A acção da FIR, Forca de Intervenção Rápida, contra os antigos combatentes nesta terça-feira é um sinal claro de que o Governo moçambicano se sente ameaçado e por isso em jeito de defesa ataca e com forca. Com isso entende-se que pretende abortar logo a nascença qualquer tipo de manifestação que esteja a ser orquestrada contra si. Na manifestação dos médicos estagiários da UEM, a polícia, segundo relatos, estava armada até aos dentes. Não acredito que pretendia ataca-los, mas sim intimidar. Ou então, já prevendo outros "entusiastas", ou "oportunistas" como eles chamam, decidiu evidenciar a sua forca.
Mas como os desmobilizados de guerra prometem manifestações regulares, todas as terças-feiras, para continuar a exigir melhores pensões, então suponho que teremos muito para ver ainda...
Ditadura começa na polícia
O paradoxo é a polícia estar descontente e ter de reprimir outros descontentes. Só não sei se a FIR também faz parte do grupo dos insatisfeitos como os "cinzentinhos". De forma arrogante o comandante da polícia disse desconhecer um plano de greve dos seus homens, embora o assunto tenha "transpirado". Agora nada se fala, uma atitude que ao meu ver denuncia medo por parte dos seus homens.
O regresso da PIDE
Esta semana alguns jovens içaram a bandeira de Portugal na ex-sede da PIDE em Maputo e alguns deles foram detidos pela polícia. Uma atitude que dá muito que pensar. Quererão eles dizer que a PIDE e o colonialismo estão de volta? Talvez queiram estabelecer uma analogia com os serviços de segurança moçambicanos e o Governo de Armando Guebuza. Por favor, deixem-me dar asas a minha imaginação...
"Filho, vai para a escola aprender a vencer sem ter razão", disse a mãe de um famoso escritor africano no tempo colonial. O conselho continua atual.
domingo, 10 de março de 2013
Moçambique: greves são um sinal de exercício de cidadania
As ameaças de greves e manifestações dos desmobilizados de guerra em Moçambique mexem com o Governo. Este tem optado pelo uso da força, em jeito de intimidação e repressão, causando indignação no país. A DW, numa entrevista conduzuida por mim, ouviu o pesquisador do departamento de ciências políticas e admnistração pública da Universidade Eduado Mondlane, João Pereira, sobre o assunto.
Nadia Issufo: A revindicação por melhores condições de vida por via das greves, substituindo as manifestações sem cara, significam um amadurecimento da sociedade?
João Pereira: Sim, por um lado nota-se um certo grau de consciência que cada grupo de interesses em relação ao seu exercício de cidadania. E isso mostra a fragilidade que o próprio Estado tem de controlar esses movimentos. Em relação a greve dos médicos, se for a ver quem esteve a frente do processo eram jovens que não tem nenhuma relação com o passado histórico da FRELIMO. Não viveram o período colonial e estão mais predispostas a lutar pelos seus objetivos imediatos e a longo prazo. E muitas das vezes têm uma consciência política muito acima da media em relação a maioria da população que viveu no tempo colonial que tem um passado histórico idêntico ao do partido FRELIMO e que aceita muito dos sacrifícios que o partido adota. Os jovens estão mais predispostos a lutar por outro tipo de sociedade que não seja essa discursiva em relação ao passado.
Nadia Issufo: A revindicação por melhores condições de vida por via das greves, substituindo as manifestações sem cara, significam um amadurecimento da sociedade?
João Pereira: Sim, por um lado nota-se um certo grau de consciência que cada grupo de interesses em relação ao seu exercício de cidadania. E isso mostra a fragilidade que o próprio Estado tem de controlar esses movimentos. Em relação a greve dos médicos, se for a ver quem esteve a frente do processo eram jovens que não tem nenhuma relação com o passado histórico da FRELIMO. Não viveram o período colonial e estão mais predispostas a lutar pelos seus objetivos imediatos e a longo prazo. E muitas das vezes têm uma consciência política muito acima da media em relação a maioria da população que viveu no tempo colonial que tem um passado histórico idêntico ao do partido FRELIMO e que aceita muito dos sacrifícios que o partido adota. Os jovens estão mais predispostos a lutar por outro tipo de sociedade que não seja essa discursiva em relação ao passado.
Nádia Issufo: Entretanto, os desmobilizados de
guerra e os madjermanes são os únicos que tem feito manifestações. No caso dos
desmobilizados o Governo repremiu-os com violência na última semana, atingindo
até inocentes. Este uso excessivo de força será um sinal de que o Executivo de
Armando Guebuza se sente ameaçado?
JP: Não é uma questão de se sentir ameaçado, é a
natureza do Estado em muitos países africanos. Nós saímos de um regime autoritário
desde o período pré colonial e pós-colonial....
Nádia Issufo: Mas neste momento as ameaças de
greves são constantes...
JP: Estão a ser mais constantes porque as
dificuldades da vida estão a ser agravadas
pelas políticas que estão a ser adotada neste momento...
Nádia Issufo: É neste contexto que lhe pergunto:
sente-se o Governo acuado ou não por causa da pressão?
JP: No meu entender o Governo vai respondendo na
dimensão da complexidade das coisas. Por exemplo, no caso dos desmobilizados, é
verdade que a ação do Governo foi muito mais violento em relação aos
madjermanes...
Nádia Issufo: Constituirão os desmobilizados de
guerra uma ameaça ao Governo?
JP: Sim, sim, é uma ameaça, na percepção dos
governantes os desmobilizados de guerra tem uma tradição de luta, não luta
política, mas luta armada. Grande parte deles vem de um processo de utilização
de uso de armas para reivindicar os seus direitos, espaços ou territórios. Então,
quando muitos moçambicanos ouvem dizer que os desmobilizados querem manifestar-se pensam que a manifestação
será violenta, e o Governo prepara-se pata responder com essa mesma violência.
Nádia Issufo: Na sua opinião, a estratégia do
Governo é mais correta ou inteligente?
JP: Não é a mais inteligente nem correta porque não
representa o que devei ser um Estado de direito. Porque para a questão da greve
não é preciso ter uma autorização do Governo, é um direito consagrado na
Constituição, e o Governo diz que respeita a Constituição, então tem de
respeitar este principio básico de liberdade de expressão que grupos também têm
de se manifestarem. Então, quando vemos a atitude do Governo em relação aos desmobilizados
vemos a característica do Estado, que é anda de um Estado autoritário.
Nádia Issufo: Podemos dizer que a repressão e a intimidação entraram em Moçambique pelas mãos das autoridades?
JP: Essa é a tradição histórica deste país. O que
os moçambicanos vivem hoje não é nada mais nada menos do que um Forte do Zimbábue??
Praticamente torna-se mais visível hoje porque é debatido na televisão e é mais
reportado nas mídias sociais. Mas essa história de intimidação, marginalização
e controle é uma história que começa no período pré-colonial , colonial, pós-colonial,
mesmo com a entrada do sistema multipartidário a liberdade de expressão não é
um bem público adquirido, ele tem de ser conquistado até as últimas conseqüências.
A entrevista pode ser ouvida em: http://www.dw.de/greves-em-moçambique-um-sinal-de-mudança/a-16651640
segunda-feira, 4 de março de 2013
Um Barack Obama no Vaticano?
Agora chegou a vez do Vaticano ser posto a prova: escolherá ele o primeiro Papa negro da sua história? As expectativas são muito grandes, depois dos escândalos que abalaram a igreja católica e a polémica renuncia de Bento XVI, com várias recados nas entrelinhas. Para limpar as manchas "negras" da Casa, um "negro" na liderança pode ser uma dos sinais de reforma que muitos católicos, e não só, esperam. Diz-se que pico tira-se com pico...
Os únicos negros "papáveis" são o cardeal Peter Turkson do Gana e Francis Arinze da Nigéria. O primeiro cardeal negro, Laurean Rugambwa da Tanzânia, foi nomeado em 1960, quatro séculos depois dos europeus terem evangelizado, muitas vezes a força, o continente africano. É caso para perguntar porque. Entretanto, é também no continente africano onde a religião tem a possibilidades de ver crescer o número de crentes, por várias razões que não são aqui chamadas. De lembrar que na Europa muitos são os que abandonam a fé católica. Mas o processo para introduzir um pouco de "cor" no Vaticano segue muito lento.
Depois da eleição de Barack Obama como primeiro Presidente negro da considerada maior potencia mundial, EUA, a eleição de um Papa negro seria o segundo sinal de verdadeira reforma de mentalidades do século XXI. Se bem que no segundo caso não significa exactamente uma reforma de mentalidades, mas provavelmente uma estratégia de "imacular" o Vaticano e a religião católica.
O Vaticano faz-me lembrar o Conselho de Segurança da ONU, falta-lhe a "cor", ou se quisermos, falta o dinheiro a cor. Os mecanismos de eleição são a partida edificados para excluir...
Mas no meios dessa expectativa me recordo que Jesus Cristo também não era preto... foi má essa boca, não?
Qualquer semelhança é só na cor...
Entretanto os candidados negros só se assemelham a Obama apenas na cor, pelo que deduzi depois de conhecer os seus perfis. O cardeal do Gana já deixou claro que os homossexuais não tem direito a vida. Esqueceu-se do que diz a Biblia, só Deus dá a vida e só ele tira. Ele é perigoso, ao que tudo indica pode até golpear Deus...
Já nigeriano, por ser menos radical, tem o vento a seu favor. E neste momento em que o radicalismo tem sido a auto-destruição da igreja católica...
http://paroutudo.com/2013/02/13/forte-candidato-a-papa-defende-pena-de-morte-para-gays-em-uganda/
CPLP poderá ser abençoada...
Se realmente o cardeal brasileiro Odilo Scherer for escolhido como Papa teremos mais uma oportunidade para ouvir discursos vazios em nome da lusofonia. Esta será a capa de falsa coesão que alguns usarão para brilhar, ou então não.
Ler mais sobre Odilo Scherer em: http://portugues.christianpost.com/news/cardeal-brasileiro-e-cotado-para-ser-novo-papa-14813/
A guerra não declarada entre o Brasil e Portugal, na luta pela posição de "dominador" dos falantes de Português e das suas riquezas, pode ganhar outra cor, para o azar de muitos portugueses. Mas resta-lhes o contentamento por terem levado o catolicismo para o Brasil.
Os únicos negros "papáveis" são o cardeal Peter Turkson do Gana e Francis Arinze da Nigéria. O primeiro cardeal negro, Laurean Rugambwa da Tanzânia, foi nomeado em 1960, quatro séculos depois dos europeus terem evangelizado, muitas vezes a força, o continente africano. É caso para perguntar porque. Entretanto, é também no continente africano onde a religião tem a possibilidades de ver crescer o número de crentes, por várias razões que não são aqui chamadas. De lembrar que na Europa muitos são os que abandonam a fé católica. Mas o processo para introduzir um pouco de "cor" no Vaticano segue muito lento.
Depois da eleição de Barack Obama como primeiro Presidente negro da considerada maior potencia mundial, EUA, a eleição de um Papa negro seria o segundo sinal de verdadeira reforma de mentalidades do século XXI. Se bem que no segundo caso não significa exactamente uma reforma de mentalidades, mas provavelmente uma estratégia de "imacular" o Vaticano e a religião católica.
O Vaticano faz-me lembrar o Conselho de Segurança da ONU, falta-lhe a "cor", ou se quisermos, falta o dinheiro a cor. Os mecanismos de eleição são a partida edificados para excluir...
Mas no meios dessa expectativa me recordo que Jesus Cristo também não era preto... foi má essa boca, não?
Qualquer semelhança é só na cor...
Entretanto os candidados negros só se assemelham a Obama apenas na cor, pelo que deduzi depois de conhecer os seus perfis. O cardeal do Gana já deixou claro que os homossexuais não tem direito a vida. Esqueceu-se do que diz a Biblia, só Deus dá a vida e só ele tira. Ele é perigoso, ao que tudo indica pode até golpear Deus...
Já nigeriano, por ser menos radical, tem o vento a seu favor. E neste momento em que o radicalismo tem sido a auto-destruição da igreja católica...
http://paroutudo.com/2013/02/13/forte-candidato-a-papa-defende-pena-de-morte-para-gays-em-uganda/
CPLP poderá ser abençoada...
Se realmente o cardeal brasileiro Odilo Scherer for escolhido como Papa teremos mais uma oportunidade para ouvir discursos vazios em nome da lusofonia. Esta será a capa de falsa coesão que alguns usarão para brilhar, ou então não.
Ler mais sobre Odilo Scherer em: http://portugues.christianpost.com/news/cardeal-brasileiro-e-cotado-para-ser-novo-papa-14813/
A guerra não declarada entre o Brasil e Portugal, na luta pela posição de "dominador" dos falantes de Português e das suas riquezas, pode ganhar outra cor, para o azar de muitos portugueses. Mas resta-lhes o contentamento por terem levado o catolicismo para o Brasil.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Sociedade moçambicana amadurece?
Em Moçambique alguns sectores públicos preparam greves para exigir basicamente melhores salários ao Governo de Armando Guebuza. Os médicos deram o pontapé de saída no princípio deste ano que custou muito caro a alguns deles. Os enfermeiros ensaia(ra)m tamb´me uma, mas desta vez o governo resolveu sentar-se a mesa de negociações, caso contrário seria o descalabro total do sistema de saúde.
A polícia, que opta pelo silêncio, seguindo a linha do seu Governo, aos olhos do mundo faz de conta que tudo está bem, também numa clara demonstração de arrogância e ditadura. Vamos esperar para ver se em Abril os "cinzentinhos" terão força para atirar a toalha ao chão... Quem não esteve com meias medidas sãos os "ex" da secreta. Eles já sairam a rua.
O novo formato da contestação
Estarão os moçambicanos a ficar mais organizados? Parece-me que sim. As violentas manifestações de 2011 assustaram apenas o Executivo, mas não trouxeram resultados. Cesta básica, pão e transporte, ficaram mesmo só nas bocas, não do povo, claro. A concertação tendo como base a legislação é mais produtiva, e tendo uma pitada de revolta traz o efeito desejado. Esse pode ser um sinal de que a classe trabalhadora está a amadurecer. E por sua vez isso significa um amadurecimento da sociedade no seu todo. A greve legal substitui a manifestação "ilegal".
O preço do voto
2013 e 2014 são anos de eleições em Moçambique. A caça ao voto já começou, sem o tiro de partida da CNE. E isso não passa despercebido para a classe trabalhadora descontentes. O custo de vida está cada vez mais alto, e insuportável para a grande maioria. Este é o momento certo de "encostar" o Governo a parede. Outro sinal de que os moçambicanos se estão a tornar em "jogadores" profissionais a altura do seu Governo. E já vão muito tarde na minha óptica... Desconfio que o Governo se tranquilizou pensado: "os moçambicanos são pacíficos..." e realmente só agora eles lhe mostram como o são...
Cerco ao Governo
Enquanto muitos membros de Governo enriquecem usando os seus cargos para isso, o descontentamento aumenta. Não é só a população que quase vive de forma miserável, os partidos da oposição também querem parte do "bolo" e há ainda os "invisíveis". O líder da RENAMO já marcou terreno em Nampula, "a região do futuro" em termos económicos, e onde grandes figuras políticas tem interesses. Pouco depois desceu para o seu bastião, Sofala, onde tempos depois uma empresa anunciou a existência de grandes quantidades de ouro. Ao que tudo indica Moçambique está a ser "esquartejado" a portas quase fechadas. E provavelmente a lógica bem básica e primária deve ser: o partido na situação, a FRELIMO, é sulista. Então ele que fique com o sul pobre. E a RENAMO que tem forte apoio a partir da "cintura" para cima, e a região mais rica (pelo menos até agora...) quer beneficiar-se disso.
Se juntarmos esta disputa pelos recursos naturais e a insatisfação social pode se encontrar legitimidade no resultado de estudo realizado pelo politológo inglês Jay Ulfelder que coloca Moçambique na 19ª posição na lista dos países com mais riscos de sofrer um golpe de Estado. Há possibilidades de um golpe de Estado vir do lado "inesperado"? Quais são as brechas existentes para que uma mão externa orquestre um golpe de Estado ou uma guerra? Enfim, são apenas perguntas...
A polícia, que opta pelo silêncio, seguindo a linha do seu Governo, aos olhos do mundo faz de conta que tudo está bem, também numa clara demonstração de arrogância e ditadura. Vamos esperar para ver se em Abril os "cinzentinhos" terão força para atirar a toalha ao chão... Quem não esteve com meias medidas sãos os "ex" da secreta. Eles já sairam a rua.
O novo formato da contestação
Estarão os moçambicanos a ficar mais organizados? Parece-me que sim. As violentas manifestações de 2011 assustaram apenas o Executivo, mas não trouxeram resultados. Cesta básica, pão e transporte, ficaram mesmo só nas bocas, não do povo, claro. A concertação tendo como base a legislação é mais produtiva, e tendo uma pitada de revolta traz o efeito desejado. Esse pode ser um sinal de que a classe trabalhadora está a amadurecer. E por sua vez isso significa um amadurecimento da sociedade no seu todo. A greve legal substitui a manifestação "ilegal".
O preço do voto
2013 e 2014 são anos de eleições em Moçambique. A caça ao voto já começou, sem o tiro de partida da CNE. E isso não passa despercebido para a classe trabalhadora descontentes. O custo de vida está cada vez mais alto, e insuportável para a grande maioria. Este é o momento certo de "encostar" o Governo a parede. Outro sinal de que os moçambicanos se estão a tornar em "jogadores" profissionais a altura do seu Governo. E já vão muito tarde na minha óptica... Desconfio que o Governo se tranquilizou pensado: "os moçambicanos são pacíficos..." e realmente só agora eles lhe mostram como o são...
Cerco ao Governo
Enquanto muitos membros de Governo enriquecem usando os seus cargos para isso, o descontentamento aumenta. Não é só a população que quase vive de forma miserável, os partidos da oposição também querem parte do "bolo" e há ainda os "invisíveis". O líder da RENAMO já marcou terreno em Nampula, "a região do futuro" em termos económicos, e onde grandes figuras políticas tem interesses. Pouco depois desceu para o seu bastião, Sofala, onde tempos depois uma empresa anunciou a existência de grandes quantidades de ouro. Ao que tudo indica Moçambique está a ser "esquartejado" a portas quase fechadas. E provavelmente a lógica bem básica e primária deve ser: o partido na situação, a FRELIMO, é sulista. Então ele que fique com o sul pobre. E a RENAMO que tem forte apoio a partir da "cintura" para cima, e a região mais rica (pelo menos até agora...) quer beneficiar-se disso.
Se juntarmos esta disputa pelos recursos naturais e a insatisfação social pode se encontrar legitimidade no resultado de estudo realizado pelo politológo inglês Jay Ulfelder que coloca Moçambique na 19ª posição na lista dos países com mais riscos de sofrer um golpe de Estado. Há possibilidades de um golpe de Estado vir do lado "inesperado"? Quais são as brechas existentes para que uma mão externa orquestre um golpe de Estado ou uma guerra? Enfim, são apenas perguntas...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Quo Vadis Vaticano?
A renuncia do Papa Bento XVI fez-me lembrar as renuncias de dirigente políticos em países onde a cultura democrática é madura e a sociedade é devidamente esclarecida e activa. Na política elas costumam ser resultado de pressões cujos motivos são de conhecimento público, no caso do Papa parece-me que os verdadeiros motivos não são divulgados, não acredito que sejam apenas motivos de saúde que originaram a sua saída. Na sua última missa, nesta quarta-feira, lançou algumas indirectas e directas, por exemplo, ele denunciou a "hipocrisia religiosa, o comportamento dos que querem aparentar, as atitudes que procuram os aplausos e a aprovação" e apelou ao fim das rivalidades na Igreja Católica. Bento XVI desmascara parcialmente a sua Igreja na hora do adeus. Agora vamos todos especular o que está por detrás destas palavras.
O pecado debaixo da batina
O seu papado está profundamente manchado, a pedofilia no seio da igreja católica é maior mancha. Bento VXI pecou por, pelo menos aos olhos do mundo, por encobrir até ao último minuto os abusos sexuais dentro da própria casa de Deus. Atitude que só aumentou a revolta dos ofendidos e daqueles que fazem o sinal da cruz quando o assunto é a igreja católica. Na verdade este comportamento colide com as palavras proferidas na sua última missa... A aparência continuam a ser a capa que esconde os "podres" pedófilos, e outras podres da igreja.
Luxos pagos pelos contribuintes revoltados
Em época de crise financeira na Europa os luxos do Papa e da igreja católica ganharam mais brilho aos olhos dos contribuintes agora mais empobrecidos. Quando visitou a Espanha em 2010 o governo, supostamente laico, gastou com ele e sua comitiva quase 5 milhões de euros dos contribuintes que não foram consultados. Para além de que vários deles nem são católicos, e portanto não tem "obrigações" para com ele. É caso para dizer que também há uma violação gritante dos direitos democráticos no velho continente... Mais sobre esta visita para ler em: http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1704351&seccao=Europa
Descamisar os africanos
Bento VXI minou os esforços de governos, ONGs, associações no combate ao HIV-SIDA ao condenar o uso de preservativos. Com isso também fez correr pelo ralo milhões de euros gastos na luta contra a doença. É inacreditável que na sua primeira visita ao continente africano, o mais afectado pela doença, diga que a camisinha agrava o combate a doença. Chega a ser desumano. Mas em parte devo reconhecer que ele pode estar certo, afinal ao incentivar-se o uso do preservativo banaliza-se também o sexo. É preciso resgatar ou incutir as boas práticas, também em nome da saúde, mas quando a situação é crítica, como é o caso do SIDA em África, o seu uso tem de ser reconsiderado. E neste ponto ele meteu os pés pelas mãos. Leia sobre a sua visita a África em: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1171809
Bento VXI minou os esforços de governos, ONGs, associações no combate ao HIV-SIDA ao condenar o uso de preservativos. Com isso também fez correr pelo ralo milhões de euros gastos na luta contra a doença. É inacreditável que na sua primeira visita ao continente africano, o mais afectado pela doença, diga que a camisinha agrava o combate a doença. Chega a ser desumano. Mas em parte devo reconhecer que ele pode estar certo, afinal ao incentivar-se o uso do preservativo banaliza-se também o sexo. É preciso resgatar ou incutir as boas práticas, também em nome da saúde, mas quando a situação é crítica, como é o caso do SIDA em África, o seu uso tem de ser reconsiderado. E neste ponto ele meteu os pés pelas mãos. Leia sobre a sua visita a África em: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1171809
O desenquadramento social da Igreja Católica
Dada a repercussão das suas palavras Bento XVI veio dar o dito pelo não dito, pondo de certa forma em causa os dogmas da igreja. Esta é apenas mais uma prova de que a igreja católica, tal como as outras religiões universais, não são maleaveis as dinâmicas sociais. E por isso a ocorrência de novos fenómenos sociais se revela uma desafio para elas, que muitas vezes ou fazem ouvidos de mercador, ou então usam argumentos desajustados desencadeiando um sentimento de repulsa contra ela. Terá sido este um dos pontos que também originou as denuncia de "hipocrisia religiosa" no seu último discurso? Será que foi este um dos momentos em que atirou a saia ao chão contra a "hipocrisia" que num primeiro momento foi "obrigado" a vestir? Ler mais em: http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/papa-aceita-uso-de-preservativos-em-alguns-casos-diz-livro
Dada a repercussão das suas palavras Bento XVI veio dar o dito pelo não dito, pondo de certa forma em causa os dogmas da igreja. Esta é apenas mais uma prova de que a igreja católica, tal como as outras religiões universais, não são maleaveis as dinâmicas sociais. E por isso a ocorrência de novos fenómenos sociais se revela uma desafio para elas, que muitas vezes ou fazem ouvidos de mercador, ou então usam argumentos desajustados desencadeiando um sentimento de repulsa contra ela. Terá sido este um dos pontos que também originou as denuncia de "hipocrisia religiosa" no seu último discurso? Será que foi este um dos momentos em que atirou a saia ao chão contra a "hipocrisia" que num primeiro momento foi "obrigado" a vestir? Ler mais em: http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/papa-aceita-uso-de-preservativos-em-alguns-casos-diz-livro
Faz o que eu digo e não que faço
No último natal o Papa condenou o capitalismo financeiro não regulado e a desigualdade entre ricos e pobres. Não deixa de ser irónico o seu discurso, vemo-lo na televisão a levantar uma taça cravada de pedras preciosas, usa sapatos que custam não só os olhos mas a cara toda, gasta balúrdios com as suas viagens, entre outras centenas de luxo. Com certeza ele nunca ouviu falar da "vida franciscana"... São esses desajustes entre discurso e acções que causam uma revolta e consequente afastamento dos crentes, ou se quisermos os frequentadores de igreja.
Suástica de Ratzinger é diferenciada das outras
O facto de Bento XVI ter pertencido ao juventude hitleriana e até servido a infantaria causa repulsa a muitos, mesmo que ele tenha sido obrigado a pertencer a ela contra a sua vontade como diz. Mesmo que não queira carrega a pior mancha da Alemanha, o nazismo. E para limpar a sua imagem jornalistas alemães deram um contributo através de entrevistas, biografias, etc...
Vaticano colocado a prova
Enfim, esses devem ter sido apenas alguns dos factores que originaram a sua decisão de renuncia. Mas também me pergunto se ele não terá sido apenas vítima do destino, ou se quisermos, da dinâmica mundial. Acho que a sua saída pode simbolizar um descalabro da igreja católica como estrutura que ainda tinha uma palavra a dar nos vários aspectos da vida humana, e não extamente um fracasso do Papa. Se a igreja não for restruturada o próximo Papa, se tiver caracter, pode também resignar, porque a sociedade vai a um ritmo que não se coaduna com prescrições.
Ou então não. Este pode ser o momento poderá representar o marco da viragem na igreja católica, uma espécie de reforma. Se Bento XVI chutou o balde na sua última missa, pode entao ser considerado um revolucionário...
Ou então não. Este pode ser o momento poderá representar o marco da viragem na igreja católica, uma espécie de reforma. Se Bento XVI chutou o balde na sua última missa, pode entao ser considerado um revolucionário...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Liberdade de imprensa em Angola sobe mais no papel do que no terreno
A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) lançou o seu relatório anual deste ano sobre a liberdade de imprensa no mundo no passado dia 31 de Janeiro. Para os PALOP, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, há boas e más notícias: Angola subiu pontos, mas Cabo Verde e Guiné Bissau foram os piores na perda de pontos. Entretanto, o jornalista e membro do sindicato dos jornalistas angolanos Adalberto José disse a DW que no terreno essas melhorias não são tão percptiveis.
Nádia Issufo: O que terá contribuído para a subida de Angola no ranking da liberdade de imprensa?
Adalberto José: Não sei ao certo quais terão sido os critérios usados pela RSF, mas temos de convir que nos últimos tempos tem havido uma certa ligeiração por parte do Executivo em relação a liberdade de imprensa, isso constata-se através dos meios de comunicação públicos, que são o calcanhar de Aquiles. Mas isso «e sobretudo o resultado do esforço feito pela media privada e sociedade civil na pressão que tem sido feita ao Executivo para garantir os seus direitos consagradas na Constituição, como o pluralismo, diversidade de informação, e o próprio incentivo que a Constituição garante em relação a democracia. Portanto, ao contrário do que assistimos em 2010 e 2011, nota-se um esforço da media pública que opta por uma maior diversificação de fontes, há mais cruzamentos dos diferentes actores sociais. Se calhar foram esses os critérios usados pela RSF para subir Angola no seu ranking.
NI: Entretanto a media privada está cada vez mais a ser dominada por gente ligada a elite política em Angola. O que tem a dizer sobre o trabalho deste sector?
AJ: Nós últimos tempos a sociedade civil e o jornalistas tem se preocupado com a media privada. Assistimos a compra de grandes meios de comunicação social por gente do partido no poder, o MPLA, e não sabemos o que isso representa sob o ponto de vista das linhas editoriais dessas empresas. Nota-se ai uma tendência para a censura, e isso não é bom, tem sido denunciado. E penso que isto é um dos factores que concorre para que a fragilização da democracia angolana, na medida em que a imprensa privada continua a ter um papel muito preponderante na diversificação e no acesso a informação contraditória. Mas este assalto que o poder público faz aos meios de comunicação privados acaba de alguma forma por afectar a liberdade de expressão, na medida em que muita gente que não tem espaço nos meios público consegue nos privados.
NI: Há ai o exemplo da Rádio Eclésia que luta para transmitir para todo o país, ainda sem sucesso, e há ainda casos de intimidação de jornalistas. Como avalia esta subida no ranking do RSF, tomando em conta estes dois exemplos?
AJ: No caso da Eclésia sabemos que a actual lei de imprensa não permite que ela transmita para todo o país, é um privilegio único da Rádio Nacional de Angola. E isso de alguma forma restringe a liberdade de imprensa e de opinião de muitas pessoas que estão noutros cantos do país e que gostariam de ouvir a rádio. No que se refere a intimidação o cenário tende a melhorar, já tivemos situações preocupantes. Digo mesmo que chegamos ao extremo. Ultimamente não temos ouvido muitos casos. Ainda assim noutro sector nota-se uma certa intimidação dos jornalistas, no acesso as diferentes fontes de comunicação. Há um esforço da media e dos diferentes segmentos sociais para fazer com que o poder público respeite esses princípios consagrados na Constituição. Esperemos que esses avanços continuem de forma significativa, porque aqui no terreno as coisas não são bem assim, ainda há questões que devem ser acauteladas e revistas para que os meios de comunicação e jornalistas exerçam as suas funções de acordo com o que está plasmado na Constituição.
Nádia Issufo: O que terá contribuído para a subida de Angola no ranking da liberdade de imprensa?
Adalberto José: Não sei ao certo quais terão sido os critérios usados pela RSF, mas temos de convir que nos últimos tempos tem havido uma certa ligeiração por parte do Executivo em relação a liberdade de imprensa, isso constata-se através dos meios de comunicação públicos, que são o calcanhar de Aquiles. Mas isso «e sobretudo o resultado do esforço feito pela media privada e sociedade civil na pressão que tem sido feita ao Executivo para garantir os seus direitos consagradas na Constituição, como o pluralismo, diversidade de informação, e o próprio incentivo que a Constituição garante em relação a democracia. Portanto, ao contrário do que assistimos em 2010 e 2011, nota-se um esforço da media pública que opta por uma maior diversificação de fontes, há mais cruzamentos dos diferentes actores sociais. Se calhar foram esses os critérios usados pela RSF para subir Angola no seu ranking.
NI: Entretanto a media privada está cada vez mais a ser dominada por gente ligada a elite política em Angola. O que tem a dizer sobre o trabalho deste sector?
AJ: Nós últimos tempos a sociedade civil e o jornalistas tem se preocupado com a media privada. Assistimos a compra de grandes meios de comunicação social por gente do partido no poder, o MPLA, e não sabemos o que isso representa sob o ponto de vista das linhas editoriais dessas empresas. Nota-se ai uma tendência para a censura, e isso não é bom, tem sido denunciado. E penso que isto é um dos factores que concorre para que a fragilização da democracia angolana, na medida em que a imprensa privada continua a ter um papel muito preponderante na diversificação e no acesso a informação contraditória. Mas este assalto que o poder público faz aos meios de comunicação privados acaba de alguma forma por afectar a liberdade de expressão, na medida em que muita gente que não tem espaço nos meios público consegue nos privados.
NI: Há ai o exemplo da Rádio Eclésia que luta para transmitir para todo o país, ainda sem sucesso, e há ainda casos de intimidação de jornalistas. Como avalia esta subida no ranking do RSF, tomando em conta estes dois exemplos?
AJ: No caso da Eclésia sabemos que a actual lei de imprensa não permite que ela transmita para todo o país, é um privilegio único da Rádio Nacional de Angola. E isso de alguma forma restringe a liberdade de imprensa e de opinião de muitas pessoas que estão noutros cantos do país e que gostariam de ouvir a rádio. No que se refere a intimidação o cenário tende a melhorar, já tivemos situações preocupantes. Digo mesmo que chegamos ao extremo. Ultimamente não temos ouvido muitos casos. Ainda assim noutro sector nota-se uma certa intimidação dos jornalistas, no acesso as diferentes fontes de comunicação. Há um esforço da media e dos diferentes segmentos sociais para fazer com que o poder público respeite esses princípios consagrados na Constituição. Esperemos que esses avanços continuem de forma significativa, porque aqui no terreno as coisas não são bem assim, ainda há questões que devem ser acauteladas e revistas para que os meios de comunicação e jornalistas exerçam as suas funções de acordo com o que está plasmado na Constituição.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Governo moçambicano vai confrontar dados da Rio Tinto
Depois da Rio Tinto ter anunciado em janeiro passado perdas de 2,250 mil milhões na exploração de carvão mineral em Moçambique, o Governo moçambicano diz que espera agora pelos resultados que confirmam a baixa de qualidade das reservas para depois fazer a sua própria pesquisa e confrontação. A DW conversou com o director nacional adjunto de minas, do Ministério dos Recursos Minerais, Obed Matine, no passado dia 22.
Nádia Issufo: O que o Ministério dos Recursos Minerais tem a dizer sobre o anúncio da Rio Tinto?
Obed Matine: A Rio Tinto fala de perdas por imparidade que derivam de duas situações: primeiro ligada ao alumínio e segundo ligada ao projecto de carvão em Moçambique. E em relação ao último caso, abordam-no de duas formas, primeiro está relacionado com um processo dinâmico de avaliação das reservas e da qualidade do carvão, um processo normal feito periodicamente. E acontece que na sua última avaliação verificaram que, em princípio, as reservas estão abaixo do que estimavam inicialmente, e por outro lado há mais percentagem de carvão térmico irrecuperável, e que a percentagem do carvão coque nas suas áreas é baixa. Por outro lado a questão ligada as infraestruturas e logística faz com que o tempo que esperavam para ter o retorno dos investimentos, vai ser mais longo do que o que previam, e por isso declararam as perdas por imparidade.
NI: E não foi possível constatar isso logo no inicio?
OM: O estudo geológico tem varias fases, numa primeira fase não se tem todas as informações. Só num segunda fase, quanto mais se realizam estudos de detalhes se tem mais informações.
NI: Entretanto a Rio Tinto pondera vender a sua participação em Benga, em Tete. A acontecer isso o que pode significar para o sector mineiro moçambicano a saída de uma renomada empresa com a Rio Tinto?
OM: Não tenho conhecimento da pretensão da Rio Tinto, depende da estratégia que ela quer adoptar. O que nós estamos a fazer como Governo, é encontrar soluções, com vários parceiros, para que os empreendimentos, os investimentos tenham retorno, criando infraestruturas logísticas para a exportação do carvão. E há várias linhas desenhadas para esse efeito.
NI: A existência de infraestruturas é da responsabilidade apenas do Governo?
OM: As linhas férreas e os portos são da responsabilidade do Governo, mas o seu desenvolvimento pode ser feito através de parcerias público-privadas. As empresas são chamadas, o Estado delimita as linhas, dá as balizas, e a parceria público-privada no desenvolvimento das infraestruturas.
NI: Sei que a Rio Tinto projectou a exportação de carvão pelo rio Zambeze. O que impediu que o projecto andasse?
OM: Os estudos de impacto ambiental não aconselharam.
NI: O que vai fazer o Governo agora?
OM: Agora procuramos saber o que leva a essa situação, quais são as razões de facto. Então estamos a espera do relatório global do detalhe do calculo de reservas, a avaliação que eles fizeram nos últimos tempos, e nessa altura faremos a nossa própria avaliação.
Nádia Issufo: O que o Ministério dos Recursos Minerais tem a dizer sobre o anúncio da Rio Tinto?
Obed Matine: A Rio Tinto fala de perdas por imparidade que derivam de duas situações: primeiro ligada ao alumínio e segundo ligada ao projecto de carvão em Moçambique. E em relação ao último caso, abordam-no de duas formas, primeiro está relacionado com um processo dinâmico de avaliação das reservas e da qualidade do carvão, um processo normal feito periodicamente. E acontece que na sua última avaliação verificaram que, em princípio, as reservas estão abaixo do que estimavam inicialmente, e por outro lado há mais percentagem de carvão térmico irrecuperável, e que a percentagem do carvão coque nas suas áreas é baixa. Por outro lado a questão ligada as infraestruturas e logística faz com que o tempo que esperavam para ter o retorno dos investimentos, vai ser mais longo do que o que previam, e por isso declararam as perdas por imparidade.
NI: E não foi possível constatar isso logo no inicio?
OM: O estudo geológico tem varias fases, numa primeira fase não se tem todas as informações. Só num segunda fase, quanto mais se realizam estudos de detalhes se tem mais informações.
NI: Entretanto a Rio Tinto pondera vender a sua participação em Benga, em Tete. A acontecer isso o que pode significar para o sector mineiro moçambicano a saída de uma renomada empresa com a Rio Tinto?
OM: Não tenho conhecimento da pretensão da Rio Tinto, depende da estratégia que ela quer adoptar. O que nós estamos a fazer como Governo, é encontrar soluções, com vários parceiros, para que os empreendimentos, os investimentos tenham retorno, criando infraestruturas logísticas para a exportação do carvão. E há várias linhas desenhadas para esse efeito.
NI: A existência de infraestruturas é da responsabilidade apenas do Governo?
OM: As linhas férreas e os portos são da responsabilidade do Governo, mas o seu desenvolvimento pode ser feito através de parcerias público-privadas. As empresas são chamadas, o Estado delimita as linhas, dá as balizas, e a parceria público-privada no desenvolvimento das infraestruturas.
NI: Sei que a Rio Tinto projectou a exportação de carvão pelo rio Zambeze. O que impediu que o projecto andasse?
OM: Os estudos de impacto ambiental não aconselharam.
NI: O que vai fazer o Governo agora?
OM: Agora procuramos saber o que leva a essa situação, quais são as razões de facto. Então estamos a espera do relatório global do detalhe do calculo de reservas, a avaliação que eles fizeram nos últimos tempos, e nessa altura faremos a nossa própria avaliação.
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