Foto: Ismael Miquidade
O cenário político moçambicano está em profunda mudança. A Renamo, considerado o maior partido da oposição, está enfraquecido e perde lugar para o MDM, partido formado pelos seus dissidentes. Apesar disso a Renamo ainda tem o seu peso e obriga a Frelimo, o partido no poder, a algumas cedências. O MDM, por seu lado, soma e segue, para além de destronar a Renamo, está a conseguir derrubar a hegemonia do partido do poder. Desenha-se agora uma fase de desafios para a Frelimo que governa o país há 36 anos? Numa entrevista para a Deutsche Welle, conduzida por mim, o cientista político moçambicano, Jaime Macuane, fez a sua análise:
Nádia Issufo: Qual é a sua opinião sobre as duras baixas que a Renamo está a ter?
Jaime Macuane: As mudanças que ocorrem na Renamo podem ser o resultado de uma falta de cumprimento de uma certa expectativa que este partido tinha como um partido no xadrez político que seria a conquista do poder, ou talvez, na pior das hipóteses, conseguir ter um estatuto em que pudesse participar da suposta partilha de recursos que fizesse a sua máquina funcionar e os seus apoiantes terem benefícios. Acredito que tendo-se frustrado com as suas derrotas nas eleições de 1994, 1999, 2004 e depois em 2009 de forma mais expressiva, então criou-se uma certa desarticulação porque o partido não coneguiu cumprir com as promessas implicitas ou explicítas que fez aos seus apoiantes. Então, nesta situação torna-se complicado manter estas lealdades.
NI: Face ao enfraquecimento da Renamo, mas que continua a ter alguns trunfos na mão, e o fortalecimento do MDM que desafios tem a Frelimo agora?
JM: A Frelimo tem grandes desafios em dois sentidos: primeiro tem de lidar com dois tipos de adversários; a Renamo que em termos políticos ainda tem alguma força, que não pode ser subestimada, mas que em termos programáticos não tem mostrado um discurso consistente. E por outro lado existe o MDM, que pode não ter a implantação que a Renamo tem, mas começa a ter um discurso crítico a Frelimo, mas não é belicista como o da Renamo, e olha mais para os pontos fracos da governação actual. Então a Frelimo tem que lidar não só com uma força militarizada que ameaça desestabilizar a ordem do sistema, mas lidar também com uma força mais politizada que é o MDM que começa a ter aceitação em circulos urbanos e no seio dos jovens. Portanto, é um grande desafio que a Frelimo terá pela frente nos próximos anos.
NI: Com estas mudanças no xadrez político moçambicano pode-se falar numa viragem de 180 graus?
JM: Está claro que que há uma mudança, mas eu não chamaria de mudança de 180 graus, apesar de alguns episódios de grande impacto como a derrota da Frelimo nas eleições autarquicas de Quelimane este ano, mas sim que começam a surgir elementos para uma mudança consistente.
NI: A crescimento da consciência dos jovens é um dos principais motores destas mudanças, principalmente no caso da vitória do MDM em Quelimane. Considera isso reversivel?
JM: Não creio que seja reversivel, o nível de maturidade dos jovens não é o mesmo de há alguns anos. E existe outra explicação, o nível de educação e exposição a outras culturas é grande. Essa cosnciência deve ser acompanhadaa de políticos que tenham a sensibilidade de atender as aspirações dos jovens. Por isso, se a Frelimo não conseguir entender as aspirações deles e não estruturar uma prática e um discurso consentaneos, então este partido poderá perder a força e apoio que ela tem neste momento no país.
Mais sobre o assunto para ouvir em:
http://www.dw-world.de/dw/0,,13918,00.html?id=13918&x=3&y=4
"Filho, vai para a escola aprender a vencer sem ter razão", disse a mãe de um famoso escritor africano no tempo colonial. O conselho continua atual.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
A quem pertence o nosso tempo?
Fui ao cinema com as minhas amigas, o bilhete dizia que o filme começava as 18 e 15, mas na verdade só começou as 18 e 40, ou seja 25 minutos do meu tempo foram, por imposição, para assistir publicidades! E como se não bastasse publicidades que seguidamente se contradiziam: primeiro de um marca de cigarro e de seguida se dizia que fumar mata, depois de incentivo ao consumo de alcool, ao publicitarem uma marca de cerveja, e depois uma publicidade de uma seguradora a mostrar que o alcool é o causador de muitas mortes. É verdade que as ofertas estão feitas, depois cada um faz as suas escolhas e assume os seus actos.
Mas quem lhes dá o direito de decidirem o que fazer do meu tempo? E do meu dinheiro? Sim, porque eu paguei, e sendo assim tenho o direito, pelo menos, a escolher o que quero assistir. Acho que isso é enganar o cliente, afinal se deve informar do plano real, e deixar ao critério do cliente as escolhas. A isso chamo de roubo e de porco apoderamento de cérebros e de tempo alheio. Isso é também roubo de liberdade!
Mas quem lhes dá o direito de decidirem o que fazer do meu tempo? E do meu dinheiro? Sim, porque eu paguei, e sendo assim tenho o direito, pelo menos, a escolher o que quero assistir. Acho que isso é enganar o cliente, afinal se deve informar do plano real, e deixar ao critério do cliente as escolhas. A isso chamo de roubo e de porco apoderamento de cérebros e de tempo alheio. Isso é também roubo de liberdade!
Minha Deusa!!!
No Zimbabué um homem queixou-se a polícia de ter sido violado sexualmente por três mulheres, que se apoderaram do seu esperma através dos preservativos que usaram durante os actos, supostamente para fins comerciais.
Um caso inusitado, não é? Sempre pensei que ser violado fosse fantasia de muitos homens... mas pelos visto esses homens de hoje acham que isso é uma violação dos direitos humanos, já que está tão em voga o conceito... Talvez a coisa tivesse sido menos ofensiva se tivesse sido o ofendido a escolher as tres mulheres, no exercício do poder que a sociedade maxista lhe confere. Outra curiosidade é que alguns países como o Zimbabué ou o Brasil a legislação só preve acções de homens contra mulheres, o que prova que o mundo é maxista até na legislação, embora a "lei mae", Constituição, que rege tudo o resto, seja uma palavra femenina... só que apenas no conceito...
Voltando ao assunto, este caso é um marco na mudança de papeis, ou um passo para a igualdade, em termos comportamentais, embora no caso nada dignos, como preferirem as defensoras de calcinhas...
Meu Deus, verá quem viver...
Ou melhor, minha Deusa. Isso copiando a madame L. que diz: "se tiver que adorar uma dinvidade, que seja uma mulher!!" E verá quem viver?
Um caso inusitado, não é? Sempre pensei que ser violado fosse fantasia de muitos homens... mas pelos visto esses homens de hoje acham que isso é uma violação dos direitos humanos, já que está tão em voga o conceito... Talvez a coisa tivesse sido menos ofensiva se tivesse sido o ofendido a escolher as tres mulheres, no exercício do poder que a sociedade maxista lhe confere. Outra curiosidade é que alguns países como o Zimbabué ou o Brasil a legislação só preve acções de homens contra mulheres, o que prova que o mundo é maxista até na legislação, embora a "lei mae", Constituição, que rege tudo o resto, seja uma palavra femenina... só que apenas no conceito...
Voltando ao assunto, este caso é um marco na mudança de papeis, ou um passo para a igualdade, em termos comportamentais, embora no caso nada dignos, como preferirem as defensoras de calcinhas...
Meu Deus, verá quem viver...
Ou melhor, minha Deusa. Isso copiando a madame L. que diz: "se tiver que adorar uma dinvidade, que seja uma mulher!!" E verá quem viver?
Um golpe de "Estado" dentro da Renamo...
Foto: Ismael Miquidade
Imagino isso ultimamente... Why not? O presidente está empenhado em eliminar o que de bom resta a esta formação política, nao nos esqueçamos que a pseudo democracia, ainda que assim seja, existe em Moçambique graças a Renamo. Hoje o partido, no verdadeiro sentido da palavra, de Afonso Dhlakama, é uma piada e desprovido de credibilidade. Perdeu grande parte dos seus cérebros, perdeu o quartel general (Beira) para os dissidentes, foi obrigado a criar o seu bastião em Nampula, e a limitar-se a apoio de desmobilizados de guerra descontentes.
Com o crescente comportamento monopartidário da Frelimo, o partido na situação, o líder da perdiz ameaçou recentemente incendiar o país com manifestações violêntas, numa espécie de chamado a Armando Guebuza, que surpreendentemente respondeu prontamente, passando assim "panos quentes" ao "pai da democracia". Prova disso é que depois de ter sido "acalmado" por Guebuza Afonso Dhlakama adiou as manifestações, previstas para o último dia 22, véspera das festas mais importantes para o povo e momento em que escasseia dinheiro, e agora viaja pela região centro do país, num espiríto de harmonia, para organizar manifestações pacíficas...
E viva o maior partido da oposição...
Constatações natalinas
Nas feiras de natal na Alemanha para além das tipicas comidas da terra, como o wurst, flameküchen, etc, ou bedidas como o glühwein (vinho quente com especiarias), também de se vende artesanato; colheres de pau, roupas de inverno, etc. Tudo isto custa os olhos da cara, mas mesmo assim as pessoas nao saem de lá, e por isso, algumas vezes, os vendedores nao sao simpaticos, afinal nao é preciso grande esforco para conquistar clientes...
O que os atraem tanto afinal? Várias coisas, como por exemplo a originalidade, exclusividade dos produtos, o contexto da sua producao, e agora que estamos em tempos "verdes", também os factores sustentabilidade, reciclagem e certificacao.
Já em países pobres como o meu, as pessoas procuram principalmente a funcionalidade e o lado estético dos produtos, que sao comprados com certo orgulho em "shoppings"... Ou entao, para quem é mais abastado, mas pouco consciente ou sem muitas alternativas de escolha, fica pelos produtos de grandes marcas ocidentais para poder contar aos amigos depois...
Esta comparacao entre mundos diferentes mostra claramente o estágio de desenvolvimento dos povos. A Alemanha para além de ser uma das maiores economias mundias, tem grande parte da sua populacao a adquirir outros valores devido ao seu nível de formacao e consciencia, por exemplo; um sujeito compra uma colher de sopa para oferecer a mae, nao só porque a mae precisa de uma nova, embora tenha uma dúzia, mas porque a madeira usada foi aproveitada de uma árvore doente e já sem funcionalidade, e por isso abatida e certificada, e foi fabricada manualmente por uma comunidade de órfaos pobres, cujos pais morreram de sida num país de terceiro mundo...
O que os atraem tanto afinal? Várias coisas, como por exemplo a originalidade, exclusividade dos produtos, o contexto da sua producao, e agora que estamos em tempos "verdes", também os factores sustentabilidade, reciclagem e certificacao.
Já em países pobres como o meu, as pessoas procuram principalmente a funcionalidade e o lado estético dos produtos, que sao comprados com certo orgulho em "shoppings"... Ou entao, para quem é mais abastado, mas pouco consciente ou sem muitas alternativas de escolha, fica pelos produtos de grandes marcas ocidentais para poder contar aos amigos depois...
Esta comparacao entre mundos diferentes mostra claramente o estágio de desenvolvimento dos povos. A Alemanha para além de ser uma das maiores economias mundias, tem grande parte da sua populacao a adquirir outros valores devido ao seu nível de formacao e consciencia, por exemplo; um sujeito compra uma colher de sopa para oferecer a mae, nao só porque a mae precisa de uma nova, embora tenha uma dúzia, mas porque a madeira usada foi aproveitada de uma árvore doente e já sem funcionalidade, e por isso abatida e certificada, e foi fabricada manualmente por uma comunidade de órfaos pobres, cujos pais morreram de sida num país de terceiro mundo...
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Os avessos da arte, ou da pobreza
Uma artista "de corpo cheio" olha para um lustre enorme e diz-me admirada: "aproveitaram os copos para fazer este candeiro" e eu disse: "não, não são copos, mas podiamos desmonta-lo e fazer copos" e puz-me a imaginar como poderia aproveitar as correntes que ligam os "copos" artísticos, mas depois outra coisa dominou a conversa...
Esta seria a funcionalidade da arte para muitas pessoas da minha terra, quando outros buscam a arte no essencial que falta aos primeiros...
Esta seria a funcionalidade da arte para muitas pessoas da minha terra, quando outros buscam a arte no essencial que falta aos primeiros...
A arte de destruir para recon$truir
A companhia aérea francesa, Air France, ganhou um contrato para manutenção de aviões de duas companhias públicas líbias, segundo informações do secretário de Estado do Comércio Externo francês. Já vi este filme antes, os Estados Unidos da América invadiram o Iraque, rico em petróleo, destruiram o país e depois as suas empresas ganharam os concursos para o reconstruirem. Agora é a França, principal protagonista na intervenção militar estrangeira na Líbia, também rico em petróleo, que opta pela mesa linha.
Pierre Lellouche, que esteve em Tripoli nesta terça-feira, fez-se acompanhar por uma delegação de representantes de empresas como a Total, Alstom, esta que também volta a fornecer materiais a empresa de electricidade Gecol, Acatel e France Telecom.
Assim a França aumenta as suas exportações e terá garantida uma fonte de matéria prima, é desta forma que se sustentam as grandes potências. E com a crise financeira e conómica, esta jogada veio de certeza em boa hora. Resta agora saber qual foi o nível de "transparência" do tal concurso. Restava outra alternativa ao Conselho Nacional de Transição se não "pagar" a França por lhe ter colocado no poder? E isto as organizações de defesa dos direitos humanos e pela transparência, demasiado citadas pelas rádios internacionais, preferem não saber, estão demasiado preocupadas com as contas angolanas, equatorial-guineenses, etc.
Pierre Lellouche, que esteve em Tripoli nesta terça-feira, fez-se acompanhar por uma delegação de representantes de empresas como a Total, Alstom, esta que também volta a fornecer materiais a empresa de electricidade Gecol, Acatel e France Telecom.
Assim a França aumenta as suas exportações e terá garantida uma fonte de matéria prima, é desta forma que se sustentam as grandes potências. E com a crise financeira e conómica, esta jogada veio de certeza em boa hora. Resta agora saber qual foi o nível de "transparência" do tal concurso. Restava outra alternativa ao Conselho Nacional de Transição se não "pagar" a França por lhe ter colocado no poder? E isto as organizações de defesa dos direitos humanos e pela transparência, demasiado citadas pelas rádios internacionais, preferem não saber, estão demasiado preocupadas com as contas angolanas, equatorial-guineenses, etc.
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