A BBC vai encerrar os seus serviços em Português para África. Esta notícia deixou-me de boca aberta até hoje! A considerada referência das rádios internacionais tomar uma atitude destas? Prefiro pensar, acreditar ou sonhar que o governo británico vai voltar atrás na decisão e que em vez de eliminar o serviço, que vai fazer reduções de vária ordem para que os ouvintes que tanto apreciam este canal continuem a ter a BBC como referência pelo serviço prestado.
Mas tenho outras preocupações, para além das que citei acima. Será que as outras estações internacionais poderão tomar decisões semelhantes? Todos estão a fazer reduções, os tempos são de vacas magrissímas e a crise financeira ainda arrasa. A decisão de uma grande estação encorajaria as outras a seguir pelo mesmo caminho? Afinal estamos em épocas de contágios...
Saiba mais sobre a extinção do serviço em Português da BBC selecionando a emissão da noite da DW, do dia 26 de Janeiro:
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html
"Filho, vai para a escola aprender a vencer sem ter razão", disse a mãe de um famoso escritor africano no tempo colonial. O conselho continua atual.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Crise no Magrebe: O Mar Vermelho é o limite?
O chamado "efeito contágio" da crise do Magrebe já arrasou a região. Entendidos dizem que todo este caos foi originado pela crise económica, dai até se falar inicialmente em crise social. Mas estas crises sociais acabaram por terminar em crises políticas devido também a regimes políticos com características próprias que até aqui estiveram adormecidos nos países contaminados. Por exemplo, o presidente da Tunísia, Ben Aly, esteve durante vinte e três anos no poder, o presidente do Egipto, Osni Mubarak, está a quase trinta anos a dirigir os destinos do país. Não há alternância de poder. Outro ponto, no caso do Egipto, é a manutenção de sistemas monarquicos legitimados pela democracia. Diz-se que o presidente egípcio estaria a preparar o seu filho para a "sucessão democrática", com esta manifestação Mubarak está com as mãos atadas no que se refere a esta pretensão. Depois deste efeito "spill over" pode-se falar em revolução governativa naquela região?
Só a água separa dois lados
Entretanto, bem ao lado do último contagiado pela "doença do Magrebe" está a Jordânia e a Arabia Saudita. De certo que ai não haverá nenhuma crise económica a despoletar a crise política. O contagio poderá ser só da fase avançada, a da crise política? há esse risco?
Do lado de lá da água chegam mensagens de apoio a Mubarak, de acordo com a LUSA "O presidente Mahmud Abbas, da Autoridade Palestiniana, telefonou ao presidente egípcio e afirmou a sua solidariedade para com o Egipto e o seu compromisso com a segurança e a estabilidade" e "o rei Abdallah, da Arábia Saudita, telefonou a Mubarak para lhe exprimir a sua solidariedade e denunciar "os atentados à segurança e à estabilidade" do Egipto.
Na chamada África branca a consciência dos jovens desempenha o papel fundamental nesta revolução. Do outro lado do Mar Vermelho também existem jovens, que provavelmente tem consciência.
Só a água separa dois lados
Entretanto, bem ao lado do último contagiado pela "doença do Magrebe" está a Jordânia e a Arabia Saudita. De certo que ai não haverá nenhuma crise económica a despoletar a crise política. O contagio poderá ser só da fase avançada, a da crise política? há esse risco?
Do lado de lá da água chegam mensagens de apoio a Mubarak, de acordo com a LUSA "O presidente Mahmud Abbas, da Autoridade Palestiniana, telefonou ao presidente egípcio e afirmou a sua solidariedade para com o Egipto e o seu compromisso com a segurança e a estabilidade" e "o rei Abdallah, da Arábia Saudita, telefonou a Mubarak para lhe exprimir a sua solidariedade e denunciar "os atentados à segurança e à estabilidade" do Egipto.
Na chamada África branca a consciência dos jovens desempenha o papel fundamental nesta revolução. Do outro lado do Mar Vermelho também existem jovens, que provavelmente tem consciência.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Amor trancado
Autor: Ismael Miquidade
Titulo: Poesia no Reno
Na cidade de Colónia, na Alemanha, existe uma ponte sobre o rio Reno onde os casais de namorados "trancam" os seus amores para sempre com um cadeado e atiram as chaves para o rio. Pobre rio, não sei se se faz assoreamento de rio, mas se assim for que trabalhão! Além de que esse gesto deve ser bem prejudicial ao ambiente, mas (in) felizmente os ambientalistas nem se lembram disso, que se lixe o Öko e viva o amor!
Este simbolismo em África, de trancar o amor, é manifestado de outras maneiras. Por exemplo, em Moçambique ouve-se muito a frase: "ela meteu o marido na garrafa". Para mim isto não é muito diferente dos cadeados dos alemães... mas o "engarrafamento" é mal visto em Moçambique porque muitos tem vergonha de assumir que são ligados ao mundo dos curandeiros ou feiticeiros, isto também em parte por causa da colonização que reprimiu muito as tadições e costumes locais, e a influência do ocidente ainda nos dias de hoje, que quase sempre vê estas crenças com muito preconceito.
Mas voltando ao amor aprisionado, me pergunto: porque o cadeado? Ele simboliza coisas más ou insegurança: prisão, confinamento, defesa, protecção contra o mal... Ó grande liberdade onde estás tu?
Quando a alma gémea se torna carcereiro
Este simbolismo do cadeado, que eu vejo, as vezes é transportado para o casamento. Este por sua vez costuma ser o resultado de uma história de amor, e noutras não passa de uma convenção social. Mesmo sendo a segunda hipótese cheia de reticências, ela tem muitas vantagens, uma delas, e talvez a mais importante, é legitimar os filhos, a instituição família ainda é vital em muitos lugares. Há outras vantagens que os manuais de antropologia apontam e o Homem também conhece muito bem. Entretanto o casamento que começa por amor também pode ser reduzido a apenas uma construção social. E o simbolo cadeado algumas vezes tem culpa no cartório nesta mutação, porque ele sufoca as liberdades individuais. Assim, as almas gémeas acabam por se transformar entre si carcereiro um do outro.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
A crise do Magrebe, uma brecha bem-vinda para quem?
O caos na Tunísia começou em meados de Dezembro último. A crise social, originada pelo altos índices de desemprego, foi apenas o rastilho para que o país, até então um barril de polvora, explodisse. A crise hoje é política, porque as manifestações que começaram nessa altura touxeram a ribalta as fraquezas do governo. O presidente Ben Aly, que dirigiu os país por vinte e três anos, saiu de lá quase que na condição de fugitivo. Entretanto, esta crise contaminou outros países do Magrebe, como a Argélia e mais recentemente a Mauritânia, no chamado efeito "spill over". Na Argélia manifestantes, maioritariamente jovens, entraram em confrontos com a polícia nos principios deste mês, pelos mesmos motivos: descontentamento sobre as condições de vida; subida dos preços dos produtos de primeira necessidade e taxa de desemprego que chega aos 20%. Os argelinos não se conformam com facto de não sentirem nas suas vidas os retornos das inúmeras riquezas do seu país rico, também em petróleo. O governo, entretanto, tomou medidas para resolver a questão. Hoje as notícias chegam da Mauritânia, milhares de pessoas manifestam-se contra a subida do custo de vida, os produtos alimentares subiram em 30%. O presidente Abdel Mohamed também já ordenou a redução dos preços. Estão todos com receio de um contagio de crise vinda da Tunisia.
E esta região para além de ser rica é fundamentalmente muçulama, o que para muitos países do ocidente significa um potencial para a instalação de bastiões do terrorismo, aquele que eles designam de islámico.
Sem esquecer que em países desses não existe democracia, pelo menos não a padronizada por eles. Os Estados Unidos da América já se ofereceram para ajudar a democratizar a Tunísia.
Portanto, com todas as fragilidades que o Magrebe vive hoje, que fendas estão criadas para que os interesses externos vinguem lá? Será esta a chance?
E esta região para além de ser rica é fundamentalmente muçulama, o que para muitos países do ocidente significa um potencial para a instalação de bastiões do terrorismo, aquele que eles designam de islámico.
Sem esquecer que em países desses não existe democracia, pelo menos não a padronizada por eles. Os Estados Unidos da América já se ofereceram para ajudar a democratizar a Tunísia.
Portanto, com todas as fragilidades que o Magrebe vive hoje, que fendas estão criadas para que os interesses externos vinguem lá? Será esta a chance?
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Olhando de longe e fazendo muitas perguntas...
Foto: Sérgio Manjate
Por acaso no dia em que chegou a Maputo o corpo de Malangatana conversei com um colega. Ele reclamava que estava cansado e eu perguntei porque, ele explicou-me que era por causa mesmo das cerimónias funebres do artista plástico. Não estando lá e tendo acesso as informações apenas por internet, limitei-me a fazer muitas perguntas para saber como a media local estava afazer a cobertura...
Colega: chegou o corpo de Malangatana hoje e estamos a fazer um directo
Eu: Ai é? Ele morreu???
Colega: Sim, não sabias???
Eu: Claro que sabia... mas achas que a chegada do corpo merece um directo?
Colega: Todos os canais estão fazer...
Eu: É só porque os outros fazem que o vosso canal também faz?
Colega: Até em Portugal fizeram...
Eu: ...
Colega: Estiveram no aeroporto muitos dirigentes
Eu: E o que vocês estão a fazer com os dirigentes lá?
Colega: Fazemos entrevistas sobre o Malangatana...
Eu: Vocês já fizeram uma reportagem ou um documentário desde que ele morreu com depoimentos de pessoas próximas a ele, momentos marcantes da vida dele, entrevistas com ele, etc?
Colega: Temos estado a falar sobre ele sempre, trazemos convidados para o estudio, etc
E falamos mais um pouco e a conversa acabou. Por outro motivo tive de falar com outro colega e não perdi a oportunidade de continuar a fazer perguntas sobre o assunto. Resumo a conversa com o colega dois também:
Eu: O que achas dos directos que estão a fazer por causa da chegada do corpo de Malangatana?
Colega dois: Estão a ser bons, desde cedo que os canais estão a transmitir e muita gente está a acompanhar.
Eu: Não achas que um documentário sobre o trabalho dele e o seu legado e momentos da vida dele seria o mais indicado neste momento?
Colega dois: Nádia... cada canal está a dar o seu contributo...
A conversa terminou pouco depois. Vejo as notícias nos sites moçambicanos. As fotos no aeroporto são de dirigentes alinhados e todos direitinhos e militares a carregarem o caixão. Um dia depois vejo na galeria de fotos de grandes acontecimentos de um jornal electrónico o velório de Malangatana no Munícipio de Maputo, as figuras da política moçambicana em peso estavam na maioria das fotos, lá de quando em vez aperecia um artista ou algum familiar ou ainda anónimos. A última foto que vi, numa notícia, foi a do presidente Guebuza e a sua esposa próximos do caixão.
Não questiono, nunca, a figura de Malangatana. Ele é uma referência incontornável das artes plásticas moçambicanas, e também da história do país. Concordo e aprecio a homenagem e o espaço de antena concedida a esta figura. Agora só me pergunto se tudo isso não poderia ter sido feito no sentido mais correcto, ou seja, explorando principalmente a figura dele. O que percebo, é verdade que estou longe, são fundamentalmente duas coisas: que altas figuras políticas do partido no poder promovem, em excesso, as suas imagens, com a ajuda intencional ou não da media..., e a media local por sua vez se bate para poder dizer que transmitiu em primeira mão um grande acontecimento. E porque não páro de fazer perguntas, fica aqui a última: e o grande objectivo, que é o artista e o seu legado, onde fica? A tentar sobressair no meio de políticos e da media alucinada?
Por acaso no dia em que chegou a Maputo o corpo de Malangatana conversei com um colega. Ele reclamava que estava cansado e eu perguntei porque, ele explicou-me que era por causa mesmo das cerimónias funebres do artista plástico. Não estando lá e tendo acesso as informações apenas por internet, limitei-me a fazer muitas perguntas para saber como a media local estava afazer a cobertura...
Colega: chegou o corpo de Malangatana hoje e estamos a fazer um directo
Eu: Ai é? Ele morreu???
Colega: Sim, não sabias???
Eu: Claro que sabia... mas achas que a chegada do corpo merece um directo?
Colega: Todos os canais estão fazer...
Eu: É só porque os outros fazem que o vosso canal também faz?
Colega: Até em Portugal fizeram...
Eu: ...
Colega: Estiveram no aeroporto muitos dirigentes
Eu: E o que vocês estão a fazer com os dirigentes lá?
Colega: Fazemos entrevistas sobre o Malangatana...
Eu: Vocês já fizeram uma reportagem ou um documentário desde que ele morreu com depoimentos de pessoas próximas a ele, momentos marcantes da vida dele, entrevistas com ele, etc?
Colega: Temos estado a falar sobre ele sempre, trazemos convidados para o estudio, etc
E falamos mais um pouco e a conversa acabou. Por outro motivo tive de falar com outro colega e não perdi a oportunidade de continuar a fazer perguntas sobre o assunto. Resumo a conversa com o colega dois também:
Eu: O que achas dos directos que estão a fazer por causa da chegada do corpo de Malangatana?
Colega dois: Estão a ser bons, desde cedo que os canais estão a transmitir e muita gente está a acompanhar.
Eu: Não achas que um documentário sobre o trabalho dele e o seu legado e momentos da vida dele seria o mais indicado neste momento?
Colega dois: Nádia... cada canal está a dar o seu contributo...
A conversa terminou pouco depois. Vejo as notícias nos sites moçambicanos. As fotos no aeroporto são de dirigentes alinhados e todos direitinhos e militares a carregarem o caixão. Um dia depois vejo na galeria de fotos de grandes acontecimentos de um jornal electrónico o velório de Malangatana no Munícipio de Maputo, as figuras da política moçambicana em peso estavam na maioria das fotos, lá de quando em vez aperecia um artista ou algum familiar ou ainda anónimos. A última foto que vi, numa notícia, foi a do presidente Guebuza e a sua esposa próximos do caixão.
Não questiono, nunca, a figura de Malangatana. Ele é uma referência incontornável das artes plásticas moçambicanas, e também da história do país. Concordo e aprecio a homenagem e o espaço de antena concedida a esta figura. Agora só me pergunto se tudo isso não poderia ter sido feito no sentido mais correcto, ou seja, explorando principalmente a figura dele. O que percebo, é verdade que estou longe, são fundamentalmente duas coisas: que altas figuras políticas do partido no poder promovem, em excesso, as suas imagens, com a ajuda intencional ou não da media..., e a media local por sua vez se bate para poder dizer que transmitiu em primeira mão um grande acontecimento. E porque não páro de fazer perguntas, fica aqui a última: e o grande objectivo, que é o artista e o seu legado, onde fica? A tentar sobressair no meio de políticos e da media alucinada?
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Marcolino Moco: um ex-dirigente angolano que questiona a democracia do seu país
Marcolino Moco: é uma avaliação positiva em certa medida, devo dizer que em Angola temos problemas muito sérios de regresso ao passado de partido único que só não chegou a todo o seu alcançe porque ainda podem se denvolver actividades como esta que estamos a participara promovida pela igreja, embora fique sem uma difusão nacional porque há mecanismos restritivos muito sérios no sistema de informação aqui em Angola, portanto digamos que estamos num sistema de democratização que não é o desejável, já esteve muito melhor, mas se calhar estamos em pior situação que outras do nosso continente.
NI: O que acha da participação dos diversos sectores da sociedade angolana na construção do país e principalmente da democracia?
MM: O regime não fechou a possibilidade de participação, mas há uma especie de fechamento da comunicação a nível nacional, por exemplo este evento que está a ser promovido pela igreja é divulgado só a nível de Luanda porque a Rádio Eclésia não pode transmitir para todo o território nacional e isso na base de subterfugios de carácter jurídico que o regime está a levantar. Entretanto isso é um problema muito sério, mas as dicussões aqui em Luanda fazem-se. E há um outro aspecto relativo a Constituição, podemos falar de uma Constituição formal e outra real. Esta última está muito longe da formal, o que costumo dizer também é que isso acontece em todo o lado. Mas a distância aqui em Angola é muito grande, por exemplo a Constituição proclama o direito a opinião, mas pessoas de Cabinda já foram para as cadeias de uma forma não transparente, manifestações que não foram autorizadas quando a Constituição diz que sim, entretanto há associações que podem fazer manifestações porque estão próximas do regime.
NI: Da distância entre a Constituição formal a real é capaz de apontar algumas coisas mais fortes?
MM: Como se pode meter na cadeia uma pessoa num país democrático por delito de opinião como aconteceu com padres inclusive em Cabinda? Como é que a comunicação pública pode estar completamente sequestrada pelas autoridades, inclusive admnistrada por parentes de dignitários do Estado, onde todas as criticas ao Estado são omitidas ou deturpadas. E ultimamente temos o escandalo da compra dos poucos meios de imprensa que eram livres, foram comprados pelos grupos ligados aos dignitários do regime. Isso sem falar de aspectos que acabaram por ser formalizados que violam qualquer Constituição de um regime democrático. O facto de termos um presidente da República que até hoje, oito anos depois do alcance da paz, não foi eleito e a Constituição aprovada apressadamente consagrar este facto, o facto de um presidente com tantos poderes não ter uma eleição a parte, mas, face a expressão, aproveitando a boleia da vitória do seu partido que ele própria domesticou completamente?
NI: Com este retrocesso da democracia como desenha o futuro de Angola?
MM: Penso que se continuarem com actos como estes, por exemplo como este que a igreja está a promover, e se se conseguir passar do falatório para actos concretos, por exemplo, judiciarizando algumas dessas violações, denunciando-as e sobretudo se os partidos políticos, infelizmente foram reduzidos a ínfima potência, a própria Unita que é o maior partido da oposição, se encontrarem mecanismos realistas de acção concreta de paralisar esta caminhada em direcção ao passado, podemos augurar bons dias, porém se continuarmos nesta situação que não se passa das formalidades para actos condenatórios e activos, mas quando falo em acção não me refiro a subversões contra o Estado, muito longe de pensar num retorno a guerra, isso nunca mais. Porque essa conquista de paz que temos hoje é algo que não tem preço, mas de forma inteligente, usando métodos pacíficos tem que ser ser um pouco mais concretos no sentido de obrigar este regime a pensar que a democracia, o direito do povo angolano não pode ser sequestrado.
NI: Como vê o papel da comunidade internacional na construção da democracia em Angola?
MM: Hoje com a crise financeira internacional não podemos contar com muito acção positiva nesse sentido, hoje há ainda o chapéu da soberania por isso os angolanos devem assumir, se não digo a 100%, pelo menos a 90%, esta acção para paralisar o retrocesso. Porque a comunidade internacional funciona sobretudo com a acção das poteências, mas hoje estas últimas estão assoberbadas com a crise enconómica. Portugal por exemplo, não é uma super-potência mas a sua democracia tem uma grande influência sobre Angola, mas hoje infelizmente é de Portugal de onde saem as vozes mais acalentadoras para aqueles que querem retroceder o nosso processo, há professores prestigiados que sem estudar querem falar sobre o que se passa em Angola tecem laudos por exemplo a uma Constituição que consagra um super presidente em Angola, que ainda por cima pode dissolver a própria Assembléia Nacional para além de ser o dono e senhor do partido que ele dirige. Há professores catedráticos de Portugal e políticos também de quem não se podia esperar que vem cá, ou mesmo a partir de Portugal do regime diferente do regime modelo ou típico negativo africano, que consiste em ter consagrado a democracia avançada a partir dos anos noventa mas que começa de há dez anos para cá a regredir para as monarquias que nem constitucinais são, são monarquias pessoais partidárias.
Pode ouvir uma parte desta entrevista em:
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html
Selecione a emissão da manhã do dia 13 de Janeiro de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Dom Jaime Gonçalves
Em Moçambique a Igreja Católica diz que há violação dos direitos das populações que vivem nas proximidades dos grandes projectos no país. O arcebispo da Beira, Dom Jaime Gonçalves, acrescenta que os os tais projectos em vez de trazerem beneficio para elas, só prejudicam. Este pronunciamento surge na sequência da publicação de um estudo do CIP, Centro de Integridade Pública, sobre os mega projectos na área de mineração, cujo titulo é: "Questões à volta da mineração em Moçambique"
Dom Jaime Gonçalves: a questão não é só em Moçambique, é em muitos países de África. Fazem-se projectos de diversa natureza mas que não respeita os direitos das populações, temos dado exemplos da desflorestação das nossas terras, o corte de madeira que parte para o estrangeiro. O corte da madeira muda o clima da zona e as populações enfrentam por isso as consequências negativas da desflorestação da sua região. Portanto, ai está o valor económico da desflorestação, da exportação da madeira e o prejuizo para as populações. Elas vem a madeira a sair e não reverte directamente para elas que cuidaram da floresta ficam sem proveito do projecto. Também fazem-se projectos que exigem recolha da água para no futuro atingir objectivos previstos e a população fica sem água para ela e para o seu gado. Por conseguinte vantagens económicas de tais projectos prejudicam os direitos das populações. Estamos a dizer que os interesses dos diversos projectps devem respeitar a dignidade da pessoa humana, a sua vida, a pessoa huaman, o clima porque aqui vivemos.
NI: Então pode-se dizer com isso que há uma violação dos direitos humanos?
DJG: se me tiram a água para beber como vou viver?
NI: Considera que o governo está a desempenhar cabalmente o seu papel de protector, na medida em que deve velar pelos direitos das populações?
DJG: Os mega projectos, como tal, não são maus , e há até minimos projectos que podem ofender os direitos das pessoas, e nesse caso dizemos que a prioridade é a pessoa humana. Não se sacrifica a pessoa humana para se ter vantagens económicas. Nós queremos estabelecer uma hierarquia, as vantagens económicas não devem ser o sacrificio da pessoa humana.
Oiça a peça em:
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html
Selecione a emissão da manhã do dia 11 de Janeiro de 2011
Dom Jaime Gonçalves: a questão não é só em Moçambique, é em muitos países de África. Fazem-se projectos de diversa natureza mas que não respeita os direitos das populações, temos dado exemplos da desflorestação das nossas terras, o corte de madeira que parte para o estrangeiro. O corte da madeira muda o clima da zona e as populações enfrentam por isso as consequências negativas da desflorestação da sua região. Portanto, ai está o valor económico da desflorestação, da exportação da madeira e o prejuizo para as populações. Elas vem a madeira a sair e não reverte directamente para elas que cuidaram da floresta ficam sem proveito do projecto. Também fazem-se projectos que exigem recolha da água para no futuro atingir objectivos previstos e a população fica sem água para ela e para o seu gado. Por conseguinte vantagens económicas de tais projectos prejudicam os direitos das populações. Estamos a dizer que os interesses dos diversos projectps devem respeitar a dignidade da pessoa humana, a sua vida, a pessoa huaman, o clima porque aqui vivemos.
NI: Então pode-se dizer com isso que há uma violação dos direitos humanos?
DJG: se me tiram a água para beber como vou viver?
NI: Considera que o governo está a desempenhar cabalmente o seu papel de protector, na medida em que deve velar pelos direitos das populações?
DJG: Os mega projectos, como tal, não são maus , e há até minimos projectos que podem ofender os direitos das pessoas, e nesse caso dizemos que a prioridade é a pessoa humana. Não se sacrifica a pessoa humana para se ter vantagens económicas. Nós queremos estabelecer uma hierarquia, as vantagens económicas não devem ser o sacrificio da pessoa humana.
Oiça a peça em:
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html
Selecione a emissão da manhã do dia 11 de Janeiro de 2011
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