O novo trofeu que os Estados Unidos da América quer ter chama-se Julian Assange. Depois deste homem ter divulgado os "bastidores" da diplomacia norte-americana através do site "Wikileaks", agora a Procuradoria sueca lançou a epoca da "caça as bruxas", ao emitir um mandato de captura contra o australiano. Assange é acusado de crimes de "violação, agressão sexual e coação" cometidos contra duas mulheres. O advogado de Assange, Mark Stephens, acredita que estão por detrás deste mandato motivações políticas, facto negado pela procuradora sueca responsável pelo caso, Marianne Ny.
E para não quebrar a regra, sempre que alguém põe a descoberto alguma fragilidade do governo norte-americano, é procurado vivo ou morto. Provavelmente uma maneira de sairem "por cima" dos problemas e encobrirem as suas falhas. Caso semelhante aconteceu com Victor Bout, que agora está nas mãos dos EUA.
Mas como se não bastasse tem a capacidade de encontrar vantagens no meio da confusão, e lá fazem a sua auto-promoção. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que
"além do escândalo que provocou, a divulgação feita no "site" WikiLeaks permitiu mostrar a amplitude do trabalho de análise e de informação realizado pela diplomacia norte-americana.", segundo a LUSA.
Enquanto ela apresentava este tipo de argumentos também o seu governo se esforçava para manter contacto com os inúmeros governos que tinham sido alvo das suas "avaliações".
E o preço da liberdade, largamente defendida pelos EUA e outros países, é alto. Agora Assange escondeu-se nalgum lugar, e todas as portas se fecham para ele. Ainda de acordo com a LUSA,
"A Postfinance, a entidade bancária dos Correios suíços, anunciou hoje, em comunicado, que cancelou a conta do fundador do 'site' WikiLeaks Julian Assange por "informações falsas" sobre o respetivo domicílio."
E os republicanos norte-americanos, que não são nada severos, exigem mesmo a pena de morte contra fonte do Wikileaks. Mais paa ler em:
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/840730-republicanos-pedem-pena-de-morte-para-provavel-fonte-do-wikileaks.shtml
Não haverá exagero no cerco ao homem?
Mesmo que tenha posto em causa a segurança dos Estados Unidos da América, e até do mundo, como se diz, ele só usou de um direito seu, a liberdade.
Será que chegou o momento de se limitar esta bem que os EUA tanto usam como exemplo?
"Filho, vai para a escola aprender a vencer sem ter razão", disse a mãe de um famoso escritor africano no tempo colonial. O conselho continua atual.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Deus no céu e Deus na terra
Li hoje no "O País" on-line que o salário dos deputados moçambicanos vai engordar 12 mil meticais, "O subsídio de renda de casa, de acordo com o porta-voz da Comissão Permanente, Mateus Katupha, é um valor que deverá ser pago a cada deputado, a partir de 2011, como forma de garantir um alojamento condigno aos deputados, muitos dos quais não têm casa em Maputo, dependendo do aluguer de casas em situações, às vezes, não favoráveis e que atentam à sua dignidade. “Há colegas deputados que vivem em condições assustadoras”, considerou Katupha." Os detalhes para ler em:
http://www.opais.co.mz/index.php/politica/63-politica/11068-deputados-terao-mais-12-mil-meticais-nos-seus-salarios.htmlQue vergonha a justificativa usada pelo senhor Mateus Katupha!! "Garantir alojamento condigno" e coisas do genero. Lembra-se ele que a maioria dos moçambicanos quase nem teto tem? E que o salário mínimo, que não cobre metade das despesas de uma família, não corresponde sequer a um quarto deste aumento dos deputados?
Até quando nos vão fazer acreditar que os nossos governantes e os nossos mais altos representantes devem viver "a grande"? E o resto, tem menos direitos que os deputados?
O mais assustador é que nós, o povo, só queremos um chefe que tenha regálias e possa evidenciar o seu status. Pois caso contrário, não é merecedor da nossa estima e respeito...
Não vou longe, ainda este ano li uma notíca no Jornal Noticias em que dizia que as pessoas de um povoado do norte do país exigia um carro e uma casa para o chefe, sendo que eles mesmos viviam em igual ou pior situação que o tal chefe. Portanto, o povo algumas vezes não se conforma em ter um dirigente igual a si... O chefe, tem de ser chefe.
Talvez por isso a palavra para designar chefe, é a mesma para designar Deus em muitos lugares de África...
Já tinha ouvido um estudioso explicar isso numa conferência em 1996, e hoje acredito porque...
Só para que tenha uma noção das condições de habitação em Moçambique leia um pouco em:
http://www.opais.co.mz/index.php/economia/38-economia/11066-70-das-casas-sem-condicoes-de-habitabilidade-em-mocambique.html
E porque todos temos memória curta, os governantes e povo, a crise que originou as manifestações de 2 de Setembro se esvanceu no ar... Ninguém se lembra mais que o momento é de contenção.
E viva os legítimos representantes dos moçambicanos!
sábado, 4 de dezembro de 2010
Guiné Conacry: uma nova era?
Fecha-se a porta da crise na Guiné Conacry e abre-se outra na Costa do Marfim. O opositor mais antigo da Guiné é o primeiro presidente democraticamente eleito num país independente há 52 anos. Nesta sexta-feira a comissão eleitoral local anunciou oficialmente a vitória de Alpha Condé. Um homem que representa os malinkes, que não são a maioria étnica, são 35%, o que revoltou os peul, a maioria. Até ao anúncio dos resultados definitivos o país viveu confrontos étnicos, estranhamente depois do anúncio o calma não foi sacudida. Estará a porta bem fechada? Ou é tempo de reabastecimento de munição?
Costa do Marfim: uma parte para Gbagbo, outra para Ouattara
Depois das eleições presidenciais de domingo na Costa do Marfim, a comissão eleitoral local anunciou na última quinta-feira a vitória do candidato Alassane Ouattara, mas o Conselho Constitucional deu vitória ao presidente Laurent Gbagbo. Este último tomou posse hoje e o seu rival tomou posse também num hotel do país. Gbagbo tem as forças armadas nas mãos que controlam o sul, cujas fronteiras foram fechadas, e Ouattara tem o apoio das forças novas que controlam o norte, cujas fronteiras estão abertas.
A tensão está instalada no país, já se sente novamente o cheiro da guerra civil. Gbagbo caminha para o isolamento porque a comunidade internacional discorda do seu açambarcamento do poder, e nem as grandes organizações africanas estão do seu lado. E lembrando que as fronteiras do norte estão abertas, portanto tudo pode entrar por ai, incluino armas e homens.
Mais uma "tipica crise" da região Ocidental de África, onde as alianças militares são decisivas para a conquista e manutenção do poder. Isto quando não entra para o palco do conflito a questão étnica...
Tal como muitos países da África Ocidental a Costa do Marfim é rica em recursos minerais tais como o petróleo, gás natural e diamantes, para além do seu potencial agrícola. Ele é o maior produtor de cacau do mundo. E a instabilidade reina por isso lá.
A tensão está instalada no país, já se sente novamente o cheiro da guerra civil. Gbagbo caminha para o isolamento porque a comunidade internacional discorda do seu açambarcamento do poder, e nem as grandes organizações africanas estão do seu lado. E lembrando que as fronteiras do norte estão abertas, portanto tudo pode entrar por ai, incluino armas e homens.
Mais uma "tipica crise" da região Ocidental de África, onde as alianças militares são decisivas para a conquista e manutenção do poder. Isto quando não entra para o palco do conflito a questão étnica...
Tal como muitos países da África Ocidental a Costa do Marfim é rica em recursos minerais tais como o petróleo, gás natural e diamantes, para além do seu potencial agrícola. Ele é o maior produtor de cacau do mundo. E a instabilidade reina por isso lá.
Portador de excessos ou de carências?
Chamamos aos deficientes de portadores de deficiência fisica. Como contribuimos para a estigmatização deles sem consciência... Ao querermos falar sofisticado colocamos mais um peso na sua deficiência. Uma pessoa que não vê carrega consigo a cegueira, a que não ouve carrega a surdez, a que não tem uma perna carrega a "coxeza" e por ai em diante...
Ou então com o uso dessa terminologia posso pensar ao contrário? Que o deficiente carrega exactamente o que não tem; a visão, a audição, a perna, o braço...
Ou estou eu a ficar maluca?
Até quando vamos retroceder pensado que demos dois passos em frente?
Ou então com o uso dessa terminologia posso pensar ao contrário? Que o deficiente carrega exactamente o que não tem; a visão, a audição, a perna, o braço...
Ou estou eu a ficar maluca?
Até quando vamos retroceder pensado que demos dois passos em frente?
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
As Desigualidades e os "Sonhos Guerreiros"
Nádia Issufo: Porque está peça é tão multicultural?
Edith Koerber: Porque vivemos em Estugarda e aqui vivem pessoas de muitas culturas, de vários países e por causa da globalização estamos cada vez mais próximos uns dos outros, e é importante aprender com outras culturas.
Nádia Issufo:
Edith Koerber: Ela é a riqueza do ser humano, embora com a globalização as diferenças vão diminuindo cada vez mais, porque a globalização põe as pessoas em contacto umas com as outras. E o sistema capitalista também faz desaparecer as diferenças, e é importante que isto seja mostrado no teatro.
Nádia Issufo:
Edith Koerber: Há seis anos que me preocupo com o salário mínimo, uma coisa reivindicada pelos partidos aqui na Alemanha, e por isso achei interessante ver em África a aplicação do salário minímo, e aqui não se sabe dessa experiência. Grupos da Índia e Estados Unidos da América mandaram pessoas para África para colher experiências, mas aqui ninguém sabia. Acho que este projecto poderia dar um rosto mais humano a globalização. O salário mínimo deveria ser introduzido em todo o mundo e poderia devolver a dignidade humana.
Edith Koerber: Porque vivemos em Estugarda e aqui vivem pessoas de muitas culturas, de vários países e por causa da globalização estamos cada vez mais próximos uns dos outros, e é importante aprender com outras culturas.
Nádia Issufo:
Edith Koerber: Ela é a riqueza do ser humano, embora com a globalização as diferenças vão diminuindo cada vez mais, porque a globalização põe as pessoas em contacto umas com as outras. E o sistema capitalista também faz desaparecer as diferenças, e é importante que isto seja mostrado no teatro.
Nádia Issufo:
Edith Koerber: Há seis anos que me preocupo com o salário mínimo, uma coisa reivindicada pelos partidos aqui na Alemanha, e por isso achei interessante ver em África a aplicação do salário minímo, e aqui não se sabe dessa experiência. Grupos da Índia e Estados Unidos da América mandaram pessoas para África para colher experiências, mas aqui ninguém sabia. Acho que este projecto poderia dar um rosto mais humano a globalização. O salário mínimo deveria ser introduzido em todo o mundo e poderia devolver a dignidade humana.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Lucrécia Paco em "Sonhos Guerreiros"
Nádia Issufo: Conta-me por favor a história desta peça...
Lucrécia Paco: A história retrata uma comunidada de Otchivero na Namíbia. Numa primeira fase fazemos uma síntese da ocupação alemã na Namíbia, desde os campos de concentração que marcaram a colonização alemã, passando pelo Apartheid e os seus aspectos negativos para os Herreros que tiveram de se refugiar e recomeçar a vida quando houve os conflitos entre os fazendeiros brancos e empregados negros e a necessidade de recomeçar a vida. E como estas comunidades não tinham recursos para refazer a vida há uma iniciativa de distribuir uma renda básica, Basic Income Grand, que consistia na distribuição de 100 dólares namibianos, o que equivale a 10 Euros. Claro, para se contar uma história, não consideramos apenas os aspectos históricos, mas também as relações humanas. E a Paulina Chiziane, que co-escreveu a história, optou por trazer um casal misto e as complicações que podem advir de uma relação dessas. Porque a Maria abandona os luxos da fazenda ao apaixonar-se por um trabalhador do seu pai, e há um filho que nasce desta união. E com a peça pretende-se trazer a união entre os povos. E o titulo ".....", ou seja, "Sonhos Guerreiros" pretende dar uma mensagem de esperança, e do passado se tirar uma aprendizagem e pensar no e recuperar o bem
NI: A peça sobre a Namíbia foi escrita por uma moçambicana e por uma alemão. Como vês o facto?
LP: Eu penso que a arte ultrapassa as fronteiras. Temos uma moçambicana que para poder inspirar-se teve de ir a Otchivero ver a realidade da comunidade e dai fazer uma história. E penso que foi inteligente da parte dela falar da relação entre duas pessoas para contar uma realidade num mundo globalizado onde uns tem muito e cada vez mais e outros não tem nada e pensar como essa redistribuição de riqueza pode ser feita e como pode ajudar aos que não tem nada.
N: Como foi fazer uma peça multilingística?
LP: Não foi fácil, porque um dos grandes desafios foi interpretar na minha língua materna, o Rhonga, uma língua que conheço mas que não tenho falado com muita frequência, e ter o domínio de quem faça, e outra foi a dificuldade de ter uma tradução simultânea com a minha parceira que fala em alemão e muitas vezes sabemos qual o conteúdo mas quando não conhecemos a língua é difícil resolver um problema quando há falhas. Mas foi bom.
NI: Como foi estabelecer o diálogo entre vocês mas cada um falando a sua língua?
LP: Foi muito bom, fora a dificuldade, foi a possibilidade e aprendizagem. E há uma necessidade de escuta permanente e de solidariedade entre todos os que estão no palco a contar esta história.
NI: No final o que foi mais importante no encontro de várias culturas e manifestações artísticas?
LP: Foi afinal de contas ver que a mensagem conseguiu passar, o facto de falarmos diferentes línguas trouxe outra dimensão a apreciação das melodias das diferentes línguas e as pessoas ficarem deslumbradas com isso. E perceber que a língua é um instrumentos estético, que para além de servir para a comunicação, o aspecto melódico que chega ao público tem algo que encanta.
NI: Vens várias vezes para Alemanha. Esta deve ser a tua peça mais diversificada em termos linguísticos. Tiveste a oportuniade de aprender mais coisas em alemão ou não?
LP: Tive sim, uma coisa é não saber falar, e outra é saber interpretar e reconhecer na expressão dos meus colegas a música que esta língua tem. E pensamos que o alemão é uma língua agressiva, mas não, também tem a sua graça.
Para saber mais sobre esta peça teatral vá para o seguinte endereço: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,6275854,00.html
Selecione o audio da emissão da manhã do dia 29 de Novembro
Lucrécia Paco: A história retrata uma comunidada de Otchivero na Namíbia. Numa primeira fase fazemos uma síntese da ocupação alemã na Namíbia, desde os campos de concentração que marcaram a colonização alemã, passando pelo Apartheid e os seus aspectos negativos para os Herreros que tiveram de se refugiar e recomeçar a vida quando houve os conflitos entre os fazendeiros brancos e empregados negros e a necessidade de recomeçar a vida. E como estas comunidades não tinham recursos para refazer a vida há uma iniciativa de distribuir uma renda básica, Basic Income Grand, que consistia na distribuição de 100 dólares namibianos, o que equivale a 10 Euros. Claro, para se contar uma história, não consideramos apenas os aspectos históricos, mas também as relações humanas. E a Paulina Chiziane, que co-escreveu a história, optou por trazer um casal misto e as complicações que podem advir de uma relação dessas. Porque a Maria abandona os luxos da fazenda ao apaixonar-se por um trabalhador do seu pai, e há um filho que nasce desta união. E com a peça pretende-se trazer a união entre os povos. E o titulo ".....", ou seja, "Sonhos Guerreiros" pretende dar uma mensagem de esperança, e do passado se tirar uma aprendizagem e pensar no e recuperar o bem
NI: A peça sobre a Namíbia foi escrita por uma moçambicana e por uma alemão. Como vês o facto?
LP: Eu penso que a arte ultrapassa as fronteiras. Temos uma moçambicana que para poder inspirar-se teve de ir a Otchivero ver a realidade da comunidade e dai fazer uma história. E penso que foi inteligente da parte dela falar da relação entre duas pessoas para contar uma realidade num mundo globalizado onde uns tem muito e cada vez mais e outros não tem nada e pensar como essa redistribuição de riqueza pode ser feita e como pode ajudar aos que não tem nada.
N: Como foi fazer uma peça multilingística?
LP: Não foi fácil, porque um dos grandes desafios foi interpretar na minha língua materna, o Rhonga, uma língua que conheço mas que não tenho falado com muita frequência, e ter o domínio de quem faça, e outra foi a dificuldade de ter uma tradução simultânea com a minha parceira que fala em alemão e muitas vezes sabemos qual o conteúdo mas quando não conhecemos a língua é difícil resolver um problema quando há falhas. Mas foi bom.
NI: Como foi estabelecer o diálogo entre vocês mas cada um falando a sua língua?
LP: Foi muito bom, fora a dificuldade, foi a possibilidade e aprendizagem. E há uma necessidade de escuta permanente e de solidariedade entre todos os que estão no palco a contar esta história.
NI: No final o que foi mais importante no encontro de várias culturas e manifestações artísticas?
LP: Foi afinal de contas ver que a mensagem conseguiu passar, o facto de falarmos diferentes línguas trouxe outra dimensão a apreciação das melodias das diferentes línguas e as pessoas ficarem deslumbradas com isso. E perceber que a língua é um instrumentos estético, que para além de servir para a comunicação, o aspecto melódico que chega ao público tem algo que encanta.
NI: Vens várias vezes para Alemanha. Esta deve ser a tua peça mais diversificada em termos linguísticos. Tiveste a oportuniade de aprender mais coisas em alemão ou não?
LP: Tive sim, uma coisa é não saber falar, e outra é saber interpretar e reconhecer na expressão dos meus colegas a música que esta língua tem. E pensamos que o alemão é uma língua agressiva, mas não, também tem a sua graça.
Para saber mais sobre esta peça teatral vá para o seguinte endereço: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,6275854,00.html
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