"Filho, vai para a escola aprender a vencer sem ter razão", disse a mãe de um famoso escritor africano no tempo colonial. O conselho continua atual.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Manuela Soeiro
Nádia Issufo: Como é trabalhar com alemães?
Manuela Soeiro: No início a gente pensa que é difícil trabalhar por causa da língua, é um povo do norte, podem ser muito frios, mas a verdade é que casamos muito bem com eles, porque ao fim ao cabo o teatro fala uma só língua. E de facto nós iniciamos com uma peça trazida pelo Jorge Vaz e Adelino Branquinho porque a Edith, a directora do Tribhune, quiz fazer uma peça para resgatar a morte daquele moçambicanoimorto pelos "skinheads", o Hnning Mankel escreveu e tinha de haver dois actores moçambicanos, e a partir dai não parámos mais. Não só com o Tribune, o Gripps, grupo para crianças e jovens, também trabalhamos com o ICMA em Moçambique. E também participei em Berlim num encontro de 35 directores de teatros independentes da Ásia, América Latina e Asia onde colhemos experiências e tivemos também alguma oficinas. Viemos a este festival e estamos a pensar numa continuidade para não morrermos por aqui.
NI: Qual é a grande marca do teatro alemão que se diferencia do teatro moçambicano e que vos serve de aprendizado?
MS: Não há duvida que eles tem uma técnica avançada, e o teatro alemão é uma referência no mundo. Nós vimos um teatro com uma dimensão muito profunda e aquilo que precisamos de ir buscar para não banalizar o nosso teatro, porque a Alemanha já tem uma tradição. Sem vir cá fizemos peças de teatro de escritores alemães e o nosso grupo está virado ao mundo, e não se cinge só a Moçambique, também procuramos e precisamos de desafios, e esta ligação é muito importante, para nós como para qualquer grupo.
NI: Sei que estão a trabalhar numa peça, podes me falar sobre o conteúdo?
MS: O Menning trouxe uma peça de Strindberg "Menina Júlia" e ele adaptou em Moçambique, nós estamos no início da nossa carreira teatrarl, mas muitas vezes as histórias são o reflexo da sociedade. Então esta peça reflete a vida, como a burguesia vive e a sua relação com o povo e a peça foi escrrita para Suécia e foi adaptada para Moçambique
NI: 22 anos de existência do Mutumbela Gogo, o que há de marcante para lembrar neste momento?
MS: Podemos dizer que os actores já atingiram uma qualidade.
terça-feira, 29 de março de 2011
Muitas mãos sujas: que resultados?
Muammar Kadhafi não é exactamente um democrata; está a mais de 40 anos no poder, limita as liberdades dos seus compatriotas, supostamente acumulou muita riqueza de proveniência duvidosa, e agora com esta crise política na Líbia terá ordenado matanças contra civis, etc, etc. Tentar encontrar feitos deste homem é tarefa delicada, mas por exemplo não há relatos de pobreza no seu país, ajudou muitos países africanos, que hoje alguns deles tem os seus dirigentes no silêncio... poucos ousam criticar a actuação do presidente líbio. E em alguns países como a Guiné-Bissau a população mantém o seu apoio a Kadhafi com os mais diversos argumentos. Sobre o lado lunático deste homem só vou apontar duas coisas relevantes: o sonho de criar os Estados Unidos de África e o facto de se intitular o rei do reis no seu continente. Neste campo só o admiro por uma coisa: pela coragem de o revelar publicamente...
Ban Ki Moon legitima o desconhecido...
A agudização dos confrontos entre rebeldes e o exército governamental preocuparam a comunidade internacional. A organização mãe, a ONU, era a última possibilidade de solução, ou a que iria legitimar uma intervenção militar externa, talvez há muito desejada. O seu Conselho de Segurança demorou a parir uma resolução porque faltou o consenso, a China, Rússia, Brasil, índia e (surpreendentemente ou não...) a Alemanha se abstiveram. Portugal foi preponderante para a aprovação da resolução que o secretário geral da ONU assinou por baixo com as seguintes palavras: "façam o que for necessário." Algumas potências mundiais que tanto esperaram por esse momento trataram logo de montarem-se nos seus brinquedos e irem brincar aos polícias e ladrões, ou bandidos, em casa do "parceiro" Kadhafi. São eles a França, Grã-Bretanha e EUA. Foi no minimo surpreendente o protagonismo de Nicolas Sarkozy no caso, e os EUA aparentemente deram passos nesse sentido com alguma cautela, afinal carregam nas costas assaltos mal sucedidos ao Iraque e ao Afeganistão. Para além da oposição interna a intervenção na Líbia.
Amigo
Os que chamam Kadhafi de ditador e outras coisas são os mesmos que venderam armas para o seu regime, e que por isso também tem uma certa noção da "capacidade" do actual inimigo, como é o caso da França. E se se confirmar que realmente Nicolas Sarkozy recorreu ao dinheiro do ditador para se eleger, então...
Já a Itália parece vestir apenas uma única camisa, embora não me esqueça de que o governo de Berlusconi conseguiu com o presidente líbio um acordo para impedir a entrada de pretos na Itália, ou melhor, no velho continente... Muammar Kadhafi ai não pensou duas vezes antes de maltratar os seus irmãos africanos em nome de milhares de Euros...
E Silvio Berlusconi, coitado, quase não teve apoio dos seus pares da União Europeia, que também não querem emigrantes africanos. Desencadeia até hoje uma luta titánica... e como será agora?
Com o despoletar da crise na Líbia é quando vem ao de cima as sugeiras, ou pelo menos são amplamente divulgadas, por exemplo as grandes participações da Líbia ou do clã Kadhafi em sectores chaves da economia italiana. Em suma: são tão indecentes quanto o seu alvo e acima de tudo parceiros, só que com uma diferença, um usa disfarces e outro não. A maquiagem sempre faz a diferença...
Afinal é contra Kadhafi ou não?
Parace que a coligação internacional é a banda dos independentes, cada um toca para o seu lado. Ainda esta semana o presidente da França dizia que os ataques não pretendiam derrubar o presidente Muammar Kadhafi. Hillary Clinton disse que a intenção desta intervenção é fazer com que o regime de Kadhafi se submeta as exigências da ONU. Mas no final todos assumem que querem mesmo o derrube do presidente.
Ouro negro...
No último final de semana os rebeldes anunciaram que iriam retomar a exportação de petróleo e iriam também aumenta-la. Os opositores de Kadhafi informaram ainda que assinaram um acordo com o Qatar, delegando no Emirado a comercialização do petróleo. Sabemos que eles precisam de recursos para tentarem derrubar o presidente líbio do poder, mas que autoridade e legitimidade tem eles para isso? E claro que alguém, que defende a legitimidade, vai comprar esse petróleo...
Serviços não declarados...
Os aliados estão claramente a abrir caminhos para a oposição ocupar as cidades estratégicas através de ataques aéreos, uma ajudazinha apenas... Será este um dos pontos da resolução aprovada pela ONU contra a Líbia?
Supostamente a coligação está a contrariar o seu objectivo principal: proteger os civis.
De acordo com a LUSA, que cita uma entrevista à agência de informação de missionários católicos Fides, um bispo católico em Tripoli afirmou que "ataques aéreos alegadamente humanitários fizeram dezenas de vítimas civis em vários bairros da capital líbia." Também as autoridades líbias já tinham afirmado o mesmo na última semana. A NATO disse hoje que vai investigar esses casos e os EUA rejeitaram categoricamamente estarem a matar civis, o secretário da Defesa do país acusa o exército líbio de colocar corpos de civis nas zonas bombardeadas pelas forças da coligação internacional, mas Robert Gates garante que as forças da coligação têm sido "extremamente cuidadosas neste esforço militar". As toneladas de mortos que os EUA e os seus aliados levam nas costas principalmente no Afeganistão, fez as grandes potências pensarem com ponderação antes desta intervenção na Líbia. Sem nos esquecermos que o momento é de crise, e os gastos destas potências com ocupações e guerras são astronómicos. Internamente as contestações contra os gastos do sector da defesa são grandes...
Continuar a armar os rebeldes?
Falta consenso quanto a atribuição ou não de armas aos rebeldes líbios, a França, EUA e a Grã-Bretanha não excluem a possibilidade de munir ainda mais os opositores de Kadhafi. Já o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, manifestou-se hoje contra a ideia, tal como a Noruega. Não será isto uma promoção de chacinas?
Deutschland ist schlau...
Política de cima do muro, é o que faz sempre a Alemanha. Se abstem de votar pela resolução do Conselho de Segurança da ONU, mas defende que a Líbia deve ser um país democrático e garante que quer ser amigo deste país nos planos de desenvolvimento, etc. Neste caso acho que a Alemanha se saiu muito bem, não foi por mais lenha na fogueira. Também não podemos nos esquecer que este país foi "especialista" em matanças, a seu "herança" neste campo o garante para esta vida e a próxima encarnação... É preciso limpar o nome... e não é com sangue!
(não acabei...)
Ban Ki Moon legitima o desconhecido...
A agudização dos confrontos entre rebeldes e o exército governamental preocuparam a comunidade internacional. A organização mãe, a ONU, era a última possibilidade de solução, ou a que iria legitimar uma intervenção militar externa, talvez há muito desejada. O seu Conselho de Segurança demorou a parir uma resolução porque faltou o consenso, a China, Rússia, Brasil, índia e (surpreendentemente ou não...) a Alemanha se abstiveram. Portugal foi preponderante para a aprovação da resolução que o secretário geral da ONU assinou por baixo com as seguintes palavras: "façam o que for necessário." Algumas potências mundiais que tanto esperaram por esse momento trataram logo de montarem-se nos seus brinquedos e irem brincar aos polícias e ladrões, ou bandidos, em casa do "parceiro" Kadhafi. São eles a França, Grã-Bretanha e EUA. Foi no minimo surpreendente o protagonismo de Nicolas Sarkozy no caso, e os EUA aparentemente deram passos nesse sentido com alguma cautela, afinal carregam nas costas assaltos mal sucedidos ao Iraque e ao Afeganistão. Para além da oposição interna a intervenção na Líbia.
Amigo
Os que chamam Kadhafi de ditador e outras coisas são os mesmos que venderam armas para o seu regime, e que por isso também tem uma certa noção da "capacidade" do actual inimigo, como é o caso da França. E se se confirmar que realmente Nicolas Sarkozy recorreu ao dinheiro do ditador para se eleger, então...
Já a Itália parece vestir apenas uma única camisa, embora não me esqueça de que o governo de Berlusconi conseguiu com o presidente líbio um acordo para impedir a entrada de pretos na Itália, ou melhor, no velho continente... Muammar Kadhafi ai não pensou duas vezes antes de maltratar os seus irmãos africanos em nome de milhares de Euros...
E Silvio Berlusconi, coitado, quase não teve apoio dos seus pares da União Europeia, que também não querem emigrantes africanos. Desencadeia até hoje uma luta titánica... e como será agora?
Com o despoletar da crise na Líbia é quando vem ao de cima as sugeiras, ou pelo menos são amplamente divulgadas, por exemplo as grandes participações da Líbia ou do clã Kadhafi em sectores chaves da economia italiana. Em suma: são tão indecentes quanto o seu alvo e acima de tudo parceiros, só que com uma diferença, um usa disfarces e outro não. A maquiagem sempre faz a diferença...
Afinal é contra Kadhafi ou não?
Parace que a coligação internacional é a banda dos independentes, cada um toca para o seu lado. Ainda esta semana o presidente da França dizia que os ataques não pretendiam derrubar o presidente Muammar Kadhafi. Hillary Clinton disse que a intenção desta intervenção é fazer com que o regime de Kadhafi se submeta as exigências da ONU. Mas no final todos assumem que querem mesmo o derrube do presidente.
Ouro negro...
No último final de semana os rebeldes anunciaram que iriam retomar a exportação de petróleo e iriam também aumenta-la. Os opositores de Kadhafi informaram ainda que assinaram um acordo com o Qatar, delegando no Emirado a comercialização do petróleo. Sabemos que eles precisam de recursos para tentarem derrubar o presidente líbio do poder, mas que autoridade e legitimidade tem eles para isso? E claro que alguém, que defende a legitimidade, vai comprar esse petróleo...
Serviços não declarados...
Os aliados estão claramente a abrir caminhos para a oposição ocupar as cidades estratégicas através de ataques aéreos, uma ajudazinha apenas... Será este um dos pontos da resolução aprovada pela ONU contra a Líbia?
Supostamente a coligação está a contrariar o seu objectivo principal: proteger os civis.
De acordo com a LUSA, que cita uma entrevista à agência de informação de missionários católicos Fides, um bispo católico em Tripoli afirmou que "ataques aéreos alegadamente humanitários fizeram dezenas de vítimas civis em vários bairros da capital líbia." Também as autoridades líbias já tinham afirmado o mesmo na última semana. A NATO disse hoje que vai investigar esses casos e os EUA rejeitaram categoricamamente estarem a matar civis, o secretário da Defesa do país acusa o exército líbio de colocar corpos de civis nas zonas bombardeadas pelas forças da coligação internacional, mas Robert Gates garante que as forças da coligação têm sido "extremamente cuidadosas neste esforço militar". As toneladas de mortos que os EUA e os seus aliados levam nas costas principalmente no Afeganistão, fez as grandes potências pensarem com ponderação antes desta intervenção na Líbia. Sem nos esquecermos que o momento é de crise, e os gastos destas potências com ocupações e guerras são astronómicos. Internamente as contestações contra os gastos do sector da defesa são grandes...
Continuar a armar os rebeldes?
Falta consenso quanto a atribuição ou não de armas aos rebeldes líbios, a França, EUA e a Grã-Bretanha não excluem a possibilidade de munir ainda mais os opositores de Kadhafi. Já o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, manifestou-se hoje contra a ideia, tal como a Noruega. Não será isto uma promoção de chacinas?
Deutschland ist schlau...
Política de cima do muro, é o que faz sempre a Alemanha. Se abstem de votar pela resolução do Conselho de Segurança da ONU, mas defende que a Líbia deve ser um país democrático e garante que quer ser amigo deste país nos planos de desenvolvimento, etc. Neste caso acho que a Alemanha se saiu muito bem, não foi por mais lenha na fogueira. Também não podemos nos esquecer que este país foi "especialista" em matanças, a seu "herança" neste campo o garante para esta vida e a próxima encarnação... É preciso limpar o nome... e não é com sangue!
(não acabei...)
Os pilares da casa
No último final de semana aconteceram eleições regionais em dois Estados alemães: Baden Württemberg e Renânia Palatinado. Algumas coisas inéditas marcaram o escrutínio, a CDU, União Democrata Cristã, perdeu pela primeira vez no primeiro Estado, e os Verdes tiveram os melhores resultados de sempre em eleições regionais nos dois Estados.
Está claro para todos que a luta contra as centrais nucleares na Alemanha garantiu a vitória do Verdes. De recordar que os acidentes nas centrais nucleares japonesas, na sequência dos terramotos e maremotos, reacenderam na Alemanha um assunto já polémico. Boa parte dos alemães exige que o governo encerre as suas centrais, mas o governo tenta embrulhar o seu eleitorado, com prazos de encerramento muito grandes, entretanto sem sucesso. Isso porque o povo, que é na sua maioria consciente por causa do elevado nível de instrução e formação, reage imediatamente ao que é pouco normal, uma prática que no país tem cabelos brancos, ser proactivo e activo. Por isso é que na Alemanha a democracia é uma palavra cheia. Uma casa sólida e resistente tem sempre bases sólidas...
Democracia pressupõe também consciência e maturidade, ou prática.
Outra coisa não menos importante que alavancou a vitória dos verdes em Baden Württemberg foi o Stuttgart 21. A autoridade local quer(ia) construir uma nova estação central de comboios, facto entretanto rejeitado pelos Verdes e por grande parte das pessoas dessa região por várias questões, entre elas, e a mais forte, a ambiental. As fortes manifestações dos Verdes e/ou amigos do ambiente foram a primeira previsão, até certo ponto, esta derrocada do CDU, União Democrata Cristã, há 58 anos no poder. Apesar das contra-manifestações...
Quando tudo funciona, até se podem dispensar as sondagens eleitorais...
Está claro para todos que a luta contra as centrais nucleares na Alemanha garantiu a vitória do Verdes. De recordar que os acidentes nas centrais nucleares japonesas, na sequência dos terramotos e maremotos, reacenderam na Alemanha um assunto já polémico. Boa parte dos alemães exige que o governo encerre as suas centrais, mas o governo tenta embrulhar o seu eleitorado, com prazos de encerramento muito grandes, entretanto sem sucesso. Isso porque o povo, que é na sua maioria consciente por causa do elevado nível de instrução e formação, reage imediatamente ao que é pouco normal, uma prática que no país tem cabelos brancos, ser proactivo e activo. Por isso é que na Alemanha a democracia é uma palavra cheia. Uma casa sólida e resistente tem sempre bases sólidas...
Democracia pressupõe também consciência e maturidade, ou prática.
Outra coisa não menos importante que alavancou a vitória dos verdes em Baden Württemberg foi o Stuttgart 21. A autoridade local quer(ia) construir uma nova estação central de comboios, facto entretanto rejeitado pelos Verdes e por grande parte das pessoas dessa região por várias questões, entre elas, e a mais forte, a ambiental. As fortes manifestações dos Verdes e/ou amigos do ambiente foram a primeira previsão, até certo ponto, esta derrocada do CDU, União Democrata Cristã, há 58 anos no poder. Apesar das contra-manifestações...
Quando tudo funciona, até se podem dispensar as sondagens eleitorais...
segunda-feira, 21 de março de 2011
Golpe final feminino...
Neste momento de várias crises políticas no mundo, os "maus da fita", os políticos, no auge dos seus actos considerados bárbaros são desqualificados pelas mulheres que convivem comigo pelo lado menos esperado: o estético!
Embora elas tenham argumentos plausiveis e justos para os detestarem, a machadada final, quando o cenário se torna feio, vem do lado estranho: algumas dizem que não gostam do presidente da Líbia, Muammar Kadhafi, porque ele faz operações plásticas e põe botox, outras não gostavam do Hosni Mubarak, ex-presidente do Egipto, porque pinta o cabelo, ou do Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, porque também pinta o cabelo e faz operações plásticas. Outra disse-me que não gosta do ex-ministro da defesa da Alemanha, Karl Teodor Zu Guttenberg porque usa gel no cabelo... E a pior sacanagem feminina em relacao ao presidente líbio surgiu depois de uns minutos de observacao e reflexao e foi a seguinte: "parece que eu conheco o Kadhafi de algum lugar... ele é feio!"
E media não se difere muito do universo feminino, a revista Focus no momento do queda de Guttemberg recuperou nos seus arquivos as fotografias de "gel" do ex-ministro alemão... Segundo uma colega minha ele apostava no marketing de forma bem séria (percebi na revista Focus), também para alimentar a imprensa cor de rosa, que alimenta as fantasias femininas e como se pode perceber também é pelo mesma via que os políticos se coroam fatalmente...
Mulher é mesmo um ser fantástico! Ela pode enterrar um gajo pelas merdas de uma vida toda, usando as justificações mais insignificantes e adoráveis...
Embora elas tenham argumentos plausiveis e justos para os detestarem, a machadada final, quando o cenário se torna feio, vem do lado estranho: algumas dizem que não gostam do presidente da Líbia, Muammar Kadhafi, porque ele faz operações plásticas e põe botox, outras não gostavam do Hosni Mubarak, ex-presidente do Egipto, porque pinta o cabelo, ou do Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, porque também pinta o cabelo e faz operações plásticas. Outra disse-me que não gosta do ex-ministro da defesa da Alemanha, Karl Teodor Zu Guttenberg porque usa gel no cabelo... E a pior sacanagem feminina em relacao ao presidente líbio surgiu depois de uns minutos de observacao e reflexao e foi a seguinte: "parece que eu conheco o Kadhafi de algum lugar... ele é feio!"
E media não se difere muito do universo feminino, a revista Focus no momento do queda de Guttemberg recuperou nos seus arquivos as fotografias de "gel" do ex-ministro alemão... Segundo uma colega minha ele apostava no marketing de forma bem séria (percebi na revista Focus), também para alimentar a imprensa cor de rosa, que alimenta as fantasias femininas e como se pode perceber também é pelo mesma via que os políticos se coroam fatalmente...
Mulher é mesmo um ser fantástico! Ela pode enterrar um gajo pelas merdas de uma vida toda, usando as justificações mais insignificantes e adoráveis...
quinta-feira, 17 de março de 2011
O meu Deus branco...
É humilhante em muitos casos o processo de aquisição de vistos para países do primeiro mundo. É humilhante também viver nesse "céu" e querer convidar parentes ou amigos para uma visita, eles pedem atestado de residência, contrato de arrendamento de casa para comprovar, entre outras coisas, que tens espaço suficente para receber as tuas visitas, contrato de trabalho, comprovativos de três últimos meses de salário, extrato bancário, e "o diabo a quatro" como diz uma grande amiga minha. Garanto-vos que é um teste a paciência, não só de um santo...
As vezes acho que todas estas exigências são para nos fazer desistir de vir viver no "paraiso", como se os "terrenos" todos tivessem esse sonho...
Na verdade compreendo que o primeiro mundo não queira imigrantes, ainda por cima de conduta duvidosa, querem garantir o melhor para a sua população.
Mas e quando "Deus" desce a terra? Sabemos que embora o movimento nesse sentido não esteja previsto, ele acontece com muita frequência... Que "terreno" pede mundos e fundos ao "Nosso Senhor" para aterrar?
É em momentos como esses que acho que todos africanos deviam ser angolanos... estes sabem dar respostas a altura em situações de crise. E mesmo sem haver crises! Quantos não passam as passas do Algarve para viajar para o "El-dorado" africano? Não exigem mundos e fundos, mas põem "Deus" a dançar o semba...
Como no caso do encerramento das contas bancárias da embaixada angolana nos EUA, não questiono os motivos, mas o governo de José Eduardo dos Santos jogou com as mesmas armas, no estilo: "com isso os americanos não vem para Angola, e como eles tem interesses aqui..."
As vezes acho que todas estas exigências são para nos fazer desistir de vir viver no "paraiso", como se os "terrenos" todos tivessem esse sonho...
Na verdade compreendo que o primeiro mundo não queira imigrantes, ainda por cima de conduta duvidosa, querem garantir o melhor para a sua população.
Mas e quando "Deus" desce a terra? Sabemos que embora o movimento nesse sentido não esteja previsto, ele acontece com muita frequência... Que "terreno" pede mundos e fundos ao "Nosso Senhor" para aterrar?
É em momentos como esses que acho que todos africanos deviam ser angolanos... estes sabem dar respostas a altura em situações de crise. E mesmo sem haver crises! Quantos não passam as passas do Algarve para viajar para o "El-dorado" africano? Não exigem mundos e fundos, mas põem "Deus" a dançar o semba...
Como no caso do encerramento das contas bancárias da embaixada angolana nos EUA, não questiono os motivos, mas o governo de José Eduardo dos Santos jogou com as mesmas armas, no estilo: "com isso os americanos não vem para Angola, e como eles tem interesses aqui..."
"Fat Man" numa versão light?
66 anos separam o bombardeamento nuclear de Hiroshima e Nagasaki do acidente na central nuclear de Fukushima no Japão. Acontecimentos com natureza e origem muito diferentes, mas com efeitos até certo ponto semelhantes, a radiação. Claro que não se pode comparar, e espero que tal nunca aconteça, mas me pergunto: porque o destino decidiu fazer "bis" a este povo?
Já ontem um jornalista da RTP, acho que Carlos Daniel, que está em Tóquio por causa dos acidentes dizia que os japoneses estão habituados a usar máscaras, se não por causa das gripes é por causa, neste caso, da radiação. E me lembrei que durante as visitas do "Fat Man" e do "Little Boy" também se usaram máscaras no Japão... Uma amaldicoada tradição?
Já ontem um jornalista da RTP, acho que Carlos Daniel, que está em Tóquio por causa dos acidentes dizia que os japoneses estão habituados a usar máscaras, se não por causa das gripes é por causa, neste caso, da radiação. E me lembrei que durante as visitas do "Fat Man" e do "Little Boy" também se usaram máscaras no Japão... Uma amaldicoada tradição?
quarta-feira, 16 de março de 2011
(In)consciência da nulidade...
O tsunami e terremoto que atingiram o Japão na última sexta-feira lembraram ao mundo que o ser humano é nada... O resultado da inteligência, competência, organização, e talvez da vaidade, edificado em muito tempo, foi devastado pela força da natureza, uma potência que nenhuma potência humana pode vencer. A actual situação da central nuclear de Fukushima deixa o país e o mundo na incerteza quanto ao futuro. Os japoneses tentam a todo custo arrefecer os reactores nucleares.
O comissário europeu para a energia qualificou os esfoços nipónicos de "pouco profissionais". Segundo a LUSA, Gunther Oettinger disse: "e os meios improvisados com que trabalham os japoneses implicaram que corrigisse a grande opinião que tinha até ao momento sobre a competência dos engenheiros, da competência da técnica, da competência industrial, da perfeição e precisão dos nipónicos"
Este momento é para manifestação de solidariedade e apoio, penso eu. A catástrofe ainda está em pleno, não é altura para criticas, pelo menos deste tipo, que a meu ver são destrutivas. Como diz um colega meu: "onde estão as organizações alemãs que para lá tinham ido ajudar?", segundo o meu colega voltaram alegando que nada há para fazer por lá...
É preciso estar em aflição para não se ser egoista e prepotente.
Sábia prevenção, mas até onde?
Na Alemanha a situação está tensa por causa das centrais nucleares. A população e os partidos de oposição exigem a antecipação do fim das suas centrais. A decisão neste sentido já tinha sido tomada pelo governo, mas numa perspectiva de logo prazo até que tenham em pleno outras fontes de energia.
A actual situação de Fukushima voltou a despoletar a exigência, num momento delicado. Acontecem eleições regionais em breve e o governo de Angela Merkel tem de manter nas palminhas o seu eleitorado.
A manifestação da consciência é dos grandes trunfos conquistados pelos alemães, que são caracterizados como disciplinados, organizados, e acho eu antecipados...
Apesar de todas estas qualidades, terão eles a capacidade de se precaverem contra o imprevisivel desconhecido?
O comissário europeu para a energia qualificou os esfoços nipónicos de "pouco profissionais". Segundo a LUSA, Gunther Oettinger disse: "e os meios improvisados com que trabalham os japoneses implicaram que corrigisse a grande opinião que tinha até ao momento sobre a competência dos engenheiros, da competência da técnica, da competência industrial, da perfeição e precisão dos nipónicos"
Este momento é para manifestação de solidariedade e apoio, penso eu. A catástrofe ainda está em pleno, não é altura para criticas, pelo menos deste tipo, que a meu ver são destrutivas. Como diz um colega meu: "onde estão as organizações alemãs que para lá tinham ido ajudar?", segundo o meu colega voltaram alegando que nada há para fazer por lá...
É preciso estar em aflição para não se ser egoista e prepotente.
Sábia prevenção, mas até onde?
Na Alemanha a situação está tensa por causa das centrais nucleares. A população e os partidos de oposição exigem a antecipação do fim das suas centrais. A decisão neste sentido já tinha sido tomada pelo governo, mas numa perspectiva de logo prazo até que tenham em pleno outras fontes de energia.
A actual situação de Fukushima voltou a despoletar a exigência, num momento delicado. Acontecem eleições regionais em breve e o governo de Angela Merkel tem de manter nas palminhas o seu eleitorado.
A manifestação da consciência é dos grandes trunfos conquistados pelos alemães, que são caracterizados como disciplinados, organizados, e acho eu antecipados...
Apesar de todas estas qualidades, terão eles a capacidade de se precaverem contra o imprevisivel desconhecido?
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