Quando os homens armados da RENAMO se estenderam para a província de Inhambane o Governo fez saber, através da imprensa, que criou campos para os deslocados de guerra, ou se preferirem, dos confrontos. Tal como fez saber que o Governo japonês disponibilozou ajuda financeira para as vítimas. Essas são as primeiras demonstrações mais sérias e gritantes de uma falsa auto-comiseração que o Governo da FRELIMO está a fazer. Isso pode significar que anteriores táticas para "demonizar" a RENAMO fracassaram. Por exemplo, o exército é totalmente incapaz de fazer frente aos experientes guerrilheiros da RENAMO, e na mesa de negociações o Governo, que sempre rejeitou a presença de mediadores, mudou de ideia. Também uma tentativa de transportar o conceito de "bandido armado" da guerra civil dos 16 anos para esta guerra não surtiu efeito. Mas desse tempo ainda tenta recuperar a estratégia de auto-vitimização, com as mais recentes ajudas as vítimas. Parece-me que a lição recebida durante a caça ao voto nas últimas eleições autárquicas não surtiu efeito, permanecer na cegueira parece ser o lema da FRELIMO. Mas a cabeça dos moçambicanos não congelou.
Esticar a corda
Os recentes avanços Centro e Sul parecem-me ser o "As" da perdiz, ela ameaça as zonas estrategicamente económicas de Moatize, em Tete. A presença dos seus homens lá representa uma ameaça para os investimentos das multinacionais mineiras e intimida potenciais investidores. Já para o avanço para o Sul significa uma ameaça ao centro decisório do Governo, a capital Maputo. Essa parece-me um resposta ao "congelamento" da resposta do Governo da FRELIMO sobre a composição da equipa de mediadores na crise. Aliás, está atitude reflete, pelo menos publicamente, a política do contraditório. É que ao mesmo tempo o Governo insiste no discurso vazio de que está aberto ao diálogo. Com o evidente esticar da corda o mais previsil era o seu rebentamento.
Atestado de intransigência
Foi o que Joaquim Chissano passou a Armando Guebuza no contexto da crise ao oferecer-se para mediar a crise. Recorde-se que o ex-presidente moçambicano esteve envolvido no processo que culminou com a assinatura dos Acordos Gerais de Paz de 1992, que pos fim a uma guerra de 16 anos entre a RENAMO e o Governo da FRELIMO. Na minha opinião até a tese de que Guebuza catapultou o país em termos económicos torna-se insignificante face a sua falta de savoir faire na mesa de diálogo.
"Filho, vai para a escola aprender a vencer sem ter razão", disse a mãe de um famoso escritor africano no tempo colonial. O conselho continua atual.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
"Monstro Sagrado" fala do "Pantera Negra"
E com a morte do futebolista Eusébio Ferreira, os que conheceram bem o seu percurso lembram-se de Mário Coluna, outro grande futebolista moçambicano de renome internacional. Jogou igualmente no Benfica de Portugal e foi pela mão deste que o "Pantera Negra" se estabeleceu e integrou em Lisboa a quando da sua chegada. Entrevistei para a DW África Mário Coluna, agora com 80 anos, pedindo-lhe para nos falar sobre a obra de Eusébio e da relação entre eles:
Mário Coluna (MC): O trabalho que fez foi óptimo, portanto não poderia ter sido melhor, pelo que fez pelo Benfica e pela própria selecção portuguesa de futebol. Portanto, que Deus tenha a alma dele em paz.
Nádia Issufo (NI): E em termos de reconhecimento em relação ao trabalho que ele fez, no caso em particular de Moçambique, o que o senhor tem a dizer?
MC: Ele foi reconhecido, fez-se aqui a homenagem dos silêncios, silêncios, silêncios. Portanto, Eusébio era moçambicano, faleceu moçambicano e o Governo reconhece isso.
NI: Acha que o Governo devia ter feito mais alguma coisa por ele?
MC: Eu acho que fez, se há mais alguém que tinha que fazer era precisamente o Governo português, porque foi ai que ele deu tudo por tudo pelo desporto português.
NI: Também sabe-se que Eusébio, tal como Mário Coluna, investiram as poupanças que foram colectando ao longo da vida em edifícios em Moçambique que depois foram nacionalizados pelo Governo da FRELIMO. A sociedade acha que o Governo vos devia ter devolvido. O que tem a dizer?
MC: A minha opinião é essa mesmo, porque foi um dinheiro que se ganhou fora para se valorizar o nosso país Moçambique. Entretanto, o Governo quis saber porque voltei a Moçambique e eu perguntei: afinal onde nasci? Eu nasci aqui. Pensei em voltar e valorizar o meu país e mais nada. Mas a opinião deles é de que na política deles não há exploração de homem pelo homem, então contra isso não há argumentos.
NI: Então o Governo nunca manifestou interesse em devolver esses edifícios, ou substitui-los por outros?
MC: Até aqui não, eu vivo numa casa que tive de comprar ao próprio Estado.
NI: Senhor Mário Coluna, pode nos falar sobre a sua relação com Eusébio Ferreira?
MC: Era como se fosse meu filho. Quando ele vai para Portugal levava uma carta da mãe para mim a pedir que eu tomasse conta dele porque em Portugal não tinha conhecidos. E no aeroporto o Eusébio entregou-em a carta, eu abri e li e depois dei-lhe para ler e depois perguntei o que dizia, e ele disse que a mãe pede para o senhor Coluna tomar conta de mim porque aqui em Portugal não conhecemos ninguém. E pronto, eu orientei-o com o dinheiro no banco, para o alfaiate, tudo era comigo. O dinheiro do transporte, do lanche era tudo comigo. Portanto, houve sempre respeito para comigo. No casamento dele eu fui um dos padrinhos por parte da mulher, e da parte dele foi o presidente do Benfica na altura.
NI: E nos últimos tempos como era a vossa relação?
MC: Sim senhora. Todos os anos o Benfica convidava-me para o anivesrário do clube, e juntavámo-nos todos, portanto estava com ele e íamos a um restaurante chamado Tia Matilde, onde nós os benfiquistas íamos. Sempre houve boas relaçõe.
Escute aqui a entrevista: http://www.dw.de/7-de-janeiro-de-2014-manhã/a-17344729
Mário Coluna (MC): O trabalho que fez foi óptimo, portanto não poderia ter sido melhor, pelo que fez pelo Benfica e pela própria selecção portuguesa de futebol. Portanto, que Deus tenha a alma dele em paz.
Nádia Issufo (NI): E em termos de reconhecimento em relação ao trabalho que ele fez, no caso em particular de Moçambique, o que o senhor tem a dizer?
MC: Ele foi reconhecido, fez-se aqui a homenagem dos silêncios, silêncios, silêncios. Portanto, Eusébio era moçambicano, faleceu moçambicano e o Governo reconhece isso.
NI: Acha que o Governo devia ter feito mais alguma coisa por ele?
MC: Eu acho que fez, se há mais alguém que tinha que fazer era precisamente o Governo português, porque foi ai que ele deu tudo por tudo pelo desporto português.
NI: Também sabe-se que Eusébio, tal como Mário Coluna, investiram as poupanças que foram colectando ao longo da vida em edifícios em Moçambique que depois foram nacionalizados pelo Governo da FRELIMO. A sociedade acha que o Governo vos devia ter devolvido. O que tem a dizer?
MC: A minha opinião é essa mesmo, porque foi um dinheiro que se ganhou fora para se valorizar o nosso país Moçambique. Entretanto, o Governo quis saber porque voltei a Moçambique e eu perguntei: afinal onde nasci? Eu nasci aqui. Pensei em voltar e valorizar o meu país e mais nada. Mas a opinião deles é de que na política deles não há exploração de homem pelo homem, então contra isso não há argumentos.
NI: Então o Governo nunca manifestou interesse em devolver esses edifícios, ou substitui-los por outros?
MC: Até aqui não, eu vivo numa casa que tive de comprar ao próprio Estado.
NI: Senhor Mário Coluna, pode nos falar sobre a sua relação com Eusébio Ferreira?
MC: Era como se fosse meu filho. Quando ele vai para Portugal levava uma carta da mãe para mim a pedir que eu tomasse conta dele porque em Portugal não tinha conhecidos. E no aeroporto o Eusébio entregou-em a carta, eu abri e li e depois dei-lhe para ler e depois perguntei o que dizia, e ele disse que a mãe pede para o senhor Coluna tomar conta de mim porque aqui em Portugal não conhecemos ninguém. E pronto, eu orientei-o com o dinheiro no banco, para o alfaiate, tudo era comigo. O dinheiro do transporte, do lanche era tudo comigo. Portanto, houve sempre respeito para comigo. No casamento dele eu fui um dos padrinhos por parte da mulher, e da parte dele foi o presidente do Benfica na altura.
NI: E nos últimos tempos como era a vossa relação?
MC: Sim senhora. Todos os anos o Benfica convidava-me para o anivesrário do clube, e juntavámo-nos todos, portanto estava com ele e íamos a um restaurante chamado Tia Matilde, onde nós os benfiquistas íamos. Sempre houve boas relaçõe.
Escute aqui a entrevista: http://www.dw.de/7-de-janeiro-de-2014-manhã/a-17344729
sábado, 4 de janeiro de 2014
Políticas desfasadas continuarão a prejudicar população angolana em 2014
Em Angola 2014 começa com as mesmas dificuldades sociais: difícil acesso a água potável, a energia eléctrica, aos serviços de saúde e educação. E as opiniões sobre a melhoria das condições de vida da população estão divididas, enquanto uns preferem dar o seu votos de confiança ao trabalho do Governo, outros não, por considerarem as suas políticas de desenvolvimento desfasadas. Entrevistei para a DW África o analista político e docente da Universidade católica de Angola, Nelson Pestana:
Nádia Issufo (NI): Espera alguma melhoria nas condições de vida das populações na área social?
Nelson Pestana (NP): Temos de reconhecer que haverá mais infraestruturas, no sentido de criar maiores capacidades de produção, quer de energia quer de água para as populações por isso haverá seguramente mais infraestruturas. Também haverá mais pessoas a acederem a água potável. Só que os ritmos demográficos desses sectores não acompanham os ritmos demográficos do país e por isso vai haver sempre um défice em relação ao acesso à água potável e em relação ao acesso à energia eléctrica. Em relação a saúde a situação não melhorou na medida em que o plano de desenvolvimento do sector está ferido de dois problemas: o primeiro é que diminuiu a parcela do Orçamento de Estado para a saúde, e o segundo é que o dinheiro está destinado aos grandes hospitais, quando os problemas estão nas pequenas unidades sanitárias. Na educação acontece um pouco a mesma coisa, reduziu-se a fatia para a educação e há uma inversão de investimento. O problema da educação está sobretudo na instrução primária de má qualidade, e principalmente no secundário, mas o Governo está a priorizar o ensino universitário.Agora, que tipo de quadros se vão formar? ninguém sabe dar a resposta. Antevemos que serão quadros de má qualidade e que não estarão à altura de competir para os empregos de qualidade que o crescimento económico vai criar.
NI: Então com base na sua explicação pode-se concluir que há uma desfasamento entre as políticas de desenvolvimento e as necessidades da população?
NP: Sem duvida nenhuma, porque as políticas de desenvolvimento são ditadas de cima para baixo segundo os interesses daqueles que têm o poder. Aliás, o grande objectivo estratégico definido pelo Presidente no discurso sobre o Estado da Nação, e que tem repetido em outras intervenções, é dotar de uma grande riqueza um grupo restrito que possa vir a ser a locomotiva do desenvolvimento, e essa política já dura há 15 anos. E agora o Presidente da República diz que quer ser muito rico e é por isso que o país faça agora mais uma vez um esforço no sentido que ele chama de acumulação primitiva nesse pequeno grupo, que tem o próprio Presidente a cabeça, para que seja então a locomotiva do desenvolvimento. Ele chama a isso de um período de transição, só que estamos num período de transição há mais de 15 anos. E o que assistimos é que quanto mais ricos eles ficam, mais investem lá fora, não investem no país. Não temos uma classe uma classe industrial quando há muitos ricos.
NI: Então, no final podemos prever que a população vai continua a viver em más condições?
NP: Vai continua a viver nos musseques, ou nas casas de baixa qualidade que estão a construir, com baixas condições de vida, muitas delas sem saneamento, com falta de acesso a água potável, ou com acesso por chafariz, o que significa que a população tem de se deslocar kilometros ou mesmo metros para se abastecerem de água. Por isso terão um abastecimento de água muito limitado que vai condicionar a saúde pública, a libertação da mulher e das crianças para o desenvolvimento.
NI: Falar na continuidade das manifestações em 2014 contra o Governo é uma certeza?
NP: Com certeza. Está na linha directa disso. As lutas trabalhistas vão se agravar, porque os trabalhadores estão descontentes e vão retomar essa luta ao logo de 2014. Por outro lado, como as questões estão interligadas, a questão social não está separada da questão económica, a económica não está separada da política, continuamos a ter um sistema autoritário, que é unanimemente recusado por toda a nação, por isso as reivindicações de liberdade e bem estar e de uma nova estrutura de oportunidades vão continuar e vão tomar as mais diversas formas de luta.
Escute e leia mais sobre o assunto em: http://www.dw.de/população-angolana-continuará-com-os-mesmos-problemas-sociais-em-2014/a-17340434
Nádia Issufo (NI): Espera alguma melhoria nas condições de vida das populações na área social?
Nelson Pestana (NP): Temos de reconhecer que haverá mais infraestruturas, no sentido de criar maiores capacidades de produção, quer de energia quer de água para as populações por isso haverá seguramente mais infraestruturas. Também haverá mais pessoas a acederem a água potável. Só que os ritmos demográficos desses sectores não acompanham os ritmos demográficos do país e por isso vai haver sempre um défice em relação ao acesso à água potável e em relação ao acesso à energia eléctrica. Em relação a saúde a situação não melhorou na medida em que o plano de desenvolvimento do sector está ferido de dois problemas: o primeiro é que diminuiu a parcela do Orçamento de Estado para a saúde, e o segundo é que o dinheiro está destinado aos grandes hospitais, quando os problemas estão nas pequenas unidades sanitárias. Na educação acontece um pouco a mesma coisa, reduziu-se a fatia para a educação e há uma inversão de investimento. O problema da educação está sobretudo na instrução primária de má qualidade, e principalmente no secundário, mas o Governo está a priorizar o ensino universitário.Agora, que tipo de quadros se vão formar? ninguém sabe dar a resposta. Antevemos que serão quadros de má qualidade e que não estarão à altura de competir para os empregos de qualidade que o crescimento económico vai criar.
NI: Então com base na sua explicação pode-se concluir que há uma desfasamento entre as políticas de desenvolvimento e as necessidades da população?
NP: Sem duvida nenhuma, porque as políticas de desenvolvimento são ditadas de cima para baixo segundo os interesses daqueles que têm o poder. Aliás, o grande objectivo estratégico definido pelo Presidente no discurso sobre o Estado da Nação, e que tem repetido em outras intervenções, é dotar de uma grande riqueza um grupo restrito que possa vir a ser a locomotiva do desenvolvimento, e essa política já dura há 15 anos. E agora o Presidente da República diz que quer ser muito rico e é por isso que o país faça agora mais uma vez um esforço no sentido que ele chama de acumulação primitiva nesse pequeno grupo, que tem o próprio Presidente a cabeça, para que seja então a locomotiva do desenvolvimento. Ele chama a isso de um período de transição, só que estamos num período de transição há mais de 15 anos. E o que assistimos é que quanto mais ricos eles ficam, mais investem lá fora, não investem no país. Não temos uma classe uma classe industrial quando há muitos ricos.
NI: Então, no final podemos prever que a população vai continua a viver em más condições?
NP: Vai continua a viver nos musseques, ou nas casas de baixa qualidade que estão a construir, com baixas condições de vida, muitas delas sem saneamento, com falta de acesso a água potável, ou com acesso por chafariz, o que significa que a população tem de se deslocar kilometros ou mesmo metros para se abastecerem de água. Por isso terão um abastecimento de água muito limitado que vai condicionar a saúde pública, a libertação da mulher e das crianças para o desenvolvimento.
NI: Falar na continuidade das manifestações em 2014 contra o Governo é uma certeza?
NP: Com certeza. Está na linha directa disso. As lutas trabalhistas vão se agravar, porque os trabalhadores estão descontentes e vão retomar essa luta ao logo de 2014. Por outro lado, como as questões estão interligadas, a questão social não está separada da questão económica, a económica não está separada da política, continuamos a ter um sistema autoritário, que é unanimemente recusado por toda a nação, por isso as reivindicações de liberdade e bem estar e de uma nova estrutura de oportunidades vão continuar e vão tomar as mais diversas formas de luta.
Escute e leia mais sobre o assunto em: http://www.dw.de/população-angolana-continuará-com-os-mesmos-problemas-sociais-em-2014/a-17340434
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
A negociação não é a solução para Angola
O livro“Quando a Guerra é Necessária e Urgente" está novamente a venda em Angola desde sábado último. Recorde-se que um artigo com o mesmo título, também do autor de Domingos Cruz foi contestado pelo Governo do MPLA em 2009, custando-lhe um processo judicial. A sessão de vendas e assinaturas de autógrafos será na portaria da Rádio Despertar, em Luanda, onde estarão igualmente disponíveis os últimos livros do autor, “A liberdade de imprensa em Angola: Obstáculos e desafios no Processo de Democratização" e “Ética Educativa à Luz da Racionalidade Comunicativa”. Domingos Cruz é também jornalista e professor universitário. Entrevistei-o para a DW África sobre as suas publicações e não só:
Nádia Issufo(NI): Não teme ser alvo de mais um processo judicial pela reedição do livro?
Domingos Cruz (DC): Como deve calcular, não há da minha parte qualquer receio porque eu tenho plena consciência de que me encontro única e exclusivamente no uso dos mais básicos direitos fundamentais, como a liberdade de expressão, que se manifesta nos média, na escrita, arte e na investigação científica. Não estou a cometer nenhum crime, nenhum desvio de carácter moral... Não há motivos para ter medo. Estou tranquilo. O que estou a fazer é bastante normal.
NI: Como é que ficou o processo judicial instaurado contra si em 2009?
DC: O processo decorreu dentro dos trâmites normais e graças à pressão da sociedade civil e dos média. Tanto no plano interno como internacional, houve pressões junto do poder político e das estruturas judiciais que na verdade estão submissas à orientação do poder político em Angola, porque não são suficientemente independentes e não são dignas de uma sociedade democrática. Pela insustentabilidade da acusação do Ministério Público, viram-se na obrigação de arquivar o processo.
NI: De acordo com a sua experiência, como é que o regime de Angola lida com os escritores críticos?
DC: Angola, sendo um Estado autoritário de acordo com as mais variadas classificações por intermédio de estudiosos e organizações internacionais, tem agido de uma maneira coerente, ou seja, não tolera. A minha experiência tem o seguinte marco dramático e doloroso: quando eu publiquei o meu primeiro livro, em 2008, intitulado “Para onde vai Angola?”, fui expulso do trabalho sob orientação do partido no poder, o segundo livro foi inviabilizado de chegar às livrarias, foi proibido e inclusivamente encerraram o local de lançamento. Refiro-me à obra “Quando a Guerra é Necessária e Urgente”. E, claro, abriram um processo judicial.
NI: Um dos seus últimos livros é “A Liberdade de Imprensa em Angola: Obstáculos e Desafios no Processo de Democratização”. Que soluções apresenta para os problemas que constata?
DC: Neste livro, insurjo-me contra as chamadas teorias liberais da democracia, olhando para o aspeto da liberdade de imprensa. De acordo com a teoria da liberal da democracia, a imprensa é um fator fundamental para o aprofundamento de uma democracia. Eu subscrevo completamente tal tese, mas entendo que os liberais ocidentais sobre a liberdade de imprensa e a democracia estão equivocados. Acho que os média podem ser um instrumento de democratização, mas podem também ser um instrumento de fortalecimento de Estados autoritários e da tirania.
Nádia Issufo(NI): Não teme ser alvo de mais um processo judicial pela reedição do livro?
Domingos Cruz (DC): Como deve calcular, não há da minha parte qualquer receio porque eu tenho plena consciência de que me encontro única e exclusivamente no uso dos mais básicos direitos fundamentais, como a liberdade de expressão, que se manifesta nos média, na escrita, arte e na investigação científica. Não estou a cometer nenhum crime, nenhum desvio de carácter moral... Não há motivos para ter medo. Estou tranquilo. O que estou a fazer é bastante normal.
NI: Como é que ficou o processo judicial instaurado contra si em 2009?
DC: O processo decorreu dentro dos trâmites normais e graças à pressão da sociedade civil e dos média. Tanto no plano interno como internacional, houve pressões junto do poder político e das estruturas judiciais que na verdade estão submissas à orientação do poder político em Angola, porque não são suficientemente independentes e não são dignas de uma sociedade democrática. Pela insustentabilidade da acusação do Ministério Público, viram-se na obrigação de arquivar o processo.
NI: De acordo com a sua experiência, como é que o regime de Angola lida com os escritores críticos?
DC: Angola, sendo um Estado autoritário de acordo com as mais variadas classificações por intermédio de estudiosos e organizações internacionais, tem agido de uma maneira coerente, ou seja, não tolera. A minha experiência tem o seguinte marco dramático e doloroso: quando eu publiquei o meu primeiro livro, em 2008, intitulado “Para onde vai Angola?”, fui expulso do trabalho sob orientação do partido no poder, o segundo livro foi inviabilizado de chegar às livrarias, foi proibido e inclusivamente encerraram o local de lançamento. Refiro-me à obra “Quando a Guerra é Necessária e Urgente”. E, claro, abriram um processo judicial.
NI: Um dos seus últimos livros é “A Liberdade de Imprensa em Angola: Obstáculos e Desafios no Processo de Democratização”. Que soluções apresenta para os problemas que constata?
DC: Neste livro, insurjo-me contra as chamadas teorias liberais da democracia, olhando para o aspeto da liberdade de imprensa. De acordo com a teoria da liberal da democracia, a imprensa é um fator fundamental para o aprofundamento de uma democracia. Eu subscrevo completamente tal tese, mas entendo que os liberais ocidentais sobre a liberdade de imprensa e a democracia estão equivocados. Acho que os média podem ser um instrumento de democratização, mas podem também ser um instrumento de fortalecimento de Estados autoritários e da tirania.
Portanto, os média são uma faca de dois gumes. É isto que os teóricos
ocidentais não perceberam. Depois de ter denunciado este erro metodológico da
teoria liberal da democracia sobre a imprensa, eu demonstro o caso angolano como
sendo o paradigma acabado no qual a imprensa não é um instrumento para o
fortalecimento da democracia.
NI: Não inclui como opção a via negocial ou a via democrática, por exemplo, através de eleições transparentes e justas?
DC: Não, não, não. É impossível haver eleições transparentes e justas porque não temos um sistema eleitoral capaz de traduzir a verdade eleitoral. Temos um sistema que inviabiliza qualquer possibilidade da verdade eleitoral, temos uma máquina eleitoral absolutamente fraudulenta e corrupta sob o controlo do grupo dominante. É por isso que tenho dito, por exemplo, que falar de alternância em Angola é um erro de análise e uma idiotice completa. E digo isso porque o regime tem muitos interesses instalados e por isso inviabilizam qualquer possibilidade de alternância. Aliás, a prática política mostra isso, que é um autêntico maquiavelismo ao estilo contemporâneo. Tem havido esforços da sociedade civil para uma sociedade de plena liberdade, mas num sector muito restrito e de alguns partidos da oposição que de vez em quando denunciam os comportamentos erráticos dos meios de comunicação social sob o controlo do poder hegemónico, mas isso não é suficiente para alterar o estado de coisas que se encontra numa podridão generalizada. Eu entendo que o caminho efectivo é a Líbia, o Egipto e a Tunísia, e quando a senhora me pergunta sobre uma via negocial eu digo que é impossível por uma razão bastante simples, você só pode dialogar quando existe equilíbrio na correlação de forças, e aqui há um desiquilíbrio absoluto que dificulta que o grupo hegemónico esteja aberto a dialogar. Eles sabem que dos mais variados campos há uma fragilidade mais ou menos generalizada, eles controlam tudo e portanto podem esmagar tudo e todos e não tem qualquer necessidade de dialogar, por isso mesmo nem o diálogo se aplica a situação de Angola.
Escute parte da entrevista em: http://www.dw.de/livro-proibido-de-domingos-cruz-volta-a-estar-à-venda-em-angola/a-17314520
NI: Não inclui como opção a via negocial ou a via democrática, por exemplo, através de eleições transparentes e justas?
DC: Não, não, não. É impossível haver eleições transparentes e justas porque não temos um sistema eleitoral capaz de traduzir a verdade eleitoral. Temos um sistema que inviabiliza qualquer possibilidade da verdade eleitoral, temos uma máquina eleitoral absolutamente fraudulenta e corrupta sob o controlo do grupo dominante. É por isso que tenho dito, por exemplo, que falar de alternância em Angola é um erro de análise e uma idiotice completa. E digo isso porque o regime tem muitos interesses instalados e por isso inviabilizam qualquer possibilidade de alternância. Aliás, a prática política mostra isso, que é um autêntico maquiavelismo ao estilo contemporâneo. Tem havido esforços da sociedade civil para uma sociedade de plena liberdade, mas num sector muito restrito e de alguns partidos da oposição que de vez em quando denunciam os comportamentos erráticos dos meios de comunicação social sob o controlo do poder hegemónico, mas isso não é suficiente para alterar o estado de coisas que se encontra numa podridão generalizada. Eu entendo que o caminho efectivo é a Líbia, o Egipto e a Tunísia, e quando a senhora me pergunta sobre uma via negocial eu digo que é impossível por uma razão bastante simples, você só pode dialogar quando existe equilíbrio na correlação de forças, e aqui há um desiquilíbrio absoluto que dificulta que o grupo hegemónico esteja aberto a dialogar. Eles sabem que dos mais variados campos há uma fragilidade mais ou menos generalizada, eles controlam tudo e portanto podem esmagar tudo e todos e não tem qualquer necessidade de dialogar, por isso mesmo nem o diálogo se aplica a situação de Angola.
Escute parte da entrevista em: http://www.dw.de/livro-proibido-de-domingos-cruz-volta-a-estar-à-venda-em-angola/a-17314520
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Guebuza após 2014
Armando Guebuza é também conhecido como um grande homem de negócios, para além de ser Presidente de Moçambique. A sua ascensão económica é associada ao poder político, que por sua vez podem acabar ou continuar consoante as escolhas do seu sucessor que o seu partido, a FRELIMO, fizer em breve.Entrevistei para a DW África Salomão Moyana, Director do semanário moçambicano Magazine Independente:
Nádia Issufo (NI): Será que o partido FRELIMO continuará nas "mãos" de Armando Guebuza?
Salomão Moyana (SM): Depende de vários factores que devem ser considerados, um deles é sobretudo quem será o Presidente da República. Se for um dos candidatos apresentado na semana passada, quer dizer que Armando Guebuza poderá reter o poder na presidência do partido e continuar mais ou menos o futuro Presidente da República a trabalhar na actual linha de governação do país.
NI: Estamos a falar numa espécie de Delfim de Armando Guebuza?
SM: Os três pré-candidatos apontados são claramente os Delfins de Guebuza. São pessoas que chegaram ao poder pela mão dele, aos cargos ministeriais pela mão dele, dois deles estão na comissão política da FRELIMO claramente pela mão dele. Portanto, não serão eles as pessoas com capital simbólico próprio capazes de seguir uma outra linha política, que seja diferente da linha de Guebuza.
NI: Fala de figuras com aceitação, e também com alguma experiência, ai entraria, por exemplo, a ala de Joaquim Chissano com quadros experientes. Acha que esse será o momento em que a cisão entre as alas ficará mais visível?
SM: Não acredito nessa posição. Não acho que se entrarem outros quadros está a entrar a ala Chissano. Penso que praticamente não existe ala Chissano em Moçambique, existem outras partes que gostariam de ver o país melhor encaminhado depois após a era Guebuza. Ele foi um Presidente exemplar e bastante combativo, muito trabalhador, e muito empenhado. Agora o risco é que a sua saída crie uma espécie de definhamento da liderança do país.
NI: Vê a possibilidade de um dos supostos Delfins a ser escolhido vir a rebelar-se aos ideiais de Guebuza?
SM: Não estou a espera de nenhuma catástrofe para Moçambique, espero uma transição pacifica em que mesmo que as coisas não sejam funcionais, penso que oportunamente a FRELIMO encontrará uma solução que não será necessariamente uma rebelião, mas que se compatibilize a agenda para que haja uma continuidade do país de maneira segura e pacifica.
Escute e leia mais sobre o assunto em: http://www.dw.de/o-papel-político-do-presidente-guebuza-depois-das-próximas-eleições-em-moçambique/a-17306362
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Forbes e ZAP, a parceria do contraditório
Depois de ter considerado Isabel dos Santos como a mulher mais rica de África em 2012, agora a Forbes associa-se a uma das suas empresas, a ZAP, para editar a sua revista em Português para África em 2014. Mas antes disso a prestigiada revista de negócios norte-americana publicou um artigo em conjunto com o ativista angolano dos direitos humanos Rafael Marques sobre a origem duvidosa da sua fortuna. Entrevistei para a DW África o activista angolano sobre a parceria comercial:
Nádia Issufo (NI): Como vê esta espécie de contradição entre a eleição pela Forbes de Isabel do Santos como uma das pessoas mais ricas de África em 2012 e em 2013 exactamente uma das suas empresas fazer uma parceira para a publicação da revista em Português para África?
Rafael Marques (RM): Primeiro é preciso analisar se a publicação da revista pela empresa dela obedece a critérios comerciais racionais, ou tem um aspecto meramente político. Porque se for do ponto de vista comercial vemos que não se justifica pela pluralidade que existem, quer em Angola, quer em Portugal, e que carecem de intervenções financeiras.
NI: Acha que depois desta parceria a imagem da Forbes perde credibilidade?
RM: A Forbes só perceberá, eventualmente, se não estiver apenas interessada no dinheiro, que o seu nome só será usado para propaganda e branqueamento da imagem de uma série de indivíduos corruptos no espaço lusófono, porque a Isabel dos Santos passará a ter o controlo editorial da maior parte dos conteúdos da Forbes para África...
NI: Se grande parte da media privada angolana já foi comprada por gente próxima ao poder, e agora esta parceria, pode-se afirmar que a media angolana está é manipulada?
RM: É também para facilitar, por exemplo, a Isabel dos Santos tem também negócios em Moçambique no sector das telecomunicações, a ZAP está representada em Moçambique, então facilitar que através das sua revista a família Guebuza tenha também espaço para passar os seus negócios como legítimos. E outros corruptos, quer no espaço lusófono, quer em África. Porque é apenas usar o nome da revista, que tem prestigio internacional, para lavar a imagem destas figuras, e quando não tiver serventia certamente que esta parceria será abandonada, porque não é uma revista que terá viabilidade comercial.
NI: Podemos afirmar que uma empresa como a Forbes pactua com a corrupção?
RM: Mas é claro! O dinheiro de Angola não tem cor, é bom para todos. E nesse caso a Forbes, a está a compactuar sem dúvida absolutamente nenhuma, está a fazer parte do esquema de corrupção em Angola.
NI: Então não há gente limpa, como alguns países ocidentais que criticam Angola mas tem as suas empresas a compactuarem...
RM: Mas a crítica maior a corrupção tem sido feita pelos angolanos que são os mais afectados, e nisso tem havido denuncias constantes da participação de estrangeiros no saque, porque não é possível biliões e biliões de dólares serem desviados de Angola todos os anos sem o apoio dos bancos, advogados e Governos estrangeiros.
Leia e escute mais sobre o assunto em: http://www.dw.de/isabel-dos-santos-lança-edição-da-forbes-para-palop/a-17300787
Nádia Issufo (NI): Como vê esta espécie de contradição entre a eleição pela Forbes de Isabel do Santos como uma das pessoas mais ricas de África em 2012 e em 2013 exactamente uma das suas empresas fazer uma parceira para a publicação da revista em Português para África?
Rafael Marques (RM): Primeiro é preciso analisar se a publicação da revista pela empresa dela obedece a critérios comerciais racionais, ou tem um aspecto meramente político. Porque se for do ponto de vista comercial vemos que não se justifica pela pluralidade que existem, quer em Angola, quer em Portugal, e que carecem de intervenções financeiras.
NI: Acha que depois desta parceria a imagem da Forbes perde credibilidade?
RM: A Forbes só perceberá, eventualmente, se não estiver apenas interessada no dinheiro, que o seu nome só será usado para propaganda e branqueamento da imagem de uma série de indivíduos corruptos no espaço lusófono, porque a Isabel dos Santos passará a ter o controlo editorial da maior parte dos conteúdos da Forbes para África...
NI: Se grande parte da media privada angolana já foi comprada por gente próxima ao poder, e agora esta parceria, pode-se afirmar que a media angolana está é manipulada?
RM: É também para facilitar, por exemplo, a Isabel dos Santos tem também negócios em Moçambique no sector das telecomunicações, a ZAP está representada em Moçambique, então facilitar que através das sua revista a família Guebuza tenha também espaço para passar os seus negócios como legítimos. E outros corruptos, quer no espaço lusófono, quer em África. Porque é apenas usar o nome da revista, que tem prestigio internacional, para lavar a imagem destas figuras, e quando não tiver serventia certamente que esta parceria será abandonada, porque não é uma revista que terá viabilidade comercial.
NI: Podemos afirmar que uma empresa como a Forbes pactua com a corrupção?
RM: Mas é claro! O dinheiro de Angola não tem cor, é bom para todos. E nesse caso a Forbes, a está a compactuar sem dúvida absolutamente nenhuma, está a fazer parte do esquema de corrupção em Angola.
NI: Então não há gente limpa, como alguns países ocidentais que criticam Angola mas tem as suas empresas a compactuarem...
RM: Mas a crítica maior a corrupção tem sido feita pelos angolanos que são os mais afectados, e nisso tem havido denuncias constantes da participação de estrangeiros no saque, porque não é possível biliões e biliões de dólares serem desviados de Angola todos os anos sem o apoio dos bancos, advogados e Governos estrangeiros.
Leia e escute mais sobre o assunto em: http://www.dw.de/isabel-dos-santos-lança-edição-da-forbes-para-palop/a-17300787
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Os pré-candidatos da FRELIMO ou de um ideal falacioso?
A escolha de José Pacheco, de Sofala, Filipe Nyusse, de Cabo Delgado, e Alberto Vaquina, de Nampula, como pré-candidatos da FRELIMO ao cargo de líder do partido e também da presidência da República de Moçambique mostram-me algumas coisas:
Recuperar o eleitorado das autárquicas
Entre elas, na minha opinião, os candidatos da "unidade nacional" são a cartada final de Armando Guebuza para recuperar um eleitorado que insatisfeito com o seu partido e a sua governação optou pelo o que se pode considerar em certa medida como o "voto do castigo". Se alguns alguns escolheram o MDM por acreditarem nele, outros votaram no partido para demonstrar revolta e saturação em relação a FRELIMO. É preciso ter isso em conta e, ao que tudo indica, o "voto do castigo" tem a resposta em forma de bálsamo: a inclusão geográfica ou étnica ao nível mais alto de decisão. Isso mostra também que Armando Guebuza, ou o seu partido, conhece as fraquezas do eleitorado e pode estar a jogar com elas, ou se preferirmos pensar de forma menos "perversa" leva mesmo a sério a governação inclusiva ao escolher o candidato da "unidade nacional".
Unidade nacional, uma falácia?
Estas hipóteses levam-me a interrogar até que ponto foi e é exequível o conceito de unidade nacional considerando o contexto moçambicano. Onde e até que momento isso deu certo? Para quem isso nunca representou nada? Ou até, será que todos conhecem o conceito? Se existe voto étnico, então a unidade nacional, tão propalada após a independência, não foi exactamente "um caso de sucesso". A "inclusão geográfica" na escolha dos pré-candidatos evidenciam uma tentativa de acalmar os que se consideram marginalizados. Estará Guebuza, nesse sentido, a dar continuidade a um ideal de Samora Machel? Ou será mesmo uma manipulação da fraqueza popular? Um professor meu disse-me: "É preciso aceitar a unidade nacional na diversidade."
O Delfim a controlo remoto
Claro que não é de se excluir a hipótese destas escolhas virem a representar a continuidade indirecta de Guebuza na presidência da República. Pelo menos o visto como favorito a candidato, José Pacheco, parece ter a mesma escola que a de Armando Guebuza, é frio e de pouco contacto. Também é este que tem a confiança do Presidente na gestão da crise mais feia dos últimos anos com a RENAMO. A consumar-se esta suspeita continua a ficar difícil a vida para os insatisfeitos dentro da FRELIMO, tais como os ex-governantes da era em que Joaquim Chissano era Presidente, e outros mais antigos.
"Deselitisar" a FRELIMO
Desde que o país ficou independente em 1975 foi governando na sua maioria pelos considerados históricos da FRELIMO, que incluem principalmente os nacionalistas, intelectuais e também alguns antigos combatentes. A subida de Armando Guebuza para a presidência em 2004 representou um corte radical com esta prática. Ele foi buscar "anónimos" ou os menos visíveis da formação. Acho que foi o primeiro sinal de "mudança" na FRELIMO, ao dar oportunidades a outros membros. Claro que há a questão da competência como requisito para governar, aliás um requisito fundamental, mas não pretendo aprofundar-me nele. Entretanto o que se viu em abundância no primeiro Governo de Guebuza foram as trocas das suas peças de xadrez governativo.
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