"Armas enviadas pela França para ajudar os rebeldes líbios na sua revolta contra o regime de Muammar Kadhafi ficaram na posse de tuaregues do Mali, que combateram ao lado do ex-líder líbio, noticia
a AFP."
Os rebeldes líbios acusam o presidente líbio de armar os touaregues no Mali para derrubar o governo de Bamako, e igualmente armar touaregues no Niger para desestabilizar o Niger. A ser verdade, neste momento Kadhafi não tem condições de armar ninguém, e com esta má sorte da França o presidente líbio consegue duas coisas: ver os seus inimigos lixarem-se um pouco e os seus protegidos continuarem por meio de "mágica" os seus objectivos. Terá ele pacto com Deus ou com o diabo? De quelquer das formas é importante lembrar que os primeiros países africanos que reconheceram o Conselho Nacional de Transição foram os mais próximos de Kadhafi, alguns dos quais com relações tensas com o regime líbio, como a Nigéria. Recorde-se que Muammar Kadhafi sugeriu a divisão da Nigéria em duas partes, devido aos confrontos entre muçulmanos e cristão, uma proposta que lhe mereceu duras criticas. Portanto vizinhos com dores são muitos...
"Filho, vai para a escola aprender a vencer sem ter razão", disse a mãe de um famoso escritor africano no tempo colonial. O conselho continua atual.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Eu sou no sentido daquilo que são os meus compatriotas...
“Neste momento a corporação está a trabalhar no sentido de localizar o suspeito que agora encontra -se em parte incerta." em vez de: "Neste momento estamos a trabalhar para encontrar o suspeito...". Se bem que tenho de concordar em certa medida com a primeira frase, porque muitas vezes a polícia localiza apenas, encontrar, muito pouco...
Ou então ouvir uma frase como esta: "Em relação aos resultados daquilo que foram as actividades de hoje..." em vez de: "Em relação aos resultados das actividades de hoje..."
Ao ler estas frases tenho a certeza absoluta que foram proferidas por alguém da minha terra, geralmente um funcionário público ou um político, e mais recentemente alguns jornalistas. Pena que o uso comum de expressões pouco "resumitivas", tão vulgares e cansativas não seja o suficente para os colocar no mesmo saco, embora alguns sejam... Será uma tendência contagiante? Sinceramente, ao meio da frase já perdi o interesse no assunto. Querer fazer bonito demais, as vezes faz fazer feio.
Bem compreendo agora porque um colega brasileiro disse-me um dia: "Vocês não conseguem dizer as coisas de forma mais simples, uma frase que se escreve com quatro palavras voces usam seis." E todos os dias tenho a oportunidade de constatar isso em mim também.
Muito má esta perda de tempo e energia, ainda por cima porque lutamos diariamente para termos a vida mais facilitada. E sabemos que a língua é reflexo de uma sociedade, sendo assim dá para compreender, sob o ponto de vista linguístico, porque o Brasil dá passos gigantes em matéria de desenvolvimento. E nós outros continuamos ainda envidar esforços no sentido de...
Ou então ouvir uma frase como esta: "Em relação aos resultados daquilo que foram as actividades de hoje..." em vez de: "Em relação aos resultados das actividades de hoje..."
Ao ler estas frases tenho a certeza absoluta que foram proferidas por alguém da minha terra, geralmente um funcionário público ou um político, e mais recentemente alguns jornalistas. Pena que o uso comum de expressões pouco "resumitivas", tão vulgares e cansativas não seja o suficente para os colocar no mesmo saco, embora alguns sejam... Será uma tendência contagiante? Sinceramente, ao meio da frase já perdi o interesse no assunto. Querer fazer bonito demais, as vezes faz fazer feio.
Bem compreendo agora porque um colega brasileiro disse-me um dia: "Vocês não conseguem dizer as coisas de forma mais simples, uma frase que se escreve com quatro palavras voces usam seis." E todos os dias tenho a oportunidade de constatar isso em mim também.
Muito má esta perda de tempo e energia, ainda por cima porque lutamos diariamente para termos a vida mais facilitada. E sabemos que a língua é reflexo de uma sociedade, sendo assim dá para compreender, sob o ponto de vista linguístico, porque o Brasil dá passos gigantes em matéria de desenvolvimento. E nós outros continuamos ainda envidar esforços no sentido de...
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Líbia
Se a permanência de Muammar Khadafi no poder dependesse de uma votação no continente africano, acredito que muitos votariam a favor. Tenho essa desconfiança pelas conversas que tenho com muitos africanos e pelas menasagens que oiço diariamente numa rádio internacional. Uma pena que nas horas de verdadeira crise a democracia não seja chamada... Isso acontece não só por gratidão, uma vez que o presidente líbio ajudou muitos países africanos, mas também pelo sentimento de humilhação e impotência por ver as grandes potencias mundiais invadirem um país africano sem que os outros vizinhos possam fazer algo.
A chamada comunidade internacional, que se aproveitou da crise do país, agora começa penetrar pelas brechas que também ajuda a abrir. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Ahmet Davutoglu, reconheceu o Conselho Nacional de Transição, CNT, como representante legítimo do povo líbio, e que se lixem as eleições, e foi ao seu bastião no principio deste mês, levar-lhe uma mala com 100 milhões de dolares. Juro que quando ouvi isso viagei para um filme ordinário sobre a máfia italiana! Istambul já até identificou sectores na Líbia onde pretende fazer negócios ultra lucrativos.
O anormal do presidente francês já mandou chamar os seus "putos", o CNT, para um encontro. Alias, a chacina e destruição na Líbia foram engendradas principalmente por Nicolas Sarkozy, que agora "cospe no prato que comeu", afinal ele sabe que pode comer mais ainda com o fim do regime de Kadhafi.
O grande especialista em invasões, destruições e alguma matança indescriminada desta vez surprendeu um "pouco" pela positiva, se é que isso se pode dizer. Os EUA quase estão invisiveis e mais cautelosos, embora em termos de mentalidade continue a ser igual a quase todos os países do Ocidente, Barack Obama lá vai dizendo aquelas coisas repetitivas.
Também através destas brechas penetram na Líbia os "ajudadores" ou "salvadores da Pátria". Acho que alguns países sofrem de uma espécie de megalomania: "se não fosse eu..."
A Alemanha, os EUA vão usar como garantia dinheiros líbios para "ajudar" na recosntrução do país.
CNT nunca corta a meta
Desde domingo que os rebeldes informam que tomaram grande parte da capital líbia, e até hoje não conseguem o pouco que falta. A informação sobre o controle da outra parte a media já não fala mais.
O CNT também informou que tinha prendido o filho do presidente líbio, uma grande mentira. O filho de Khadafi foi ao hotel da sua família mostrar ao mundo através da media, que estava em pé. Também não nos esqueçamos que sempre informavam que tinham tomado cidades estratégicas, quando não era verdade. Um conjunto de mentiras!
Agora desencadearam a caça ao homem. Onde está Muammar Kadhafi? Enquanto não o encontram, os líbios são mortos e o país destruido, para que os "ajudadores" se sintam mais importantes. E a comunidade internacional, que lá entrou em nome da defesa dos pobres líbios, chacina e destrói. Hoje o exército británico atacou um quartel general em Sirte, terra natal do presidente líbio. Não nos esqueçamos que os rebeldes só conseguiram chegar onde estão porque a comunidade internacional abriu caminho para eles, com a sua NATO sem legitimidade. E viva os interesses do povo líbio...
União Africana, a invisivel
A comunidade internacional simplesmente atropelou a maior organização africana, desta vez não houve fingimentos nem subtilezas, ignoraram a União Africana. Mal sabem eles que o seu maior inimigo nesta "caça ao bruxo" pode ser o continente abastecido por Kadhafi. Países de relação díficil com o Ocidente, ou que não seguem as suas imposições são os que mais se tem manifestado a favor do líder líbio: Zimbabue, Angola, Moçambique e talvez a África do Sul, entre outros. A SABC da África do Sul noticiou esta semana que Angola ofereceu axílo político a Kadhafi, o Zimbabué, entre outras coisas, já ameaçou expulsar o embaixador líbio de Harare por estar a ajudar os rebeldes. O ministro moçambicano dos Negócios Estrangeiros, Oldemiro Balói, disse em Maio último: “Dissociamo-nos completamente de todos os actos que têm estado a acontecer, para além da letra da resolução relativa à exclusão aérea. Agora são ataques para destruir a base de infra-estruturas da força aérea e com outros objectivos militares”, e mais recentemente sobre a caça a Kadhafi ele disse: “já era previsível” com a intervenção da NATO no país, feita “ao arrepio das regras internacionais”.
Pelas reacções destes quatro países, dá para deduzir que a cimeira dos estadistas da SADC, que aconteceu em Luanda há poucas semanas, foi decisiva em relação a Líbia. Como se diz "o segredo é a alma do negócio" e já me dizia o investigador do ISRI em Maputo, António Gaspar: "Não penses que a SADC quando se reúne não puxa as orelhas aos seus membros por mau comportamento, apenas não mostra ao mundo." A sabedoria africana não fica refém apenas das querelas domésticas familiares, ela alastra-se as COMUNIDADES...
Hoje a União Africana esteve reunida em Adis Abeba, na Etiopia, mas não houve resultados. O encontro foi marcado por divergências entre os membros relativamente ao reconhecimento político das partes líbias.
Enquanto uns reconhecem o CNT, o órgão político da rebelião líbia, outros fazem um finca pé, como Jacob Zuma e Yoweri Museveni. E dos que reconhecem o CNT nenhum pertence a SADC, por isso costumo dizer que das organizações regionais africanas a SADC é das mais coesas, pelo menos publicamente, o que lhe confere naturalmente maior credibilidade.
A chamada comunidade internacional, que se aproveitou da crise do país, agora começa penetrar pelas brechas que também ajuda a abrir. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Ahmet Davutoglu, reconheceu o Conselho Nacional de Transição, CNT, como representante legítimo do povo líbio, e que se lixem as eleições, e foi ao seu bastião no principio deste mês, levar-lhe uma mala com 100 milhões de dolares. Juro que quando ouvi isso viagei para um filme ordinário sobre a máfia italiana! Istambul já até identificou sectores na Líbia onde pretende fazer negócios ultra lucrativos.
O anormal do presidente francês já mandou chamar os seus "putos", o CNT, para um encontro. Alias, a chacina e destruição na Líbia foram engendradas principalmente por Nicolas Sarkozy, que agora "cospe no prato que comeu", afinal ele sabe que pode comer mais ainda com o fim do regime de Kadhafi.
O grande especialista em invasões, destruições e alguma matança indescriminada desta vez surprendeu um "pouco" pela positiva, se é que isso se pode dizer. Os EUA quase estão invisiveis e mais cautelosos, embora em termos de mentalidade continue a ser igual a quase todos os países do Ocidente, Barack Obama lá vai dizendo aquelas coisas repetitivas.
Também através destas brechas penetram na Líbia os "ajudadores" ou "salvadores da Pátria". Acho que alguns países sofrem de uma espécie de megalomania: "se não fosse eu..."
A Alemanha, os EUA vão usar como garantia dinheiros líbios para "ajudar" na recosntrução do país.
CNT nunca corta a meta
Desde domingo que os rebeldes informam que tomaram grande parte da capital líbia, e até hoje não conseguem o pouco que falta. A informação sobre o controle da outra parte a media já não fala mais.
O CNT também informou que tinha prendido o filho do presidente líbio, uma grande mentira. O filho de Khadafi foi ao hotel da sua família mostrar ao mundo através da media, que estava em pé. Também não nos esqueçamos que sempre informavam que tinham tomado cidades estratégicas, quando não era verdade. Um conjunto de mentiras!
Agora desencadearam a caça ao homem. Onde está Muammar Kadhafi? Enquanto não o encontram, os líbios são mortos e o país destruido, para que os "ajudadores" se sintam mais importantes. E a comunidade internacional, que lá entrou em nome da defesa dos pobres líbios, chacina e destrói. Hoje o exército británico atacou um quartel general em Sirte, terra natal do presidente líbio. Não nos esqueçamos que os rebeldes só conseguiram chegar onde estão porque a comunidade internacional abriu caminho para eles, com a sua NATO sem legitimidade. E viva os interesses do povo líbio...
União Africana, a invisivel
A comunidade internacional simplesmente atropelou a maior organização africana, desta vez não houve fingimentos nem subtilezas, ignoraram a União Africana. Mal sabem eles que o seu maior inimigo nesta "caça ao bruxo" pode ser o continente abastecido por Kadhafi. Países de relação díficil com o Ocidente, ou que não seguem as suas imposições são os que mais se tem manifestado a favor do líder líbio: Zimbabue, Angola, Moçambique e talvez a África do Sul, entre outros. A SABC da África do Sul noticiou esta semana que Angola ofereceu axílo político a Kadhafi, o Zimbabué, entre outras coisas, já ameaçou expulsar o embaixador líbio de Harare por estar a ajudar os rebeldes. O ministro moçambicano dos Negócios Estrangeiros, Oldemiro Balói, disse em Maio último: “Dissociamo-nos completamente de todos os actos que têm estado a acontecer, para além da letra da resolução relativa à exclusão aérea. Agora são ataques para destruir a base de infra-estruturas da força aérea e com outros objectivos militares”, e mais recentemente sobre a caça a Kadhafi ele disse: “já era previsível” com a intervenção da NATO no país, feita “ao arrepio das regras internacionais”.
Pelas reacções destes quatro países, dá para deduzir que a cimeira dos estadistas da SADC, que aconteceu em Luanda há poucas semanas, foi decisiva em relação a Líbia. Como se diz "o segredo é a alma do negócio" e já me dizia o investigador do ISRI em Maputo, António Gaspar: "Não penses que a SADC quando se reúne não puxa as orelhas aos seus membros por mau comportamento, apenas não mostra ao mundo." A sabedoria africana não fica refém apenas das querelas domésticas familiares, ela alastra-se as COMUNIDADES...
Hoje a União Africana esteve reunida em Adis Abeba, na Etiopia, mas não houve resultados. O encontro foi marcado por divergências entre os membros relativamente ao reconhecimento político das partes líbias.
Enquanto uns reconhecem o CNT, o órgão político da rebelião líbia, outros fazem um finca pé, como Jacob Zuma e Yoweri Museveni. E dos que reconhecem o CNT nenhum pertence a SADC, por isso costumo dizer que das organizações regionais africanas a SADC é das mais coesas, pelo menos publicamente, o que lhe confere naturalmente maior credibilidade.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Cabo Verde: Uma co-habitacao politica saudavel?
Pela primeira vez há co-habitação de dois partidos no poder em Cabo Verde com a vitória nas presidenciais deste domingo de Jorge Carlos Fonseca. Este candidatou-se como independente, embora tenha contado com o apoio da formação política MPD, da oposição. A liderar o governo está José Maria Neves, pelo PAICV, partido com grande historial de governação no país.A Deutsche Welle conversou com o analista político Ludgero Correia sobre esta nova era:
Nádia Issufo: É possível a co-habitação?
Ludgero Correia: Sim, é sempre possível a co-habitação. A Constituição define claramente quais são os poderes do presidente e quais são os poderes do governo. Desde que o governo cumpra com as suas obrigações, siga o que está estipulado, há uma convivência que não tem necessidade de chegar a crises de espécie nenhuma.
NI: Quais são as masi válias desta co-habitação para o pais?
LC: Nós temos lidado aqui em Cabo Verde com questões que mexem muito com o desenvolvimento do país e acabam por ter implicações sérias nos domínios do desemprego e na qualidade de vida dos cidadãos e que por algum motivo não mereceram a devida prioridade. Repare que o presidente da República vai ter que ter aqui, em nome dos cidadãos sem voz, e mesmo para ajudar o governo, ajudar a definir quais são os altos designíos nacionais, quais são as grandes prioridades e ajudar a estabelece-las. Não vai interferir com o programa de governação, mas terá uma palavra a dizer em matéria de prioridades.
NI: E o que se pode esperar em termos políticos desta situação nova em Cabo Verde?
LC: Eu acho que o primeiro ministro por mais que seja um cidadão muito voluntarioso, mas sabendo que tem um presidente atento, como Jorge Fonseca se define, ele também estará atento, não tomará qualquer medida que choque com a Constituição e estará atento as necesidades do país. E eu espero que encontre no presidente da República uma certa cooperação institucional estratégica que o país precise.
NI: Em relação ao eleitorado, esta mudança de tendência signfica alguma coisa?
LC: Este eleitorado é de luxo, sabe o que quer e sabe o que está em causa em cada eleição. A 6 de Fevereiro deu uma maioria absoluta clara ao PAICV e agora nas presidenciais não hesitou em dar a vitória a um candidato que foi apoiado pelo partido derrotado em Fevereiro e que lutou contra o candidato oficial do partido que ganhou aquelas eleições. E desta vez deu o brado de Obama "Yes we can" e não confunde umas eleições com as outras.
Nádia Issufo: É possível a co-habitação?
Ludgero Correia: Sim, é sempre possível a co-habitação. A Constituição define claramente quais são os poderes do presidente e quais são os poderes do governo. Desde que o governo cumpra com as suas obrigações, siga o que está estipulado, há uma convivência que não tem necessidade de chegar a crises de espécie nenhuma.
NI: Quais são as masi válias desta co-habitação para o pais?
LC: Nós temos lidado aqui em Cabo Verde com questões que mexem muito com o desenvolvimento do país e acabam por ter implicações sérias nos domínios do desemprego e na qualidade de vida dos cidadãos e que por algum motivo não mereceram a devida prioridade. Repare que o presidente da República vai ter que ter aqui, em nome dos cidadãos sem voz, e mesmo para ajudar o governo, ajudar a definir quais são os altos designíos nacionais, quais são as grandes prioridades e ajudar a estabelece-las. Não vai interferir com o programa de governação, mas terá uma palavra a dizer em matéria de prioridades.
NI: E o que se pode esperar em termos políticos desta situação nova em Cabo Verde?
LC: Eu acho que o primeiro ministro por mais que seja um cidadão muito voluntarioso, mas sabendo que tem um presidente atento, como Jorge Fonseca se define, ele também estará atento, não tomará qualquer medida que choque com a Constituição e estará atento as necesidades do país. E eu espero que encontre no presidente da República uma certa cooperação institucional estratégica que o país precise.
NI: Em relação ao eleitorado, esta mudança de tendência signfica alguma coisa?
LC: Este eleitorado é de luxo, sabe o que quer e sabe o que está em causa em cada eleição. A 6 de Fevereiro deu uma maioria absoluta clara ao PAICV e agora nas presidenciais não hesitou em dar a vitória a um candidato que foi apoiado pelo partido derrotado em Fevereiro e que lutou contra o candidato oficial do partido que ganhou aquelas eleições. E desta vez deu o brado de Obama "Yes we can" e não confunde umas eleições com as outras.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Os cifrões camaleão e manobras de prevenção?
O governo alemão anunciou hoje que vai ajudar a Líbia em acções humanitárias e na sua reconstrução pós-guerra, concedendo um crédito de 100 milhões de euros, mas a "ajuda" está coberta pelo dinheiro congelado da Líbia na Alemanha. Uma pouca vergonha da Alemanha em qualificar este acto como ajuda, sendo que o dinheiro pertence a Líbia, e maior porquice em informar ao público que a mesma se chama ajuda. Ajuda sim, é apenas o que eles prometem fazer nos sectores da justiça, instituições políticas, imprensa e processos eleitorais. Não sei exctamente ainda se o dinheiro pertecen ao presidente Líbio, Mouammar Kadhafi, ou aos seus familiares, ou ainda se peretence ao Estado líbio.
De qualquer das formas é mais do que justo que o dinheiro volte aos seus e os benefecie. Agora, mesmo é porco, e continuará a ser, ver os países ocidentais irem lá destruir, depois se pavonearem com as suas "ajudas", que na verdade não são mais do que sua obrigação pelos estragos que fizeram, a NATO arrasou com a Líbia e com os seus habitantes.
Olhando para este "apoderamento" dos dinheiros, duvidosos, de líderes africanos no Ocidente por parte da "comunidade internacional" muito há ainda por se dizer; se não acontecem casos justos como este da Alemanha, noutros casos são os proprios países do Ocidente onde este dinheiro é guardado que se beneficiam. Ou então os bancos, os suiços então...
E parece que alguns dirigentes africanos já estão a ficar preocupados com os seus investimentos, propriedades no exterior. O presidente de Angola terá vendido uma mansão sua na cidade de Nice por um milhão meio de euros. Mais para ler sobre este assunto em:
http://club-k.net/bastidores/8511-casa-de-jes-em-franca-vendida-a-um-milhao-de-euros
Não nos equeçamos que o presidente que mais tempo permaneceu no poder em África foi Muammar Kadhafi, e este era considerado "inquedável", na lista "haraldite na cadeira do poder", depois deste está José Eduardo dos Santos. E em Angola cresce a insatisfação em relação a desigualdade social e situação política, tal como cresce a repressão das autoridades contra as tentativas de manifestação popular e contra a imprensa. Será o presidente angolano o próximo da lista?
De qualquer das formas é mais do que justo que o dinheiro volte aos seus e os benefecie. Agora, mesmo é porco, e continuará a ser, ver os países ocidentais irem lá destruir, depois se pavonearem com as suas "ajudas", que na verdade não são mais do que sua obrigação pelos estragos que fizeram, a NATO arrasou com a Líbia e com os seus habitantes.
Olhando para este "apoderamento" dos dinheiros, duvidosos, de líderes africanos no Ocidente por parte da "comunidade internacional" muito há ainda por se dizer; se não acontecem casos justos como este da Alemanha, noutros casos são os proprios países do Ocidente onde este dinheiro é guardado que se beneficiam. Ou então os bancos, os suiços então...
E parece que alguns dirigentes africanos já estão a ficar preocupados com os seus investimentos, propriedades no exterior. O presidente de Angola terá vendido uma mansão sua na cidade de Nice por um milhão meio de euros. Mais para ler sobre este assunto em:
http://club-k.net/bastidores/8511-casa-de-jes-em-franca-vendida-a-um-milhao-de-euros
Não nos equeçamos que o presidente que mais tempo permaneceu no poder em África foi Muammar Kadhafi, e este era considerado "inquedável", na lista "haraldite na cadeira do poder", depois deste está José Eduardo dos Santos. E em Angola cresce a insatisfação em relação a desigualdade social e situação política, tal como cresce a repressão das autoridades contra as tentativas de manifestação popular e contra a imprensa. Será o presidente angolano o próximo da lista?
sábado, 20 de agosto de 2011
Onde está a comunidade internacional para a comunidade internacional?
-Nao existe.
-Quem controla e critica processos eleitorais no Ocidente?
-Ninguém.
-Quem controla e critica tráfico de influencias no Ocidente?
-Ninguém.
-Quem controla e critica repressoes violentas da polícia no Ocidente?
-Ninguém.
Essas sao apenas algumas perguntas, porque poderia enumerar outras dezenas. Agora na Espanha, por exemplo, a polícia está reprender violentamente os descontentes com os gastos feitos pelo governo com a visita do Papa Bento XVI, eles querem melhor uso do dinheiro público. Os jornalistas também nao escapam a mao pesada das forcas da lei e ordem, e as mulheres também tem merecido carinhos "a alta velocidade". Algum país "amigo" se pronunciou ou criticou? Na Alemanha quando foi da manifestacao contra a construcao da estacao central de Estugarda no ano passado a policia cegou alguns descontes, as imagens, garanto-vos, sao tao chocantes quanto as dos feridos de uma guerra qualquer em África. E alguém disse alguma coisa?
Ora, os terceiro-mundistas continuam a ser controlados, vigiados e criticados, algumas vezes com razao, mas sempre com uma atitude paternalista: "facam o que eu digo e nao o que eu faco"
E como essa postura está a ser perpetuada?
Com a ajuda da media, que é considerado o quarto poder. Esta evidencia que os seus caminhos sao sempre determinados por outros poderes, a imparcialidade que habita na sua boca é uma falácia. Aqui o sistema e os seus elementos estao tao bem definidos que quem nela entra só tem de seguir a corrente, para o meu desepero. Burra que sou nao me canso de me surprender com alguns jornalistas que acham que tem grandes experiencias e sabem tudo, mas que nao passam de reprodutores do que os outros jornalistas, quase sempre viciados, dizem. Está escrito nalgum jornal famoso, entao é verdade. Nunca tiveram a capacidade de visao, elemento primeiro para se ser jornalista. Outra coisa: só dao voz a quem tem poder, numa atitude de servelismo. Aos outros, que cometem muitos erros, nao lhes é dado se quer a oportunidade de opinar e criticar aos outros que nao erram menos.
A minha colega foi a uma conferencia de imprensa e no final viu as famosas agencias de informacao a combinarem o que iam dizer ao mundo. Existe fraude maior do que essa? E é com base nessas agencias que o resto trabalha. Um objecto sempre pode ser visto de diferentes angulos. E o pior de tudo é que fazem crer ao mundo, atraves de lavagem cerebral com "programas educativos" aos subdesenvolvidos, que eles devem ser sempre a referencia, que sao a verdade única. Afinal nao há muitas verdades?
E alguns desses jornalistas de agencias e radios internacionais quando vao para os países do terceiro mundo, muitas vezes lugares de suas fantasias, já vao com cliches e ideias pré-concebidas e procuram apenas a confirmacao do que procuravam. E depois as suas experiencias sao os "brinquedos" novos que exibem aos seus amigos nalgum convivio quando regressam a casa, no estilo "eu tenho e tu nao". Estao sempre cegos. Eu como gente de terceiro, mundo fico triste, provavelmente como as pessoas do Ocidente ficam com as minhas ideias sobre o seu "mundo".
Sinto que estou a beira da frustracao...
-Quem controla e critica processos eleitorais no Ocidente?
-Ninguém.
-Quem controla e critica tráfico de influencias no Ocidente?
-Ninguém.
-Quem controla e critica repressoes violentas da polícia no Ocidente?
-Ninguém.
Essas sao apenas algumas perguntas, porque poderia enumerar outras dezenas. Agora na Espanha, por exemplo, a polícia está reprender violentamente os descontentes com os gastos feitos pelo governo com a visita do Papa Bento XVI, eles querem melhor uso do dinheiro público. Os jornalistas também nao escapam a mao pesada das forcas da lei e ordem, e as mulheres também tem merecido carinhos "a alta velocidade". Algum país "amigo" se pronunciou ou criticou? Na Alemanha quando foi da manifestacao contra a construcao da estacao central de Estugarda no ano passado a policia cegou alguns descontes, as imagens, garanto-vos, sao tao chocantes quanto as dos feridos de uma guerra qualquer em África. E alguém disse alguma coisa?
Ora, os terceiro-mundistas continuam a ser controlados, vigiados e criticados, algumas vezes com razao, mas sempre com uma atitude paternalista: "facam o que eu digo e nao o que eu faco"
E como essa postura está a ser perpetuada?
Com a ajuda da media, que é considerado o quarto poder. Esta evidencia que os seus caminhos sao sempre determinados por outros poderes, a imparcialidade que habita na sua boca é uma falácia. Aqui o sistema e os seus elementos estao tao bem definidos que quem nela entra só tem de seguir a corrente, para o meu desepero. Burra que sou nao me canso de me surprender com alguns jornalistas que acham que tem grandes experiencias e sabem tudo, mas que nao passam de reprodutores do que os outros jornalistas, quase sempre viciados, dizem. Está escrito nalgum jornal famoso, entao é verdade. Nunca tiveram a capacidade de visao, elemento primeiro para se ser jornalista. Outra coisa: só dao voz a quem tem poder, numa atitude de servelismo. Aos outros, que cometem muitos erros, nao lhes é dado se quer a oportunidade de opinar e criticar aos outros que nao erram menos.
A minha colega foi a uma conferencia de imprensa e no final viu as famosas agencias de informacao a combinarem o que iam dizer ao mundo. Existe fraude maior do que essa? E é com base nessas agencias que o resto trabalha. Um objecto sempre pode ser visto de diferentes angulos. E o pior de tudo é que fazem crer ao mundo, atraves de lavagem cerebral com "programas educativos" aos subdesenvolvidos, que eles devem ser sempre a referencia, que sao a verdade única. Afinal nao há muitas verdades?
E alguns desses jornalistas de agencias e radios internacionais quando vao para os países do terceiro mundo, muitas vezes lugares de suas fantasias, já vao com cliches e ideias pré-concebidas e procuram apenas a confirmacao do que procuravam. E depois as suas experiencias sao os "brinquedos" novos que exibem aos seus amigos nalgum convivio quando regressam a casa, no estilo "eu tenho e tu nao". Estao sempre cegos. Eu como gente de terceiro, mundo fico triste, provavelmente como as pessoas do Ocidente ficam com as minhas ideias sobre o seu "mundo".
Sinto que estou a beira da frustracao...
Pão-pão, queijo-queijo...
Um jornalista angolano perguntou-me, "Vou para Moçambique em breve, achas que me deixam entrar lá?" E eu sem pensar muito respondi: "Só por seres angolano não te deviam deixar entrar, e vamos esquecer que és um profissional empenhado, cidaddão justo e honesto, etc. Isso não conta". Este é o segundo sentimento, porque depois da humilhação e falta de respeito, quase sempre sucede o desejo de vingança, mas como os moçambicanos são "diplomatas" por excelência, (e acho que só ficam a dever aos alemaes...), graças a Deus, isso fica só na intenção. Só que a vingança é um sentimento recorrente na nossa vida... e as vezes até com espaçamentos muito curtos! Li uma notícia ontem sobre o pronunciamento do ministro angolano dos negócios estrangeiros Georges Chicoty, ele dizia o seguinte: "o repatriamento de jornalistas moçambicanos de Angola foi um pequeno incidente", ler mais em: http://www.opais.co.mz/index.php/sociedade/45-sociedade/16029-angola-diz-que-repatriamento-de-jornalistas-mocambicanos-foi-um-pequeno-incidente.html
Riscaram os vistos com caneta vermelha, como o "clássico" professor da escola primária que tem por objectivo traumatizar, estigmatizar, e fazer sentir o seu poder sobre o aluno, mostraram ainda que não tem intenções de se esquecerem de como se pega numa arma, para além da sua "falta de chá", como dizia alguém muito especial para mim. Os jornalistas moçambicanos foram acompanhados para o avião que os levou de Maputo para Luanda com armas apontadas contra si.
Ora bolas, se este governo não é arrogante, só pode ser no minímo doente. Já sabemos da fama de arrogantes que os angolanos tem, algumas vezes só lhes trás ganhos, mas muitas vezes eles extrapolam os limites do admíssivel e vão plantando "makas" pelo mundo! E o pior é que ninguém os pára... maldita riqueza! Ou melhor, maldita pobreza...
Agora vamos ver como os moçambicanos resolvem os seus "makas" com os kambas...
Riscaram os vistos com caneta vermelha, como o "clássico" professor da escola primária que tem por objectivo traumatizar, estigmatizar, e fazer sentir o seu poder sobre o aluno, mostraram ainda que não tem intenções de se esquecerem de como se pega numa arma, para além da sua "falta de chá", como dizia alguém muito especial para mim. Os jornalistas moçambicanos foram acompanhados para o avião que os levou de Maputo para Luanda com armas apontadas contra si.
Ora bolas, se este governo não é arrogante, só pode ser no minímo doente. Já sabemos da fama de arrogantes que os angolanos tem, algumas vezes só lhes trás ganhos, mas muitas vezes eles extrapolam os limites do admíssivel e vão plantando "makas" pelo mundo! E o pior é que ninguém os pára... maldita riqueza! Ou melhor, maldita pobreza...
Agora vamos ver como os moçambicanos resolvem os seus "makas" com os kambas...
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