar, entre dois governos, e quando há uma relação de desigualdade, afinal o governo americano é um governo com comportamento de grande potência e arrogância em relação a outros governos, e nomeadamemte aos mais fracos, como é o caso de Moçambique.  portanto, o facto de estas noticias virem a público, acho que é claramente um sinal polÍtico da admnistração norte-americana enviado as autoridades moçambicanas do descontentamento, nomeadamente com questões, que tem a ver com democracia e transparência governativa. 

Caso queira ouvir parte desta entrevista selecione emissão da noite de 2 de Junho no seguinte endereço:  
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Uma maçaroca queimada ao lado do ópio?

Depois de muito tempo parece que veio a tona o que muitos moçambicanos, e não só, suspeitavam: que o senhor Bachir Selemane está envolvido no tráfico de drogas. Se as autoridades moçambicanas optaram por fingir que tudo o que o rodeava era normal, e até certo ponto ser conivente com ele, outros que preferem normalmente usar adequadamente os olhos que tem na cara e igualmente usar parte da sua massa cinzenta, decidiram tomar uma atitude.
O governo de Barack Obama considera-o "barão da droga" e aconselha aos seus cidadãos a não fazerem negócios com o cidadão moçambicano Bachir Selemane bem como decidiu congelar os bens dos seus três negócios na Estados Unidos da América. Mais para ler em:   
http://www.bbc.co.uk/portugueseafrica/news/story/2010/06/100602_usmozdrugslv.shtml
http://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-and-releases
Em paralelo a este escandalo está o facto de o partido no poder, a Frelimo, ter sido financiado diversas vezes nas suas campanhas eleitorais pelo senhor Bashir Selemane. Quem não se lembra do cachimbo do presidente Guebuza que foi leiloado numa dessas festas organizadas pela Frelimo (ou pelo senhor Bashir..)? Quantas vezes o suposto narcotraficante não foi o grande arrematador dos pertences da Frelimo ou do presidente de Moçambique?
A confirmar-se este facto, poderemos afirmar que o maior partido, e que por acaso dirige Moçambique, foi financiado pela droga... Sendo assim, quantas pessoas mais não terão se beneficiado desse suposto dinheiro sujo? Até os grandes jornalistas que são os assessores do partido do batuque e da maçaroca que de tudo fazem para ter a boca limpa tem agora as mãos sujas... Isso para não falar do povo que muitas vezes vestiu a camisola do partidão sem saber as suas origens...
Se assim for, restará a este partido alguma credibilidade? Quando o nosso próprio presidente é o grande leiloeiro? Afinal o senhor Bashir poderá ter usado muito a vontade o território moçambicano para fazer circular as suas mercadorias, entre outras coisas... O que foi leioloado e os moçambicanos não sabem? E por causa disso quanto eles foram prejudicados?
E o mais caricato foi ver o governo norte-americano passar por cima do governo moçambicano e distribuir comunicados de imprensa pelas empresas de media em Moçambique. O que se pode depreender deste gesto?
E são 17:30 e a Frelimo, ou o governo, não se manifestou até ao momento. Mas a notícia já é conhecida desde o início da manha...