Sanções há muito na boca de meio mundo
No Irão Teerão?
Individualidade na acção pedem congressitas nos EUA
No Irão Teerão?
Se não ela, então ela...
No Irão Teerão?
Meio mundo quer o urânio fora da terra do Ayatollah
No Irão Teerão?
Os 27 apoiam manifestações pró-democracia na terra da Revolução
No Irão Teerão?
Mais furdunço, maka...
Irão para Teerão agora?
Procura-se a legitimidade?
Ou não?
"Filho, vai para a escola aprender a vencer sem ter razão", disse a mãe de um famoso escritor africano no tempo colonial. O conselho continua atual.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
“Fúria Divina” ou “Ritos de Iniciação” a actualidade
José Rodrigues do Santos, o jornalista português, lançou recentemente (finais de 2009) o livro “Fúria Divina”, obra que devorei rapidamente. E viajei logo para as “chuingas” muito comercializadas em Moçambique da marca chappie, estou a falar de pastilha elástica... E as embalagens das “chuingas” dizem no seu interior “did you know... something”, ou seja, sabias que... alguma coisa.
Resumindo: primeira impressão é de que é um livro de iniciação. É o “bê-a-ba” a muitas coisas, principalmente a duas ou três: ao Islão (nas suas diferentes perspectivas) e ao “terrorismo” (que na verdade pode ser uma conseqüência de uma das interpretações do Islão). O alerta de perigo para aqueles que pensam que não fazem parte do foco do "terrorismo" foi outra mensagem que entendi, embora esta seja uma história de ficção como o próprio autor diz...
DIGERINDO CONHECIMENTO
"Amanhã é o primeiro dia do mês de Moharram e vamos celebrar a Hégira." disse o Mullah. Fez uma pausa para beber um trago de chá. "Sabes o que é?" "É a fuga do Profeta para Medina, xeque."
Isto lê-se na página 41 e se repete SEMPRE no livro de 583 páginas. Na minha opinião o autor pecou por excesso quando por exemplo mostra a ignorância de uma conceituada operacional da CIA, Rebecca Scott, com experiência de combate no Afeganistão em relação ao Islão, História, etc... Ilustro:
"O que tem o petróleo a ver com isto?"
...
"Dinheiro"... "O petróleo enriqueceu os Sauditas. De repente os wahhabistas ficaram cheios de dinheiro e imagina o que decidira fazer?"
"Erguer mesquitas?"
...
"Também", disse. Mas sobretudo, puseram-se a financiar madrassas em todo mundo islâmico..."
Lê-se na página 327 e mais cenas iguais se repetem. A não ser que tenha sido intenção do autor evidenciar a fama de ignorante que caracteriza muitos americanos...
Volto já, nao acabei...
Resumindo: primeira impressão é de que é um livro de iniciação. É o “bê-a-ba” a muitas coisas, principalmente a duas ou três: ao Islão (nas suas diferentes perspectivas) e ao “terrorismo” (que na verdade pode ser uma conseqüência de uma das interpretações do Islão). O alerta de perigo para aqueles que pensam que não fazem parte do foco do "terrorismo" foi outra mensagem que entendi, embora esta seja uma história de ficção como o próprio autor diz...
DIGERINDO CONHECIMENTO
"Amanhã é o primeiro dia do mês de Moharram e vamos celebrar a Hégira." disse o Mullah. Fez uma pausa para beber um trago de chá. "Sabes o que é?" "É a fuga do Profeta para Medina, xeque."
Isto lê-se na página 41 e se repete SEMPRE no livro de 583 páginas. Na minha opinião o autor pecou por excesso quando por exemplo mostra a ignorância de uma conceituada operacional da CIA, Rebecca Scott, com experiência de combate no Afeganistão em relação ao Islão, História, etc... Ilustro:
"O que tem o petróleo a ver com isto?"
...
"Dinheiro"... "O petróleo enriqueceu os Sauditas. De repente os wahhabistas ficaram cheios de dinheiro e imagina o que decidira fazer?"
"Erguer mesquitas?"
...
"Também", disse. Mas sobretudo, puseram-se a financiar madrassas em todo mundo islâmico..."
Lê-se na página 327 e mais cenas iguais se repetem. A não ser que tenha sido intenção do autor evidenciar a fama de ignorante que caracteriza muitos americanos...
Volto já, nao acabei...
Malangatana, 50 anos de carreira e reforma não está a vista... ainda vem ópera ai..
Foto: Sérgio Manjate
Malangatana recebe nesta quinta-feira, 11 e Fevereiro, o titulo Doutor Honoris Causa da Universidade de Evora de Portugal. Por isso, o conceituado artista plástico moçambicano vai aproveitar brindar o público local com algumas das obras que produziu ao longo dos cinquenta anos de carreira, em jeito de retrospectiva. Em conversa com a Deutsche Welle, Malangatana fez um balanço do seu percurso e contou o seu sonho...
Malangatana: Huuummm.... De facto meio século de carreira é muito, ainda não estou cansado, ainda continuo muito activo. Mas posso dizer que é uma grande experiência humana para mim porque a pintura levou-me também a pensar sobre outras coisas, levou-me a ter outra sensibilidade e envolvi-me politicamente aqui no meu país, para também dar o meu contributo na libertação do país, fui militante na clandestinidade, fui fazendo outras coisas que me permitiram estar envolvido muito a sério na cultura. Portanto, é um meio século não só de envolvimento na pintura ou na escultura, mas também em actividade sociais.
NI: Então não se aplica a palavra reforma na sua profissão?
M: Ehhhh...Reforma não... Risos... Não... Eu não estou a pensar nisso. Acho que se me reformasse hoje envelhecia de um dia para o outro. Eu sei que activamente é impossível que não esteja a cometer erros pelo caminho, mas isso não dá nem para desistir nem para me reformar. Quando penso fazer uma coisa muito a sério, que envolve não só a mim como outras pessoas, pergunto as outras pessoas como devo actuar.
Nádia Issufo: Falta-lhe realizar algum sonho a nível profissional?
Malangatana: Eu acho que sim... Atirei-me há uns poucos anos graças a uma cantora lírica moçambicana que vive na Suíça, a Stela Mendonça, que há anos atrás provocou-me para entrar para entrar no canto de ópera. O meu interesse, o meu sonho humilde é de encontrar um momento em que eu me entrego para educarem a minha voz. Eu canto ópera nos últimos quatro, cinco anos e gosto muito, mas gostaria de adquirir conhecimentos que me permitem pegar naquelas nossas óperas ou operetas escondidas nas vozes dos curandeiros, nos cantos dos curandeiros, nos cantos dos rituais africanos. Para não cantar só “La Traviata” de Giuseppe Verdi ou Caren Bizet ou outras óperas, mas também poder em companhia com outras pessoas criar óperas que também sejam tradicionais numa simbiose de troca de conhecimentos entre as culturas européia e africana.
Pode ouvir este pequeno "bula-bula" em:
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html
selecione a emissão da manhã do dia 11 de Fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
O "Novo" Governo Angolano e os Negócios "Grandes"
Nádia Issufo:Convido-o a avaliar o governo hoje empossado...
Rafael Marques: A primeira avaliação que se deve fazer é que é uma rotação de posições com a excepção de dois membros do bureau político que tem estado na Assembléia Nacional desde 1992, todos os outros membros do governo estão vários anos e alguns foram transferidos de um posto para o outro. Mas o que é mais importante avaliar é o discurso do presidente da República porque ele reiteradamente fala em integridade moral, em probidade por parte dos dirigentes e continua a nomear os mesmo indivíduos que mais estão associados à corrupção no país. O que em principio significa que ou o presidente não tem poder para acabar com a corrupção ou não tem vontade nenhuma. Mas que na verdade é um governo que demonstra a continuidade do que é mau para a boa governação e transparência que se exige na gestão do património e do erário público.
"MPLA, Sociedade Anónima" é a mais recente pesquisa publicada por Rafael Marques, defensor dos direitos humanos angolano. Nela Marques fala da alienação obscura do património do Estado a favor do GEFI, uma holding do MPLA, o partido no poder em Angola. Numa entrevista a DW o angolano explicou como tal acontece e tocou também noutros pontos sensiveis do país...
NI: Na sua página 7 diz que “investigação realça em particular o modo como o governo tem alienado de forma obscura património do Estado a favor do GEFI para beneficio financeiro e patrimonial do MPLA.“ Pode explicar, por favor, como isso acontece?
RM:Quando se trata da privatização por norma ela deve passar por um concurso público e o que se nota na transferência do património do Estado para propriedade privada da GEFI, que é a holding empresarial do MPLA, é que ela nunca participa em concursos públicos, o património do Estado é sempre transferido para o GEFI por ajuste directo. E aqui o que é mais obscuro ainda é que a GEFI tem pouca produtividade apesar de ter muitos negócios. Logo, o que o governo fez, entregou as principais moageiras do país com capacidade de tornar Angola num país auto-suficiente em termos de produção, de trigo e milho, a GEFI mas todas essa moageiras estão paralisadas porque a GEFI não tem capacidade de gestão. Tem de ir depois buscar um investidor estrangeiro e depois cobrar rendas e ser sócia desse investidor. E no caso das moageiras aborda uma reputada empresa americana que detém 49% o que permite a GEFI gerir na empresa. E parece que tem havido conflitos que levaram ao encerramento temporário da moageira. Logo, aquilo que seria importante para reduzir o preço do pão no país porque as moageiras não estão a funcionar. Este é um exemplo de como esta transferência de património acaba por ser um prejuízo grave para a economia do país e para o contributo para que os pobres tenham acesso ao pão mais barato e a outros negócios.
Falo também da maior cervejeira do país, a Cuca, em que o governo transferiu as suas acções, de forma praticamente gratuita, para A GEFI em associação ao grupo Francês Castel que controla uma multinacional das bebidas a nível mundial. Uma serie de empresas... Porque os membros do conselho de administração da GEFI têm acesso facilitado ao Conselho de ministros e aprovam os projectos de forma muito fácil e atribuem a GEFI aquilo que lhes interessa.
NI: Outro ponto abordado por si na pesquisa é a relação entre a comunicação social e o MPLA. Até que ponto os órgãos de comunicação servem os interesses do partido no poder?
RM: Em 1992 o governo criou quatro rádios comerciais em FM: uma em Benguela, Rádio Morena, uma em Luanda, Radio LAC, uma em Cabinda, Rádio Cabinda, e a Rádio 2000 no sul de Angola, na província da Huila. Essas rádios logo após as eleições foram privatizadas pelo MPLA. Logo, fora de Luanda a imprensa é controlada directamente pelo MPLA porque o partido é proprietário das Rádios. Em Luanda o MPLA continua a criar dificuldades no sentido de facultar a expansão da Rádio Eclésia para as províncias. Na verdade o MPLA controla a imprensa privada por causa desse expediente que lhes permitiu ficar com as rádios quem« foram criadas com fundos do Estado e agora passaram a ser propriedade privada do MPLA.
A pesquisa "MPLA, Sociedade Anónima" de Rafael Marques pode ser lida no seu site: www.makaangola.com
A Nova (In)Constituição de Angola
Angola tem desde esta terça-feira uma nova Constituição. A Carta Magna foi aprovada pela Assembleia Nacional do país e foi promulgada pelo presidente da República na última sexta-feira. Mas a sua aprovação não reuniu consenso mesmo com as correcções feitas pelo Tribunal Constitucional. Em entrevista a DW, o defensor dos direitos humanos angolano, Rafael Marques, diz que tais mudanças não passaram de operação de cosmetica...
Nádia Issufo: As correções feitas pelo TribunaL Constitucional trazem alguma mudança substancial a Constituição?
Rafael Marques: Na verdade não trazem nenhuma mudança significativa a Constituição mas tendo havido uma decisão judicial, e é importante que antes da constituição do novo governo se remetesse o documento de volta ao TC para a averiguação da constitucionalidade das mudanças introduzidas, o que não foi feito mas continua a ter o mesmo texto. Praticamente é o estabelicimento da monarquia dos Santos em Angola.
NI: Então pode-se dizer que esta decisão do TC foi um aoperação de cosmética?
RM: Praticamente acabou por não ter efeito nenhum porque a Constituição é aprovada e durante os próximos cinco anos teremos um presidente da República e um vice-presidente que não foram eleitos. Teremos um novo governo em funções sem o mandato necessário que deve ser dado pelo eleitor, porque eles não sao eleitos e chefiam o governo. E há um outro aspecto importante, a nova Constiuição diz claramente que deve ser vice-presidente o segundo cabeça de lista, o número dois da lista do partido vencedor. Acontece que o vice-presidente designado não é o segundo na lista. Até nesses aspectos é muito difícil o MPLA dar um passo sem incorrer em novas inconstitucionalidades e novas irregularidades apesar da tendência que tem de renovar em reformar as leis para adequar os poderes pessoais dos seus lideres
Pode ouvir parte desta entrevista em: http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html
selecionando a emissão da noite do dia 4 de Fevereiro de 2010
Nádia Issufo: As correções feitas pelo TribunaL Constitucional trazem alguma mudança substancial a Constituição?
Rafael Marques: Na verdade não trazem nenhuma mudança significativa a Constituição mas tendo havido uma decisão judicial, e é importante que antes da constituição do novo governo se remetesse o documento de volta ao TC para a averiguação da constitucionalidade das mudanças introduzidas, o que não foi feito mas continua a ter o mesmo texto. Praticamente é o estabelicimento da monarquia dos Santos em Angola.
NI: Então pode-se dizer que esta decisão do TC foi um aoperação de cosmética?
RM: Praticamente acabou por não ter efeito nenhum porque a Constituição é aprovada e durante os próximos cinco anos teremos um presidente da República e um vice-presidente que não foram eleitos. Teremos um novo governo em funções sem o mandato necessário que deve ser dado pelo eleitor, porque eles não sao eleitos e chefiam o governo. E há um outro aspecto importante, a nova Constiuição diz claramente que deve ser vice-presidente o segundo cabeça de lista, o número dois da lista do partido vencedor. Acontece que o vice-presidente designado não é o segundo na lista. Até nesses aspectos é muito difícil o MPLA dar um passo sem incorrer em novas inconstitucionalidades e novas irregularidades apesar da tendência que tem de renovar em reformar as leis para adequar os poderes pessoais dos seus lideres
Pode ouvir parte desta entrevista em: http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html
selecionando a emissão da noite do dia 4 de Fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Crescei e Multiplicai-vos
E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
Gênesis 1:26-28
E ao pé da letra Jacob Zuma seguiu a ordem! Apesar de não saber se ele é cristão ou não... Mas ele com certeza conhece a frase...
Desta vez calhou-lhe na lotaria, uma filha que resulta de uma relação extra-conjugal. A menina nasceu em Outubro do ano passado. O presidente sul-africano fez saber hoje, através de um comunicado presidencial, que assume a paternidade da criança. Jacob Zuma já soma vinte filhos e tem 67 anos de idade. Entretanto, isto não parece ser problema para o presidente sul-africano, já que a sua cultura dispõe de mecanismos para solucionar o problema: ele vai pagar uma espécie multa a família da lesada...
Lê-se na lusa:
"Empreendi os imperativos culturais numa situação desta natureza, por exemplo o reconhecimento formal da paternidade e das responsabilidades, incluindo o pagamento de "inhlawulo" (perdas e danos) à família", pode ler-se no comunicado divulgado pela Presidência.
Lê-se também na Lusa:
Apesar de ser casado com três mulheres, divorciado de uma quarta, viúvo de uma quinta e noivo de uma outra ao abrigo das leis consuetudinárias zulus, Jacob Zuma, de 67 anos, afirma que esta relação extraconjugal com uma mulher de 38 anos não deveria ter sido tornada do domínio público e que só o foi
porque "a Imprensa ganha dinheiro com isso".
O polémico presidente deu largas a sua imaginação superando mesmo Deus e acrescentou a frase: casai-vos... "Crescei, casai-vos e multiplicai-vos". Assumo que digo isso com certa maldade... Este Homem tem uma cultura, como todos, e a sua permite isso! É considerado anormal por muitas sociedades hoje, mas para a sua sociedade pode ser muito bem visto!
Quem o pode condenar por ser preso aos seus valores, a sua cultura? Provavelmente os seus antepassados assim o fizeram... Pode ser só uma questão de preservação cultural. Como há quem defenda a preservação da floresta amazónica, a "protecção" dos índios brasileiros em "reservas" (não como ficam os animais, não , não...), etc...
Mesmo que vá contra "a maioria" ele assume o que é! E as mulheres que a ele se juntam o fazem porque querem! Não são para aqui chamados os motivos...
Este caso me faz lembrar Moçambique, onde se vive uma situação contrária: não há um assumir de situações, neste caso da poligamia.
Há uma ambiguidade originada pela forte influência da cultura ocidental, fundamentalmente do cristianismo.
Então as relações poligámicas, legitimadas nas sociedades patrilineares, acontecem muitas vezes por debaixo do pano, por serem consideradas ilegítimas sob a perspectiva cristã que domina a vida dos "pseudo-assimilados". Entretanto, a cultura "asfixiada" pede constantemente para apanhar umas lufadas de ar...
Estamos a falar de uma guerra que resulta em danos incalculáveis...
Ou se é peixe, ou se é carne! Com todos os malefícios que cada um dos ingredientes carrega...
Quem quiser que leia o livro poetizado de Paulina Chiziane "Niketche". Pelo menos a minha interpretação desemboca nesta conclusão...
Os meus valores e princípios não se assemelham em nada aos de Zuma, muito pelo contrário, mas consigo, embora que por escassos momentos, deixar de me "umbigar", para perceber a cultura dos outros...
Respeitar o diferente... Mesmo que não goste...
Poderia ver as consequências negativas deste comportamento sob os pontos de vista social, político, etc... mas não foi este o objectivo, pelo menos neste texto! Num próximo apedrejarei o homem!
Gênesis 1:26-28
E ao pé da letra Jacob Zuma seguiu a ordem! Apesar de não saber se ele é cristão ou não... Mas ele com certeza conhece a frase...
Desta vez calhou-lhe na lotaria, uma filha que resulta de uma relação extra-conjugal. A menina nasceu em Outubro do ano passado. O presidente sul-africano fez saber hoje, através de um comunicado presidencial, que assume a paternidade da criança. Jacob Zuma já soma vinte filhos e tem 67 anos de idade. Entretanto, isto não parece ser problema para o presidente sul-africano, já que a sua cultura dispõe de mecanismos para solucionar o problema: ele vai pagar uma espécie multa a família da lesada...
Lê-se na lusa:
"Empreendi os imperativos culturais numa situação desta natureza, por exemplo o reconhecimento formal da paternidade e das responsabilidades, incluindo o pagamento de "inhlawulo" (perdas e danos) à família", pode ler-se no comunicado divulgado pela Presidência.
Lê-se também na Lusa:
Apesar de ser casado com três mulheres, divorciado de uma quarta, viúvo de uma quinta e noivo de uma outra ao abrigo das leis consuetudinárias zulus, Jacob Zuma, de 67 anos, afirma que esta relação extraconjugal com uma mulher de 38 anos não deveria ter sido tornada do domínio público e que só o foi
porque "a Imprensa ganha dinheiro com isso".
O polémico presidente deu largas a sua imaginação superando mesmo Deus e acrescentou a frase: casai-vos... "Crescei, casai-vos e multiplicai-vos". Assumo que digo isso com certa maldade... Este Homem tem uma cultura, como todos, e a sua permite isso! É considerado anormal por muitas sociedades hoje, mas para a sua sociedade pode ser muito bem visto!
Quem o pode condenar por ser preso aos seus valores, a sua cultura? Provavelmente os seus antepassados assim o fizeram... Pode ser só uma questão de preservação cultural. Como há quem defenda a preservação da floresta amazónica, a "protecção" dos índios brasileiros em "reservas" (não como ficam os animais, não , não...), etc...
Mesmo que vá contra "a maioria" ele assume o que é! E as mulheres que a ele se juntam o fazem porque querem! Não são para aqui chamados os motivos...
Este caso me faz lembrar Moçambique, onde se vive uma situação contrária: não há um assumir de situações, neste caso da poligamia.
Há uma ambiguidade originada pela forte influência da cultura ocidental, fundamentalmente do cristianismo.
Então as relações poligámicas, legitimadas nas sociedades patrilineares, acontecem muitas vezes por debaixo do pano, por serem consideradas ilegítimas sob a perspectiva cristã que domina a vida dos "pseudo-assimilados". Entretanto, a cultura "asfixiada" pede constantemente para apanhar umas lufadas de ar...
Estamos a falar de uma guerra que resulta em danos incalculáveis...
Ou se é peixe, ou se é carne! Com todos os malefícios que cada um dos ingredientes carrega...
Quem quiser que leia o livro poetizado de Paulina Chiziane "Niketche". Pelo menos a minha interpretação desemboca nesta conclusão...
Os meus valores e princípios não se assemelham em nada aos de Zuma, muito pelo contrário, mas consigo, embora que por escassos momentos, deixar de me "umbigar", para perceber a cultura dos outros...
Respeitar o diferente... Mesmo que não goste...
Poderia ver as consequências negativas deste comportamento sob os pontos de vista social, político, etc... mas não foi este o objectivo, pelo menos neste texto! Num próximo apedrejarei o homem!
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Anjos de borla
O Haiti oferece agora, de forma gratuita, uma oportunidade para o florescimento de um dos negócio mais antigos do mundo: o tráfico humano. O mais correcto é mesmo falar de tráfico de crianças, porque os mais jovens mesmo e adultos são considerados Personae non gratae nos prinicipais países doadores e que "mais ajudam o país no terreno" como é o caso dos Estados Unidos da América. O lema deste país é: ajudar sim, mas só na tua casa. Comprensivel esta atitude, afinal ninguém quer sarna a mais para se coçar, já bastam as sarnas domésticas que cada um tem. O inverso não acontece, as crianças estão a ser bastante disputadas! Enquanto a UNICEF apelava para a interrupção temporária do envio de crianças para fora do território haitiano, os franceses promoviam manifestações exigindo que as crianças haitinas carentes, por sinal já antes do terramoto..., fossem enviadas rapidamente para a França.
Os momentos dramáticos de extremo, como o terramoto do Haiti, são normalmente, ou "anormalmente" (depende do ângulo em que se vê o assunto) mais vendidos pelos media (e não só) do que os dramas "menos visiveis" como o caso do próprio Haiti "nas suas condições de temperatura e pressão", considerado um dos países mais pobres da América Central. A exposição da desgraça, sofrimento desencadeiam positivamente o lado humano ou até o "supra-humano" do mundo se é que existe o termo...
Estranho é como esse lado "supra-humano" paradoxalmente se pode tornar tão "desumano" quando por exemplo, se retiram essas crianças das suas famílias. Seja por motivos humanitários, seja para colmatar carências afectivas ou dificuldades de procriação. Estas situações de catástrofe se mostram a possibilidade da realização de sonhos de muitas famílias fora do Haiti. Um duro e duplo, ou multiplo golpe, para os familiares (se é que sobreviveram...) e uma alegria para os novos familiares. Pior do que este cenário, é larga oportunidade de negócio para os traficantes. Com que direito? Quem protege as crianças e os seus pais?
Se estiver interessado em saber mais sobre o provável tráfico de crianças no Haiti pode ouvir uma reportagem em :
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html selecionando a emissão da noite do dia 2 de Fevereiro de 2010
Mais uma vez sugiro ouvir Márcio Faraco que descobri com Carla Fernandes em mais um momento de longo bla, bla depois de ter escrito este texto. Não pude deixar de ligar música a isto...
"Dor na Escala de Richter" em: http://www.youtube.com/watch?v=1bYATyDG6tQ ou então veja a letra em: http://letras.terra.com.br/marcio-faraco/1548019/
Vale a pena!
Os momentos dramáticos de extremo, como o terramoto do Haiti, são normalmente, ou "anormalmente" (depende do ângulo em que se vê o assunto) mais vendidos pelos media (e não só) do que os dramas "menos visiveis" como o caso do próprio Haiti "nas suas condições de temperatura e pressão", considerado um dos países mais pobres da América Central. A exposição da desgraça, sofrimento desencadeiam positivamente o lado humano ou até o "supra-humano" do mundo se é que existe o termo...
Estranho é como esse lado "supra-humano" paradoxalmente se pode tornar tão "desumano" quando por exemplo, se retiram essas crianças das suas famílias. Seja por motivos humanitários, seja para colmatar carências afectivas ou dificuldades de procriação. Estas situações de catástrofe se mostram a possibilidade da realização de sonhos de muitas famílias fora do Haiti. Um duro e duplo, ou multiplo golpe, para os familiares (se é que sobreviveram...) e uma alegria para os novos familiares. Pior do que este cenário, é larga oportunidade de negócio para os traficantes. Com que direito? Quem protege as crianças e os seus pais?
Se estiver interessado em saber mais sobre o provável tráfico de crianças no Haiti pode ouvir uma reportagem em :
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html selecionando a emissão da noite do dia 2 de Fevereiro de 2010
Mais uma vez sugiro ouvir Márcio Faraco que descobri com Carla Fernandes em mais um momento de longo bla, bla depois de ter escrito este texto. Não pude deixar de ligar música a isto...
"Dor na Escala de Richter" em: http://www.youtube.com/watch?v=1bYATyDG6tQ ou então veja a letra em: http://letras.terra.com.br/marcio-faraco/1548019/
Vale a pena!
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