Foto: Ismael Miquidade
Titulo: Köln
Poucas vezes vejo os alemães conversarem no transporte público. Cada um se esconde atrás de um livro, jornal ou então entope os ouvidos com aqueles auscultadores dolorosos do celular, I Pod e sei lá mais o que, para ouvir música. Também não tem a obrigação de o fazer na medida que não se conhecem. E como perfeitos alemães que são tem de rentabilizar melhor o tempo.
Mas há excepções a regra, e a excepção neste caso chama-se cão. Esta semana vi um senhor conversar calorosamente com a dona de um cão no metro, ao mesmo tempo que acariciava incansavelmente o animal. E ninguém olhou para eles com cara feia porque não se calavam e ainda por cima falavam em tom um pouco mais alto do que o "normal".
Mas também esta esta semana vi uma senhora no machimbombo olhar várias vezes com cara feia para um bebe que tentava alegremente falar. Vi várias vezes muitos adultos ficarem irritados e admirados por verem bebes chorarem, talvez por cansaço, doença, sono, por qualquer coisa que fosse. Poucas vezes vejo um alemão se dirigir a outro alemão para comentar algo sobre o filho ou algo relacionado com ele. Não há aproximação, algumas vezes os mais simpáticos são repelidos violentamente, um olhar gelado já diz tudo, e por isso desistem de qualquer contacto. Os cães hoje são bebes e os bebes são cães... Será que está haver uma inversão das funções? Bem que um colega já tinha dito isso várias vezes e eu pensei que fosse exagero...
"Filho, vai para a escola aprender a vencer sem ter razão", disse a mãe de um famoso escritor africano no tempo colonial. O conselho continua atual.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Malangatana se foi mas os seus "xipocos" continuam entre nós
Foto: Ismael Miquidade
Titulo:Jesus no reino dos xipocos
"Ishi... esses xipocos do Malangatana..." Era isso que frequentemente ouvia de algumas pessoas próximas quando viam os trabalhos do artista plástico moçambicano Malangatana. Cresci a ouvir isso, mas as pessoas diziam com admiração, isso do lado de lá. Enquanto do lado de cá a media e o mundo, que também o admirava, nunca fizeram menção a estes "xipocos", pelo menos não da mesma forma. Os meus conhecidos, a meu ver, não pretendiam com isso dizer que as obras de Malangatana eram uma coisa do mal, mas sim algo diferente e que afrontava, e o xipoco também afronta... Mas nem sempre quem afronta é mau.
Era com um espanto que só a minha gente sabe demonstrar... Para mim é esta forma como a maioria via, e continua a ver, o trabalho desta referência moçambicana das artes plásticas.
As galerias, exposições, arte, eram uma realidade que não cabia no mundo deles, pelo menos com estes rotulos. Apenas a ele tinham acesso através de media. Mas foram sempre privilegiados com os murais pintados e esculpidos por ele nas avenidas da grande Maputo e outros lugares. Esta visão dos meus conhecidos era uma maneira mais simples de ver o trabalho do artista plástico, uma simplicidade que a meu ver carecterizava o próprio Malangatana e a sua as sua arte, ou artes.
Titulo:Jesus no reino dos xipocos
"Ishi... esses xipocos do Malangatana..." Era isso que frequentemente ouvia de algumas pessoas próximas quando viam os trabalhos do artista plástico moçambicano Malangatana. Cresci a ouvir isso, mas as pessoas diziam com admiração, isso do lado de lá. Enquanto do lado de cá a media e o mundo, que também o admirava, nunca fizeram menção a estes "xipocos", pelo menos não da mesma forma. Os meus conhecidos, a meu ver, não pretendiam com isso dizer que as obras de Malangatana eram uma coisa do mal, mas sim algo diferente e que afrontava, e o xipoco também afronta... Mas nem sempre quem afronta é mau.
Era com um espanto que só a minha gente sabe demonstrar... Para mim é esta forma como a maioria via, e continua a ver, o trabalho desta referência moçambicana das artes plásticas.
As galerias, exposições, arte, eram uma realidade que não cabia no mundo deles, pelo menos com estes rotulos. Apenas a ele tinham acesso através de media. Mas foram sempre privilegiados com os murais pintados e esculpidos por ele nas avenidas da grande Maputo e outros lugares. Esta visão dos meus conhecidos era uma maneira mais simples de ver o trabalho do artista plástico, uma simplicidade que a meu ver carecterizava o próprio Malangatana e a sua as sua arte, ou artes.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Das Wörterbuch
Na Alemanha é bom que um estrangeiro ande sempre com um dicionário na mão. Só que um dicionário nunca publicado, não pense que o vai encontrar na livraria, nunca! Mas as palvaras que lá estão fazem perte do dia-a-dia de muitos alemães e é importante que se tenha o domínio delas. Vou de agora em diante construir o meu dicionário de alemão-portugues...
Halloooooo: se um alemão se dirigir a si nestes moldes, não pense que é excesso de simpatia. Essa palavra quer dizer que você é um atrasado mental.
..................: esse buraco, quer dizer silêncio. Isso acontece algumas vezes quando se é atropelado por um alemão. É o equivalente ao nosso "com licença". Se o atropelador for educado vai lhe dizer "Achtung", ou seja, cuidado. Já alguém me disse que não existe o "com licença" em alemão, não sei se é verdade.
Halloooooo: se um alemão se dirigir a si nestes moldes, não pense que é excesso de simpatia. Essa palavra quer dizer que você é um atrasado mental.
..................: esse buraco, quer dizer silêncio. Isso acontece algumas vezes quando se é atropelado por um alemão. É o equivalente ao nosso "com licença". Se o atropelador for educado vai lhe dizer "Achtung", ou seja, cuidado. Já alguém me disse que não existe o "com licença" em alemão, não sei se é verdade.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
G 19 continuará a apertar o cinto a Moçambique em 2011?
Há possibilidade do G19 reduzir a juda ao Orçamento de Estado de Moçambique este ano. A relação entre o G-19, grupo de doadores, e o governo de Moçambique tem sido tensa nos últimos tempos porque os primeiros perdem a confiança no segundo devido a sua actuação no campo político e económico. Por exemplo, o G-19 fala de falta de transparência em processos eleitorais, questiona a boa governação, democracia e megaprojectos não rentáveis. Nadia Issufo, atraves da DW, entrevistou o economista Nuno Castel-Branco, do IESE, Instituto de Estudos Sociais e Económicos, e começou por perguntar sobre as implicações de uma redução e ele apontou algumas...
Nuno Castel-Branco: Uma das implicações é obrigar o governo moçambicano a encontrar alternativas de financiamento, e isso pode ser feito de várias maneiras e uma dela pode ser que o governo procure arrecadar mais receitas fiscais. E outra alternativa seria renegociar os contratos com grandes projectos de investimento estrangeiro em Moçambique de modo a que eles comecem a pagar imposto em vez da situação actual em que eles beneficiam de enormes benefícios fiscais, e outro lado pode ser aquilo que parece ser a tendência do governo moçambicano neste momento que é a duplicação?? da dívida pública em forma de financiamento, quer através dos créditos comerciais que está a obter através de economias emergentes, como é caso da China e do Brasil, quer através das parcerias público-privadas, principalmente com as multinacionais na construção de infra-estruturas. E isto tem uma grande implicação em termos, por um lado do custo do financiamento público, com o custo a divida a aumentar significativamente, e por outro lado o que isso significa em termos de orientação política do governo, porque se o governo financiar o seu orçamento com uma grande componente de divida comercial a sua estratégia de despesas vai reflectir isso e vai se concentrar em áreas de retorno rápido em vez de áreas de impacto social maior.
Nadia Issufo: Ao nível interno quais seriam as possibilidades de preencher os buracos do Orçamento de Estado, para além da colecta de impostos que citou a pouco?
CB: A nível interno a questão central é ir buscar efectivamente receitas fiscais aos grandes projectos, que por um lado é mais fácil identificar, é mais barato em termos de custo de transação, o espaço fiscal é enorme porque são trezentos milhões de dólares adicionais que o governo pode ir buscar aos megaprojectos sem implicações significativas da continuação dos investimentos estrangeiros de grande vulto, e por outro lado pode ser uma das medidas de menor custo político. A outra alternativa a nível doméstico é começar a entrar em outras áreas como a questão de impostos sobre propriedade, em especial sobre as grandes parcelas de terra e exploração comercial de terra que tem taxas extremamente baixas que deviam ser revistas para dar rendas ao governo substancialmente maiores do que as que obtém neste momento, particularmente porque a terra está a ser comercializada ilegalmente no mercado paralelo a preços muito mais altos do que as tarifas que o governo cobra pelo uso da terra.
NI: De alguma maneira esta redução da ajuda obriga Moçambique a ser mais auto-suficiente, ou menos dependente da ajuda externa?
CB: Quer dizer, a redução da ajuda vai obrigar a encontrar alternativas, podem ser ao nível de receitas, portanto outras formas de financiar o Estado, quer ao nível de despesas que é, ou cortar a despesa em termos agregados, ou alocar a despesa mais para a condução de actividades produtivas. Portanto, essas são as questões sem duvida que as pressões ao nível da ajuda externa obrigam o governo moçambicano a tomar decisões. Agora quais são as decisões a tomar vai depender muito de quais são os interesses mais influentes que agem sobre o governo. Por exemplo, neste momento os interesses de grande capital são dominantes na relação com o governo e este tem dificuldade de aceitar a necessidade de negociar com pequenos grandes de investimento estrangeiroos beneficios fiscais que está a dar, embora tanto o FM como o Banco Mundial, doadores e analistas estão constantemente a dizer ao governo que isso tem de ser feito. O governo parece mais inclinado a financiar a despesa pública com recurso a divida em parte porque dessa maneira escapa do problema político de enfrentar as grandes multinacionais e em parte porque isso cria oportunidades de negócios quer para as grandes multinacionais quer para os interesses domésticos de capitais nacionais que estão ligados a essas multinacionais. Por exemplo, se as multinacionais vão investir em grande infra-estrutura, isso vai aumnetar os seus retornos e reduzir o contributo liquido que essas multinacionais podem fazer pela economia e passam o custo da despesa pública para o grande público por causa da redução da quantidade e qualidade dos produtos disponiveis. Então, isto é uma questão política e não técnica que o governo vai tomar em termos de financiamento público. As opções são várias, mas cada uma delas tem implicações e cria oportunidades diferentes. Na minha opinião a questão onde o governo devia avançar rapidamente com o apoio das organizações internacionais multilaterais e bilateriais, era avançar com as negociações de grandes projectos de investimento estrangeiro para recuperar os recursos fiscais que estão ociosos por causa dos benefícios. Isto ia dar ao governo significativamente mais recursos a curto prazo e ia tornar o investimento estrangeiro e a exploração de recursos naturais de Moçambique muito mais proveitosos para a economia nacional.
NI: Até que ponto as manifestações de Setembro último contribuiram para diminuir a confiança dos doadores no governo de Moçambique?
CB: O ponto é que a relação entre governo e doadores está a deteriorar-se há algum tempo, não foi só a manifestação, em especial por causa de problemas de natureza política, por causa da democracia, transperência política, sobre o controlo crescente do partido no poder não só no Parlamento, mas na ajuda diária dos cidadãos e da economia, os doadores tem muitas duvidas sobre o futuro político de Moçambique. Agora, há dois eventos recentes que foram eaproveitados para exacerbar o conflito, um deles foram os dados publicados pelo Instituto Nacionald e Estatística que mostram que nos últimos seis anos, a pobreza em Moçambique medida pela percentagem de população que vive a baixo da linha da pobreza absoluta não diminuiu apesar da economia ter crescido cerca de 50% ou 55% no mesmo período. Os mesmos dados apontam que a produção aliementar per capita em Moçambique baixou 9% nesse período de seis anos. Então, a questão que está a surgir é porque a economia de Moçambique cresce e não se manifesta numa redução da pobreza, inclusive a populaçõa a baixo da linha da pobreza aumentou em dois milhões e a percentagem não reduziu. Este é um problema que já vem sendo colocado há bastante tempo por analistas nacionais e os doadores recordaram esse facto agora uma vez que os dados mostram claramente que há um grande insucesso nas políticas nacionais de desenvolvimento no que respeita a redução da pobreza. Segunda coisa, é que as manifestações de um e dois de Setembro mostram clararmente um grande problema: que por um lado a economia cresce e as classes média e alta beneficiam de serviços de melhor qualidade, mas a grande maioria da população não está a beneficiar do desenvolvimento. E a todos os níveis da sociedade é assim, vamos as zonas rurais e vemos que as camadas médias e altas do campesinato estão a fazer algum progresso, mas a grande maioria dos camponeses está a empobrecer mais. E as estatísticas mostram isto claramente e estão a ser consideradas seriamente pelos doadores. Finalmente os doadores estão a colocar a pergunta, se o padrão de crescimento em Moçambique é o que deve ser, se tomarmos em conta a necessidade de reduzir rapidamente os níveis de pobreza e melhorar as condições de vida da maioria da população, e não apenas alguns grupos sociais de elite. Isto é uma questão que tem sido colocada por moçambicanos há muito tempo, no meu próprio trabalho académico há 10 anos que levanto esta questão. Portanto não é um assunto novo, mas neste momento ficou bastante importante, ficou clara para toda a gente ver e no contexto do agravemento político nas relações entre doadores e governo, que já se fazem sentir nos últimos dois ou três anos, isto é uma oportunidade para os doadores fazerem pressão ao governo
Oiça a entrevista, selecionando a emissão da manhã do dia 6 de Janeiro, em:
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html
Nuno Castel-Branco: Uma das implicações é obrigar o governo moçambicano a encontrar alternativas de financiamento, e isso pode ser feito de várias maneiras e uma dela pode ser que o governo procure arrecadar mais receitas fiscais. E outra alternativa seria renegociar os contratos com grandes projectos de investimento estrangeiro em Moçambique de modo a que eles comecem a pagar imposto em vez da situação actual em que eles beneficiam de enormes benefícios fiscais, e outro lado pode ser aquilo que parece ser a tendência do governo moçambicano neste momento que é a duplicação?? da dívida pública em forma de financiamento, quer através dos créditos comerciais que está a obter através de economias emergentes, como é caso da China e do Brasil, quer através das parcerias público-privadas, principalmente com as multinacionais na construção de infra-estruturas. E isto tem uma grande implicação em termos, por um lado do custo do financiamento público, com o custo a divida a aumentar significativamente, e por outro lado o que isso significa em termos de orientação política do governo, porque se o governo financiar o seu orçamento com uma grande componente de divida comercial a sua estratégia de despesas vai reflectir isso e vai se concentrar em áreas de retorno rápido em vez de áreas de impacto social maior.
Nadia Issufo: Ao nível interno quais seriam as possibilidades de preencher os buracos do Orçamento de Estado, para além da colecta de impostos que citou a pouco?
CB: A nível interno a questão central é ir buscar efectivamente receitas fiscais aos grandes projectos, que por um lado é mais fácil identificar, é mais barato em termos de custo de transação, o espaço fiscal é enorme porque são trezentos milhões de dólares adicionais que o governo pode ir buscar aos megaprojectos sem implicações significativas da continuação dos investimentos estrangeiros de grande vulto, e por outro lado pode ser uma das medidas de menor custo político. A outra alternativa a nível doméstico é começar a entrar em outras áreas como a questão de impostos sobre propriedade, em especial sobre as grandes parcelas de terra e exploração comercial de terra que tem taxas extremamente baixas que deviam ser revistas para dar rendas ao governo substancialmente maiores do que as que obtém neste momento, particularmente porque a terra está a ser comercializada ilegalmente no mercado paralelo a preços muito mais altos do que as tarifas que o governo cobra pelo uso da terra.
NI: De alguma maneira esta redução da ajuda obriga Moçambique a ser mais auto-suficiente, ou menos dependente da ajuda externa?
CB: Quer dizer, a redução da ajuda vai obrigar a encontrar alternativas, podem ser ao nível de receitas, portanto outras formas de financiar o Estado, quer ao nível de despesas que é, ou cortar a despesa em termos agregados, ou alocar a despesa mais para a condução de actividades produtivas. Portanto, essas são as questões sem duvida que as pressões ao nível da ajuda externa obrigam o governo moçambicano a tomar decisões. Agora quais são as decisões a tomar vai depender muito de quais são os interesses mais influentes que agem sobre o governo. Por exemplo, neste momento os interesses de grande capital são dominantes na relação com o governo e este tem dificuldade de aceitar a necessidade de negociar com pequenos grandes de investimento estrangeiroos beneficios fiscais que está a dar, embora tanto o FM como o Banco Mundial, doadores e analistas estão constantemente a dizer ao governo que isso tem de ser feito. O governo parece mais inclinado a financiar a despesa pública com recurso a divida em parte porque dessa maneira escapa do problema político de enfrentar as grandes multinacionais e em parte porque isso cria oportunidades de negócios quer para as grandes multinacionais quer para os interesses domésticos de capitais nacionais que estão ligados a essas multinacionais. Por exemplo, se as multinacionais vão investir em grande infra-estrutura, isso vai aumnetar os seus retornos e reduzir o contributo liquido que essas multinacionais podem fazer pela economia e passam o custo da despesa pública para o grande público por causa da redução da quantidade e qualidade dos produtos disponiveis. Então, isto é uma questão política e não técnica que o governo vai tomar em termos de financiamento público. As opções são várias, mas cada uma delas tem implicações e cria oportunidades diferentes. Na minha opinião a questão onde o governo devia avançar rapidamente com o apoio das organizações internacionais multilaterais e bilateriais, era avançar com as negociações de grandes projectos de investimento estrangeiro para recuperar os recursos fiscais que estão ociosos por causa dos benefícios. Isto ia dar ao governo significativamente mais recursos a curto prazo e ia tornar o investimento estrangeiro e a exploração de recursos naturais de Moçambique muito mais proveitosos para a economia nacional.
NI: Até que ponto as manifestações de Setembro último contribuiram para diminuir a confiança dos doadores no governo de Moçambique?
CB: O ponto é que a relação entre governo e doadores está a deteriorar-se há algum tempo, não foi só a manifestação, em especial por causa de problemas de natureza política, por causa da democracia, transperência política, sobre o controlo crescente do partido no poder não só no Parlamento, mas na ajuda diária dos cidadãos e da economia, os doadores tem muitas duvidas sobre o futuro político de Moçambique. Agora, há dois eventos recentes que foram eaproveitados para exacerbar o conflito, um deles foram os dados publicados pelo Instituto Nacionald e Estatística que mostram que nos últimos seis anos, a pobreza em Moçambique medida pela percentagem de população que vive a baixo da linha da pobreza absoluta não diminuiu apesar da economia ter crescido cerca de 50% ou 55% no mesmo período. Os mesmos dados apontam que a produção aliementar per capita em Moçambique baixou 9% nesse período de seis anos. Então, a questão que está a surgir é porque a economia de Moçambique cresce e não se manifesta numa redução da pobreza, inclusive a populaçõa a baixo da linha da pobreza aumentou em dois milhões e a percentagem não reduziu. Este é um problema que já vem sendo colocado há bastante tempo por analistas nacionais e os doadores recordaram esse facto agora uma vez que os dados mostram claramente que há um grande insucesso nas políticas nacionais de desenvolvimento no que respeita a redução da pobreza. Segunda coisa, é que as manifestações de um e dois de Setembro mostram clararmente um grande problema: que por um lado a economia cresce e as classes média e alta beneficiam de serviços de melhor qualidade, mas a grande maioria da população não está a beneficiar do desenvolvimento. E a todos os níveis da sociedade é assim, vamos as zonas rurais e vemos que as camadas médias e altas do campesinato estão a fazer algum progresso, mas a grande maioria dos camponeses está a empobrecer mais. E as estatísticas mostram isto claramente e estão a ser consideradas seriamente pelos doadores. Finalmente os doadores estão a colocar a pergunta, se o padrão de crescimento em Moçambique é o que deve ser, se tomarmos em conta a necessidade de reduzir rapidamente os níveis de pobreza e melhorar as condições de vida da maioria da população, e não apenas alguns grupos sociais de elite. Isto é uma questão que tem sido colocada por moçambicanos há muito tempo, no meu próprio trabalho académico há 10 anos que levanto esta questão. Portanto não é um assunto novo, mas neste momento ficou bastante importante, ficou clara para toda a gente ver e no contexto do agravemento político nas relações entre doadores e governo, que já se fazem sentir nos últimos dois ou três anos, isto é uma oportunidade para os doadores fazerem pressão ao governo
Oiça a entrevista, selecionando a emissão da manhã do dia 6 de Janeiro, em:
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Moçambique: contenção e regalias são as duas faces da mesma moeda
Em Moçambique o governo atribuiu doze novas viaturas aos vogais da Comissão Nacional de eleições, depois de o ter feito recentemente, na vespera das eleições de 2009. E em breve os próximos beneficiários serão os deputados da Assembleia da República. Enquanto isso o governo local diz que está a implementar medidas de austeridade para contornar a crise económica que afecta o país. E para refrescar a memória, em Setembro último Moçambique viveu a mais violenta manifestação desde a independência por causa do insuportável custo de vida. A DW conversou com o deputado do MDM, o Movimento Democrático de Moçambique, Ismael Mussa, que apresenta o seu ponto de vista sobre o assunto...
Nádia Issufo: Como avalia esta atribuição de viaturas tomando em conta a crise económica que o país vive?
Ismael Mussa: A luz da legislação moçambicana a determinadas funções no Estado são atribuidas viaturas de afetação, de serviço. As pessoas tem o direito de fazer o uso da viatura durante os cinco anos e tem a opção de alienação. Acontece, entretanto, que a Comissão Nacional de Eleições, CNE, actual está em funções temporariamente, porque estamos ao nível da Assembleia da República a rever a lei eleitoral e na sequência desta revisão teremos a breve trecho uma nova CNE. O que seria correcto, tendo em conta a crise económica, e todo o discurso de contenção de despesas públicas, seria que os actuais membros, uma vez que eles se mantém interinamente nas funções, eles deveriam manter as viaturas que receberam há alguns anos atrás e não deveriam receber as novas viaturas, essa seria a postura correcta, e acredito que deveria ser adoptada pelo governo.
NI: Ao que tudo indica os deputados da Assembleia da República serão os próximos beneficiários...
IM: Os dirigentes superiores do Estado tem direito a viaturas de afectação e de alienação, é um direito consagrado a qualquer titular de cargo superior de Estado em Moçambique. O que deveriamos fazer daqui para a frente, tendo em conta que o país produz muito pouco, era revermos até que ponto isto é viável ou não. Agora que é um direito que está em exercício, é uma verdade. Mas o que acontece é que normalmente só se fala de deputados, mas nunca se fala a nível nacional de quantas viaturas o parque oficial tem, ele deve ter cerca de seis mil viaturas e se o país está ou não capaz de arcar com este parque de viaturas. E no âmbito das medidas de contenção fazermos uma redifinição das prioridades do país e revermos todas as leis em vigor. Esta seria a cautela mais correcta.
NI: Entretanto o povo que escolheu os seus representantes fez uma histórica manifestação contra a subida galopante do custo de vida em Setembro último. Para si isto também constitui um paradoxo?
IM: Constitui por isso é que estou a dizer que é altura de fazer um are-avaliação, porque não adianta estarmos a falar dos deputados que pagam pelas suas viaturas quando o Estado compra milharwes de viaturas que ninguém cita. A mim o que me preocupa como representante do povo no Parlamento é que façamos uma re-avaliação global dos gastos por parte do Estado, e isso ninguém está a fazer...
NI: O senhor como deputado e os seus colegas que tem a noção de que é preciso fazer uma revisão, tomando em conta também a ctual situação económica do país...
IM: Nós fizemos essa proposta quando o governo veio com propostas e nós falavamos de contenção de gastos, quando solicitamos que reduzisse o número de ministros, por exemplo, que reduzisse o número de escoltas oficiais, que são bastante despendiosas, mas o primeiro ministro deixou bem claro na Assembleia que o governo não estava preocupado com esse tipo de gastos...
NI: E vocês como deputados seriam capazes de renunciar a estas regalias?
IM: Eu não poderia responder em nome colectivo, porque um direito é um direito e não é por ai que nós resolvemos. É mais ou menos aquilo que se diz, se alguém ganha dez mil dólares eu não devo lutar para baixar o salário para mil dólares, eu devo lutar para que todos ganhem mais. Portanto, eu acho um espirito bastante negativista se lutarmos pelo rebaixamento, não é isso que temos que fazer. O carro dos deputados, eles descontam para isso, enquanto que para os restantes titulares, os milhares de carros a que me refiro, ninguém paga um tostão por eles.
Oiça a entrevista em:
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html
Selecione a emissão da noite do dia 4 de Janeiro
Acordo de Parceria Económica: Cada um por si...
O Acordo de Parceria Económica entre a União Europeia e África Caraibas e Pacifico pode levar muito tempo a ser alcançado, pelo andar das negociações. O objectivo principal deste acordo, que deveriam ser as relações comerciais entre a UE os blocos económicos da ACP, quebrou-se, sem antes começar, e alguns países em África já fazem o comércio com a União Europeia individualmente. A Deutsche Welle entrevistou a pesquisadora da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, Ulrike Lorenz, sobre o estágio das negociações. Segue-se um resumo da entrevista:
Nádia Issufo: De que forma as negociações directas entre os países africanos e a União Europeia, no âmbito da APE, podem ser prejudiciais para Africa?
Ulrike Lorenz: Este é de facto o contencioso nas negociações do Acordo de Parceria Económica. Do ponto de vista da União Europeia o novo acordo iria trazer melhores condições de comércio e investimento para a ACP, África Caraibas e Pacifico, uma vez que o Acordo não irá apenas levar uma abertura total e completa dos mercados da União Europeia, mas pode aumentar o comércio entre os países e regiões e consolidar os mercados. Em África a situação, no geral, o Acordo de Parceria Económica é criticado por forçar países africanos a aderir a acordos de livre comércio entre partes desiguais. A União Europeia é acusada de quebrar a integração regional em África.
NI: África continua a ser fonte de matérias primas para e Europa, e a Europa é forte na exportação de produtos acabados. É possivel falar-se de acordo de parceria económica equilibrado?
UL: Se olharmos para os últimos anos das trocas comerciais entre a União Europeia e a África Caraibas, e Pacifico veremos que as exportações da ACP ocorreram em condições preferênciais. Mas este acesso preferencial e a importação da União Europeia dos ACP desceu de 7% para menos 3% das importações europeias. Mas nos últimos 8 ou 10 anos África melhorou a sua performance, mas nas mesa das negociações a União Europeia tem sido o jogador mais forte. Mas este acordo tem sido muito contestado. E a questão neste Acordo é quem tras o que a mesa das negociações.
NI: Moçambique é um dos países que decidiu assinar individualmente o APE com a União Europeia. Qual é a posição do país neste contexto?
UL: Moçambique tem um papel muito especial nas negociações porque na SADC é o único pais que é apenas membro da SADC e não pertence a mais nenhum bloco económico regional, diferentemente de outros membros da SADC, que também pertencem a outros grupos. Agora Moçambique decidiu manter por si relações comerciais, como parte da SADC, na negociação do Acordo de Parceria Económica. Penso que o sinal que o governo de Moçambique quer passar é de que eles estão dispostos a negociar com a União Europeia, estão dispostos a providenciar uma plataforma para que a negociação do comércio aconteça, que estão preparados para o comércio internacional.
NI: O que se pode esperar das negociações do APE entre África e União Europeia em 2011?
UL: No caso da negociação do Acordo de Parceria Económica com a SADC, por exemplo, há varias fontes que indicam que há possibilidades que se conclua a negociação com a Comissão Europeia e as negociações devem continuar ainda este ano."
Mais sobre o assunto para ouvir em:
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html selecione as emissões da noite de 28 de Dezembro e da
manhã do dia 4 de Janeiro.
Nádia Issufo: De que forma as negociações directas entre os países africanos e a União Europeia, no âmbito da APE, podem ser prejudiciais para Africa?
Ulrike Lorenz: Este é de facto o contencioso nas negociações do Acordo de Parceria Económica. Do ponto de vista da União Europeia o novo acordo iria trazer melhores condições de comércio e investimento para a ACP, África Caraibas e Pacifico, uma vez que o Acordo não irá apenas levar uma abertura total e completa dos mercados da União Europeia, mas pode aumentar o comércio entre os países e regiões e consolidar os mercados. Em África a situação, no geral, o Acordo de Parceria Económica é criticado por forçar países africanos a aderir a acordos de livre comércio entre partes desiguais. A União Europeia é acusada de quebrar a integração regional em África.
NI: África continua a ser fonte de matérias primas para e Europa, e a Europa é forte na exportação de produtos acabados. É possivel falar-se de acordo de parceria económica equilibrado?
UL: Se olharmos para os últimos anos das trocas comerciais entre a União Europeia e a África Caraibas, e Pacifico veremos que as exportações da ACP ocorreram em condições preferênciais. Mas este acesso preferencial e a importação da União Europeia dos ACP desceu de 7% para menos 3% das importações europeias. Mas nos últimos 8 ou 10 anos África melhorou a sua performance, mas nas mesa das negociações a União Europeia tem sido o jogador mais forte. Mas este acordo tem sido muito contestado. E a questão neste Acordo é quem tras o que a mesa das negociações.
NI: Moçambique é um dos países que decidiu assinar individualmente o APE com a União Europeia. Qual é a posição do país neste contexto?
UL: Moçambique tem um papel muito especial nas negociações porque na SADC é o único pais que é apenas membro da SADC e não pertence a mais nenhum bloco económico regional, diferentemente de outros membros da SADC, que também pertencem a outros grupos. Agora Moçambique decidiu manter por si relações comerciais, como parte da SADC, na negociação do Acordo de Parceria Económica. Penso que o sinal que o governo de Moçambique quer passar é de que eles estão dispostos a negociar com a União Europeia, estão dispostos a providenciar uma plataforma para que a negociação do comércio aconteça, que estão preparados para o comércio internacional.
NI: O que se pode esperar das negociações do APE entre África e União Europeia em 2011?
UL: No caso da negociação do Acordo de Parceria Económica com a SADC, por exemplo, há varias fontes que indicam que há possibilidades que se conclua a negociação com a Comissão Europeia e as negociações devem continuar ainda este ano."
Mais sobre o assunto para ouvir em:
http://www.dw-world.de/dw/0,,9585,00.html selecione as emissões da noite de 28 de Dezembro e da
manhã do dia 4 de Janeiro.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Andar de chapa na Alemanha
Não funcionam todos os dias, só em dias festivos como final de ano, carnaval, etc. Nessas ocasiões vale tudo, uma mão na bunda alheia, apertando-a para que as portas finalmente se fechem, corpos colados pior que na hora do amor, são centenas que se num corpo só, é a fusão do amor, para que mais um corpo entre para a orgia, enfim, nessa hora todos os estranhos são intimos!
Entretanto, ninguém se incomoda, pelo contrário! Quase todos estão com um sorriso na cara, a saida de um é motivo de comemoração em voz alta, sentir um penis na bunda, um seio nas costas, um hálito mais azedo ou um fedorzinho a tabaco não aborrece a ninguém. Nesses dias "diferentes" os chapas ficam abarrotados de tal modo que as pessoas chegam a ser expelidas para fora! Pode-se ver também mulheres atiradas ao chão nas mais sugestivas posições... Quando a porta se abre para um passageiro sair ninguém se quer retirar para dar passagem, o máximo que fazem é por um pé fora e manter o outro dentro do chapa como forma de garantir o lugar, mas sempre com um sorriso. Alias, andar de chapa na Alemanha é até assunto durante e depois da farra! E lembrar que ver sorrisos na Alemanha é coisa rara...
É a diversão que não tem todos os dias...
Já na minha terra andar de chapa é coisa do dia a dia, é problema, é sofrimento. Por isso sentir uma mão estranha na bunda é motivo de confusão, a saída de um significa alivio mesmo, porque aqui vale a frase "primeiro eu, segundo eu e terceiro eu..." porque a luta é permanente. Os bens materiais são escondidos nos mais recondidos orificios do ser humano, e então as mãos estranhas são obrigadas a não se contentar com apalpões, elas tem de sair com algum recheio, é preciso prencher a barriga...
E nas datas festivas as esperas nas paragens são longas, nem há possibilidade de sofrer, de ser assaltado, de receber um insulto gratuito do cobrador, de sentir estranhos odores... e mesmo assim as pessoas desesperam...
São os estranhos contrastes do mundo... Como o drama diário de muitos pode ser a alegria e excitação de poucos... mas só porque é de quando e vez, é de brincadeirinha...
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